quinta-feira, 10 de julho de 2014

Teorias


As teorias perdem-se no tempo. Provavelmente, a primeira foi entretecida por Eva, para seduzir Adão. A Bíblia, através da maçã, marmoreou a ingenuidade do Homem, para sempre, perante a perversidade pragmática da Mulher. A serpente foi um mero acidente de percurso, simbólico. Adiante...
A Mabília (bem raro, este nome em Portugal), brasileira, almoçou com a Sílvia, portuguesa e ligeiramente mais velha, que foi sua formadora. Como o restaurante estava quase cheio, sentaram-se ao meu lado e falaram do seu trabalho, nas grandes superfícies.
Pelo que ouvi, há duas teorias sobre a exposição, nestas catedrais de consumo:
1. Corredores, topos de gôndolas e prateleiras atafulhadas de produtos, para que o cliente tenha que esbarrar com eles, ou contorná-los, sendo que, por impulso, acabe por comprar alguns, para além daqueles que levava, na lista manuscrita trazida de casa.
2. Amplos e abertos corredores, topos de gôndola elegantes e esteticamente compostos, prateleiras sempre repostas, mas não sobrecarregadas. Assim o cliente passeará tranquilamente, sentir-se-á leve e bem, e talvez lhe apeteça comprar mais uns artigos...
O sr. Teófilo (assim tratado pela Mabília, que não pela Sílvia), chefe das duas jovens, é adepto - percebi eu pela conversa - fanático da primeira das teorias. Mas também entendi que é um sedutor e um pouco promíscuo com as suas subordinadas...
Posso dizer, que tive um almoço instrutivo, ontem, porque aprendi alguma coisa sobre as técnicas das grandes superfícies que, aliás, evito frequentar...

20 comentários:

  1. Ómeudeus! Espero que os nomes sejam fictícios, incluindo esse tal casal Adão e Eva!

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    1. Esteja descansado...
      Só um nome é verdadeiro. E até o Teófilo da fotografia é, na realidade, Abílio...

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    2. Aaaaiiii.... Espero que Abílio também seja fictício!

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    3. Volto a ter que o tranquilizar:
      o Diniz já está afastado do negócio; vendeu, há muito e com lucro, as quotas que tinha, na Lusitânia...

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  2. E as marcas pagam esse esbarranço que nos obrigam a ter. Não só nos super. Também nas livrarias, as editoras pagam as mesas e escaparates em que os livros são colocados. Imagino o que custarão aquelas que ficam na Fnac-Chiado frente as escadas rolantes quando as descemos para a livraria.

    :-) aos comentários anterioes.

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    1. ...E as Farmácias...
      A gente nem sonha o que se passa atrás dos cenários...

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    2. Sim, com os produtos de beleza e leites, etc., para bebés.

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    1. A felicidade acaba por ser, sempre, à medida de cada um.

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    1. Aí, no entanto, temos uma diferença de tomo: prefiro ver a nua realidade a jusante, sem formatizar, previamente, a montante.

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    1. Por aí - e creio que já uma vez o afirmei, em re-comentário - não há nenhum ponto de contacto entre os nossos pontos de vista. É definitiva a minha perspectiva e penso que não vale a pena insistir, no sentido da minha "conversão".

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  6. Ah!Ah!Ah! Muito esclarecedor!

    As técnicas de venda conseguem efectivamente influenciar as pessoas e levá-las a comprar o que não tencionavam.
    De vez em quando também sou apanhada...lá levo algo de que me arrependo ou que não tencionava comprar.
    Enfim...

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  7. Estes comentários aos comentários que entretanto foram retirados, tornam a postagem mais viva: tentar perceber o que esteve escrito.

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    1. Admito que poderá ser uma espécie de exercício de leitura policial. Um pouco semelhante ao que se tem ao ler correspondência de que se perderam as cartas de um dos interlocutores.

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