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sábado, 8 de janeiro de 2022

Últimas aquisições (36)


Por razões várias as minhas compras de livros, usados sobretudo, têm diminuído substancialmente nos tempos recentes. As visitas aos alfarrabistas, por sua vez, também têm decrescido muito. A mais recente foi para ir buscar, à rua da Misericórdia, um livro que HMJ tinha reservado.
Não pude deixar de fazer uma rápida vistoria à banca central da loja e acabei por escolher 2 livros, em muito bom estado, que provavelmente teriam vindo da biblioteca da germanista Maria Leonor Machado de Sousa (1932-2021), que fora também directora da BNP. E que falecera em Setembro passado.
O livro editado pela Gallimard, em 1972, na sua colecção Poésie, decepcionou-me por não ter sequer um estudo introdutório à obra lírica do ensaísta e poeta francês. Pelo contrário, o célebre estudo de Marañón publicado pela Tavares Martins (Porto) teve um aparato gráfico e geral de muito boa qualidade. Editou-se em 1947, na sua versão portuguesa.

sábado, 16 de julho de 2011

Vinho em Portugal, no século XVIII


Já aqui falei do livro "Relação do Reino de Portugal - 1701", editado pela BNP (2007), baseado num manuscrito da British Library, e transcrito sob a coordenação de Maria Leonor Machado de Sousa. É uma obra interessantíssima e, pelo pitoresco e observação minimalista dos costumes portugueses de antanho, não fica nada a dever às clássicas, canónicas e mais celebradas obras (pelo menos, das que eu conheço) de Estrangeiros sobre Portugal que são sempre muito cobiçadas pelos bibliófilos portugueses nos alfarrabistas. E muito disputadas em leilões. Hoje, vou transcrever da obra citada, um pequeno excerto sobre a produção de vinho, na região de Lisboa. Curiosamente, e pouco antes deste texto, o autor referia que da margem norte do Tejo, eram preferíveis os vinhos tintos, e a sul do Tejo eram melhores os brancos. Segue, então:
"...Para fazerem Vinho põem as Uvas numa grande Cisterna de Pedra, de onde as passam para outra, menor, e então o Vinho é colocado em grandes Cascos, que levam quatro ou cinco Tonéis. Pisam as Uvas de uma maneira muito desagradável e, quando já não sai mais nenhum sumo da pisa, eles espremem o que podem da seguinte maneira: põem os cascos todos numa pilha e atam-nos com corda de sisal para evitar que se espalhem, depois colocam Pranchas de madeira sobre eles, e com recurso a uma grande Pedra, extraem ainda mais sumo delas; depois do que deitam água para dentro dos cascos e fazem um licor a que chamam agua-pé, que foi o que provei. Era pior do que Cerveja Fraca. Quando o vinho é levado para esses grandes Cascos, se se trata de vinho Branco o trabalho está feito, mas se é vinho Tinto, põem o cangaço da Uva lá dentro para que fermente e passe a ter mais cor, pois a cor intensa do vinho Tinto é conseguida dessa maneira. ..."