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domingo, 25 de janeiro de 2026

Foi assim a Norte

 


Não era muito frequente, a neve. Lembro-me dela, na zona, quando tinha 5, 14 e aos 20 anos de idade.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Sequelas ou sequências


Não se esperem revelações, passados tantos anos, destes reencontros. Apenas um ajustar de vírgulas menores, alguns pontos finais e definitivos, confirmações de coerências antigas, pequenos acertos.
Clarifica-se, no entanto, o puzzle da memória, de versões diferentes, em presença, de cenas vividas outrora pelos intervenientes. Cada um fixou aquilo que mais lhe interessava. Ou queria, limando-o, à sua maneira, talvez mais favorável.
O Manuel P. entrou confiante no salão, circunvagou o olhar pelo enorme grupo reunido. Depois, deu por mim e abriu-se num sorriso amplo, estendeu a mão, forte manápula ainda vigorosa. Acabámos num abraço afectuoso. Foi quando ele lançou, baixo e em tom quase confidencial:
- Eu reconheço muitos, pelos traços, mas parecem-me caricaturas...
Eu não disse, mas podia retorquir-lhe:
- São as rugas do tempo, Manuel!
O que seria uma mera evidência.
E, por isso, me calei.

domingo, 2 de junho de 2019

Dos provectos e suas confraternizações


Nem o Pedro nem a Teresa apareceram. Cuidados familiares ou assistência aos netos explicavam as ausências. O Paulo, também faltou, por doença justificada pelo irmão Rui, ex-militar, de porte ainda atlético, mas um pouco desgastado. Do Nanu ninguém me soube dizer nada, nem do Viamonte ou do Isaías, que foram várias vezes referidos. Do Torres e Gonga (Gonçalves), professores liceais, também vieram à mesa algumas memórias, nem sempre favoráveis. O  Pinheiro fez a sua rábula de venda de desperdícios por terras transmontanas, perante uma assistência atenta de 6 ex-colegas, e, no fim, colheu louvores. Como foram louvados, justamente, os filetes de pescada do Hotel da Penha, na melhor tradição vimaranense.
Mas se eu tivesse que escolher uma imagem, seria a dos dois octogenários, no Jaguar aerodinâmico e elegante, guiado pelo Belmiro J. e tendo por companheiro o ex-governador civil, Fernando A., afastando-se felizes, em direcção a Guimarães, pela estrada tortuosa que passa pela Costa.

sábado, 1 de setembro de 2018

Doçuras e tradição


Era por este mês, embora com Setembro mais avançado, que se dispunham, em boa ordem na Garagem, os apetrechos competentes: as facas bem afiadas, as grandes colheres de pau, o açúcar suficiente, as tijelas de barro popular, os enormes tachos, dourados por dentro, de cobre, usados anualmente. E os marmelos.
E começava a função, ia a manhã já alta. Das compotas caseiras, lá em casa, a marmelada encerrava a tradição, com chave de ouro. Descascar, descascar, pondo de lado o interior dos caroços e pevides, que iriam dar, ainda, alguns rosados frascos de geleia, mais tarde.
As tijelinhas de barro rústico iam, depois de cheias, a secar no lambril da janela que dava para a Penha, a Oriente. Para gáudio de abelhas e vespas que, vindas sabia eu lá de onde, voltejavam inquietas sobre esta doçura, ao Sol de Setembro. Ao fim da tarde, era tempo de se pincelar a marmelada, à superfície, com aguardente minhota e colar-lhe pequenas circunferências de papel vegetal, recortado previamente, para melhor conservar a marmelada e guardá-la, depois, nos armários da sala de jantar. A mim, competia-me rapar os tachos, e provar aquela doçura...
Não era tradição recente. Até já no século XVI, Vasco da Gama levava para a Índia, além do duro biscoito e do peixe seco, para a longa viagem marítima, algumas tijelas de marmelada, mimo das mulheres portuguesas, que a sabiam fazer. Doçura que decerto compensava algumas agruras da jornada.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Retratos (19)


Em relação a reuniões de confraternização, com almoços ou jantares sequentes, as opiniões dividem-se, normalmente. Há quem os considere uma chatice, outros, não faltam a nenhum. Quanto a mim, se tenho garantido um pequeno grupo de próximos ou amigos, não me importo de os frequentar. No último, dava por adquirido que o serviço e o amesendar seriam de qualidade. Como foram; só de entradas, a preceito, vieram papas de sarrabulho, salgados miniatura, salada de polvo, pequenos pratinhos de rojões, mexilhões, moelas, eu sei lá... A nossa mesa, em presenças humanas, também se me fez a contento das minhas expectativas.
Algumas surpresas me esperavam, pela positiva: uma familiar que já não via há quase 40 anos, o Nanu com o cabelo totalmente branco, mas que conservava os traços de rosto juvenis, a Carviçais que eu não reconheci, porque perdera a beleza gentil que lhe era própria. E o Fernando G. A., que conservara a sua bela voz de soprano. Mas que se tornara, à força de querer ter graça constantemente, numa pobre caricatura de si próprio. Mantinha o nariz adunco de Cyrano, ainda devia cantar e tocar bem o fado coimbrão, mas adornara-se, para a festança, com um chapéu exótico e garrido, e uma écharpe. A pose era excessiva.
Depois, finalizava os seus ditos com longas gargalhadas, o palavrão sublinhava todas as suas histórias e os gestos teatrais exagerados, tornavam quase deprimente acompanhá-lo. Além disso, a hipocondria dominava, crescente, com a idade. E o cabelo longo, mas muito ralo, acentuava-lhe a decadência geral. Teria preferido não o ter reencontrado... pelo desfazer da imagem que fora.
Daí que compreenda totalmente aqueles que evitam este tipo de romagens de saudade a uma juventude perdida.

domingo, 3 de junho de 2018

Onomástica


À mesa, António, cada um dos três.
Dois à minha direita, o terceiro, à esquerda. Quando falo para a direita, vejo-me obrigado a acrescentar o apelido, para cada um deles saber a quem me dirijo. Amigos de longa data, somos da geração em que predominavam os José, João, Joaquim, Manuel, Francisco e António.
Hoje em dia, diversificaram-se um pouco mais os nomes de baptismo. Embora também haja, por aí, inúmeras Marias, Cláudias, Joanas, Vanessas e Bárbaras. E Tiagos. E, não há dúvida, que os Antónios regrediram... Até, talvez, uma próxima revoada da moda.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Uma fotografia, de vez em quando (94)


Em muitas casas haverá destas fotos, antigas, insituáveis, por vezes, e de quem já nem conseguimos sequer identificar, capazmente, os intervenientes. O tempo cobriu-os pelo pó do anonimato eterno.
Esta, em imagem, é a fotografia mais antiga, de família, na minha posse. Está um pouco arruinada no seu estado de conservação mas, pela única pessoa que reconheço, nela, datará de finais dos anos 20 do século passado ou, quando muito, do início dos 30. O cenário é o pedestal de pedra do monumento levantado, no ponto mais alto da Penha (Guimarães), ao papa Pio IX (erigido em 1893). Como é que as 8 pessoas representadas conseguiram subir nele, é uma incógnita: mas, provavelmente, com a ajuda do ocasional fotógrafo.
A simplicidade dada pelos tons claros e negros da fotografia não deixa de lhe dar um aspecto de aridez e rusticidade circundante, que acaba por se alargar à pose austera, sem sorrisos, das pessoas retratadas, 7 das quais, passados quase 100 anos, são rostos completamente anónimos, para sempre perdidos no tempo. Pelo menos, para mim.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Divagações 99


 Em louvor de uma infância

Hoje, tudo tem embalagens evasivas: em blister, tetrapack e quejandos. Aformoseadas até ao limite do disfarce ou dissimulação, onde os produtos jazem muito pouco substantivos, menos ainda se lhes descobre a filiação ou origem que permita às novas gerações conhecer-lhes a história em toda a sua simplicidade.
Quando criança, eu estava muito pouco acostumado à técnica, mas sabia, por exemplo, o que era um contador de água. E o seu verdete, quando já envelhecido. Desde cedo, sabia mudar fusíveis, ensinado que fora pela minha Mãe. Conhecia a cor do chumbo e do mercúrio. E os dejectos das cabras vicinais, como também os figos equestres que, por vezes, sinalizavam os animais de passagem pelos caminhos de terra batida, poeirentos. Sabia de como os ninhos eram feitos e conseguia facilmente distinguir um ovo de pata de outro, de galinha. Pasmava da galinha choca - ainda não havia os aviários -, na obscuridade da loja, sobre o enorme cesto vindimeiro, protegendo os pintaínhos recém-nascidos. Surpreendia-me com a agilidade das sardaniscas, fugindo por entre as pedras, nas manhãs de Sol. Tudo isto, apesar de viver numa cidade, embora de província, onde ainda não havia embalagens.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cidade Capital de Cultura 2012 / Fastos vimaranenses XIV : fora de portas




Não ficaria de bem comigo, ao acabar esta rubrica, se não alertasse o eventual visitante de Guimarães, no próximo ano de 2012, em que será Capital Europeia de Cultura, para dois locais que, não estando integrados na cidade, lhe estão próximos e, por várias razões, também associados. Refiro-me à Montanha da Penha (cerca de 650 metros, acima do mar) com fauna e flora próprias, um sóbrio Santuário mariano, várias grutas interessantes e dois simbólicos monumentos: ao papa Pio IX e, outro, em homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A Penha é um lugar ameníssimo, nos quentes dias de Verão, e tem um teleférico recente e moderno que transporta, rápidamente, os visitantes até ao cimo da montanha. Por outro lado, a cerca de 15 quilómetros de Guimarães, e pouco depois das Taipas, a Citânia de Briteiros, restos, reconstituídos em parte, do que foi um povoado primitivo (provavelmente datado de 200 ou 300 anos a. c.) que é o prolongamento prático do Museu Martins Sarmento. Foi, aliás, este arqueólogo vimaranense que descobriu a Citânia, e começou a pô-la a descoberto, em 1875. E os objectos, lá encontrados, constituem grande parte do acervo do Museu. Destaque para a estela funerária a que deram o nome de "Pedra Formosa", que é o ex-libris do Museu Martins Sarmento.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Limiar do Ano, pessoal, intransmissível


Os primeiros dias abrem, quase sempre, novas perspectivas, feito o balanço do ano anterior. Os novos amigos que vieram - e, na velhice, são raros, sobretudo quando mais novos -, os antigos amigos recuperados, aqueles que perdemos para sempre; e aquilo que realizamos de duradouro. Onde e como, estamos agora. E o que podemos fazer, a seguir. 2011 será, provavelmente, um ano cheio de reencontros, que ficaram robustecidos e consolidados no ano que passou. Um reencontro, que era dado como impossível, tornou-se, inesperadamente, real, em Maio passado. E Junho, aliás, foi um mês de ressurreições felizes. Gratíssimas, e uma, de sangue. Com a obrigação responsável, difícil de reestudar os passos, o ritmo e o caminho.
Astrologicamente, é absolutamente natural. Tudo o que foi importante, na minha vida, ocorreu maioritariamente, por volta ou pouco depois do meu aniversário - não vem nos livros de Astrologia, é da minha experiência pessoal e concreta.
Mas 2011 traz-me também preocupação. Antes de mais, Portugal, na sua identidade própria e independente, ameaçado. O degelo antecipado, num país distante, que ameaça um casal que estimo. Nem sempre a neve traz consigo a alegria, sobretudo, quando regressa à origem: voltar a ser água, principalmente, quando antes do que seria previsível.
Diria que o tempo climático, nestes últimos dois anos, voltou à regra da minha infância nortenha. Nuvens escuras, chuva intensa no Inverno, muito raramente, neve. Os verões regressaram também ao que tinham sido, habitualmente. Equilibrados no calor.
Creio que vi neve, pela primeira vez, quando tinha 6 ou 7 anos. Foi um deslumbramento, como só pode acontecer na infância. Com a pureza inteira da descoberta, com a alegria intensa de que só os verdes anos são capazes. Assim me lembro da primeira neve.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

1 ano de Arpose



Pois é, o Arpose completa hoje, 11 de Novembro de 2010, um ano. Nasceu um pouco à revelia do seu progenitor, a quem os oficiantes do parto (ms, no aspecto técnico, e HMJ, na vontade), de certo modo, contrariaram. Dei-lhe o nome, é certo, como fazem os pais quando vão à conservatória registar o nascimento do filho, ou da filha.
A ideia da imagem, para teste, de Georges de La Tour, também me pertenceu. Mas, de 11 de Novembro de 2009, ficou apenas um teste e o blogue aberto, e as palavras: boa noite! Só a 29 de Novembro lá pus o primeiro poste e, a partir daí o "rapaz" foi tomando balanço e crescendo... Fez-se à vida.
Por isso, hoje, reitero La Tour e acrescento-lhe a foto de alguém que, na altura do retrato, tinha também um ano.
O meu grato reconhecimento a HMJ e ms, afectuosamente.
Aos Amigos, conhecidos e visitantes, o meu obrigado, por acompanharem o Arpose.

domingo, 6 de junho de 2010

Aos Amigos mais antigos



Desta vez vim tratar com os vivos, em vez de vir tratar dos mortos. Alguns continuam vivos, e deram-me alegria, mas outros, frágeis, diminuidos, pareciam encaminhar-se já para a colina de silêncio de Atouguia. A esses tentei emprestar-lhes esperança, ternura e alegria. Mas não sei se consegui...