Mostrar mensagens com a etiqueta Adolfo Casais Monteiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adolfo Casais Monteiro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de agosto de 2026

Lembrete 80



Dele disse Adolfo Casais Monteiro que: "...sendo o mais puro estilista de todos os seus contemporâneos, ele foi ao mesmo tempo o menos literato, o mais alheio a tudo quanto não fosse fazer cada vez com mais autenticidade a sua confissão." Referindo-se a Graciliano Ramos (1892-1953) que, no meu entender, é, com João Guimarães Rosa (1908-1967), um dos dois maiores prosadores brasileiros do século XX. 
Saiu recentemente (Abril 2026), ao que julgo ser uma segunda edição de contos, desta vez, completos do autor, 63 anos depois da impressão da Atlântida (Coimbra) que antologiava apenas 21 contos. Esta deste ano abrange 53. Ambos os livros têm prefácios competentes para a compreensão da obra de Graciliano Ramos. 

A saída desta recente edição da E-Primatur com os contos completos do escritor brasileiro é uma boa oportunidade para conhecer, quem o não conheça de leitura, parte da obra deste grande prosador.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Esquecidos (7)



Tenho uma certa dificuldade em avaliar com isenção os pergaminhos, como escritora, de Irene Lisboa (1892-1958). Mas recordo-me que dos seus livros diziam que era mais incensada pela crítica literária do que frequentada pelos leitores, ainda que os tivesse fiéis. Por outro lado, lembro-me bem de alguém que, numa altura difícil de vida, a lia repetidamente, e a citava em profusão, sobretudo excertos de Solidão, na versão da Portugália (1965). 



Creio que posso afirmar que, hoje, Irene Lisboa está profundamente esquecida. O seu intimismo discreto não se compagina com as estridências dos dias presentes. E até a sua própria poesia, um pouco na estirpe da de Casais Monteiro, e que me surpreendeu favoravelmente (já nos anos 90), terá talvez uma distanciação áspera em relação aos cultores potenciais.



Fique porém o nome de Irene Lisboa, nesta temática ingrata que o tempo foi cavando e eu aqui dou conta no Arpose, de vez em quando, para contrariar os desamores...

domingo, 1 de novembro de 2015

Da leitura (7)


O que nos move a ler um livro? Basicamente, julgo que 3 motivos: o entretenimento, a curiosidade ou um enriquecimento pessoal. Esta última razão aplicar-se-á, sobretudo, a obras temáticas: História, Monografias, Filosofia, Ensaio, Sociologia, etc..
Adolfo Casais Monteiro (1908-1972), na sua introdução a Cartas Inéditas de António Nobre (Edições Presença, 1934), dá o seu contributo para esta questão, em termos específicos. Assim:
"...É certo, porém, que existem espécies diversas de leitores de memórias, diários e correspondências: há, principalmente, aqueles a quem, tam sòmente, a sofreguidão do romanesco conduz; aqueles a quem atrai uma doentia curiosidade bisbilhoteira; e ainda os eruditos, para quem uma qualquer data nua vale tanto como um lance trágico duma vida...;"

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Simenon-Maigret em português


Com as capas acusando a marca do tempo, embora o miolo se apresente em boas condições, O Cão Amarelo, de Georges Simenon (1903-1989), terá sido a segunda obra do escritor francês a ser traduzida para português, provavelmente em 1939. E com a garantia de ser uma versão de Adolfo Casais Monteiro (1908-1972), para a Empresa Nacional de Publicidade (ENP). O primeiro livro traduzido de Simenon foi Condenado à Morte (1932, Clássica Editora).
Só não refiro o preço por que o adquiri, hoje, no alfarrabista, para não ferir susceptibilidades e provocar invejas - porque foi muito barato, por diversas circunstâncias...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Minudências estruturalistas e linguísticas


Ao arrumar livros antigos, deparei com um fastidioso volume intitulado "Linguística e literatura" (Edições 70, 1976) que, creio, tive que ler por razões curriculares. O livro tem contribuições variadas e segue os dogmas estruturalistas da época, hoje datados e obsoletos, prática e felizmente. Encontrei, no entanto, ao folheá-lo algumas transcrições de uma carta interessante de Fernando Pessoa para Adolfo Casais Monteiro, sobre os heterónimos, comentadas por Luciana Stegagno Picchio e Roman Jakobson. Aqui vão, as palavras claras de Pessoa, intercaladas pelos comentários dos estudiosos estrangeiros (em itálico):
"Criei então uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve."
O relato do poeta deve ser tomado à letra:
"Aparecendo Alberto Caeiro, tratei de lhe descobrir - intuitiva e subconscientemente - uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe um nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via."
A assinatura do mestre Ca-ei-ro entra, com duas metáteses (ir-ri e eir-rei), no nome e no sobrenome «ajustados» para designar o discípulo Ri/cardo Rei/s e, dentre as onze letras desse achado onomástico, nove (isto é, todas excepto a consoante final dos dois temas) reproduzem as de CAEIRO. Ademais, a primeira sílaba desse sobrenome e o fim do nome Albe/r/to Ca/eiro, se reflectem, com uma metátese, no nome do discípulo Ri/car/do. ...(pg. 26)