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sábado, 7 de setembro de 2024

Do que fui lendo por aí... 65



Com a habitual franqueza crua e desapiedada escrita, assim se pronuncia, a páginas 43 do Diário Selvagem, Luiz Pacheco (1925-2008) sobre os diários que ia lendo:

"Destes diários que li nas últimas semanas o mais aprazível foi o da BEATRIZ COSTA. Não é uma literata. Decerto não está à espera do prémio Nobel porque não se considera escritora. Mas Sem Papas na Língua tão-pouco revela travões na escrita. Fala de si, da sua vida, dos seus amantes com ALEGRIA.
Não é um engasgado, estilo Vergílio Ferreira. Ou um tipo que parece estar sempre com dores de barriga, enjoadinho, como o Alçada Baptista (terei de reler a Peregrinação Interior II deste, de que gostei muito na altura e ler a I que não me cheirou quando saiu). A Beatrizinha bate-os a todos. É ela. Fez melhor que o Solnado, o qual encarregou uma fulana de escrever. É ela."

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Lang e Tati


A meio termo entre Metropolis (1927), de F. Lang, e Há Festa na Aldeia (1951), de J. Tati, ficaria talvez a Aldeia da Roupa Branca (1939), de Chianca e Beatriz, que poderia ser o aeroporto Sá Carneiro, no Porto, por onde também passámos, antes de regressarmos a Lisboa, provenientes, desta vez, do Luxemburgo.
O aeroporto da capital do Grão-Ducado reconciliou-me com o mundo das viagens aéreas, pela sua pacatez e dimensão humana, pelo seu serviço simpático. Sobretudo, depois de passar pelo inferno sofisticado e kitsch de Frankfurt, que me lembrou Fritz Lang ou, à volta, pela canhestrice lusitana mal-educada e parola das tias tripeiras da TAP-Porto, no check-in.
Foram quase duas horas luxemburguesas de cidade de província, com todos os aconchegos felizes, essas que nos repousaram e robusteceram de esperança, humanidade e fé nos outros, enquanto esperávamos o avião que nos traria de novo para Portugal. A destoar, apenas um bando de jovens africanos, acantonados em local à parte, que pareciam esperar a deportação - mas o mundo não é perfeito, já o sabíamos.

sábado, 13 de julho de 2019

Em consequência do "rol"



Corrija-se, por uma questão de rigor, uma data, interrogada no poste anterior. O filme Aldeia da Roupa Branca foi realizado em 1938 e estreado no Cinema Tivoli, em Janeiro de 1939. O realizador Chianca de Garcia (1898-1983) teve colaboração, no argumento, de José Gomes Ferreira e Ramada Curto. A canção homónima, em que a palavra rol surge várias vezes, tem autoria de Raul Ferrão e Raul Portela. E aqui fica, na voz fresca de Beatriz Costa (1907-1996).

Róis


Rol, ou lista, queria eu dizer, se me referisse ao singular da palavra que serve para título deste poste. Francesismo que já Beatriz Costa usava numa canção ("... que a freguesa deu ao rol...") de um filme, Aldeia da Roupa Branca, dos anos 40 (?).
As listas servem bem os pressupostas da Silly Season, são ligeiras, permitem discordâncias, mas são também inclusivas e servem propósitos alargados de preferências. E lembram coisas e pessoas, para quem as quiser revisitar. Deparei-me com 2 róis, ultimamente.
Um do Expresso, elegendo 50 figuras influentes portuguesas, que não vou discutir. Outro rol, ou lista, saído de Le Monde, abordava 100 romances importantes do século XX. Relação que me pareceu muito mais exclusiva, parcial e ligeira. Desses, tinha eu lido apenas 16 obras.
A ausência de Camus pareceu-me uma injustiça clamorosa, sobretudo quando incluíram, no rol, Sartre (Les Mots) e, sobretudo, Françoise Sagan (Bonjour tristesse). Mas perdoei a Le Monde por ter repescado, em contrapartida, um grande romance dos anos 70 que devia estar esquecido de muita gente: Mars (1975), de Fritz Zorn (1944-1976).
Para alguma coisa havia de servir a silly season...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

À mesa


Julio Camba (1882-1962), nascido em Pontevedra, foi um conhecido jornalista, escritor e humorista espanhol. Ligado, na juventade, aos meios anarquistas, veio mais tarde a adoptar posições conservadoras. Era também um amante de boa comida e desde 1949, até à morte, residiu no Hotel Palace, em Madrid - um pouco como a nossa Beatriz Costa fez, no Tivoli. Da sua bibliografia consta o volume "La Casa de Lúculo o el Arte de Comer" (1929) onde aborda, com boa disposição e humor, temas gastronómicos muito diversos que vão desde a cozinha norte-americana aos vinhos franceses, da melhor forma de fritar linguados aos bons modos de comer à mesa, ou as regras do comer e dietas. Deste último capítulo se transcrevem alguns conselhos:

"Deve ter-se sempre um regime alimentar, uma dieta contra a obesidade, contra a arteriosclerose ou contra qualquer outra coisa, para quando nos derem alguma má comida, nos possamos escusar com o nosso regime. É a melhor política."
"Em contrapartida, quando nos oferecerem um comer excelente, o melhor é mandar a dieta dar uma volta. O supremo de qualquer regime é mesmo o prazer de o não cumprir."
"Se não soubermos descascar a fruta de modo elegante, podemos desculpar-nos com a teoria das vitaminas e comê-la com a pele."