Morrem cedo os que os deuses amam, teria escrito o grego Menandro. Verso que viria a ser glosado por Pessoa e Sena, mais tarde, mas que se poderia aplicar à grande violinista francesa Ginette Neveu, desaparecida com apenas 30 anos, num acidente de aviação ocorrido nos Açores, com um aparelho da Air France, quando muito havia ainda a esperar dela. Citei-a recentemente (22/7/2017) aqui no Blogue, na Pequena história (47). Nesse desastre, faleceu também o seu irmão Jean-Paul Neveu, músico de profissão igualmente, e o campeão de Boxe Marcel Cerdan (1916-1949), francês, que foi a grande paixão de Edith Piaf.
Aqui deixo um pequeno excerto de uma obra de Richard Strauss (1864-1949), interpretado, superiormente, por Ginette Neveu, acompanhada ao piano por Gustaf Beck.
Nota: por culpa minha, a inclusão de "Non, je ne regrette rien", na audição, arrasta outras canções, em sequência, apesar de não ser essa a minha intenção inicial. Embora Edith Piaf mereça ser ouvida...
Quando começou a ter carreira sólida, disseram que era a sucessora natural de Edith Piaf. Como, em Portugal, também disseram que Carlos Malheiro Dias seria o continuador de Eça de Queiroz. Estas comparações são sempre despropositadas, porque cada ser humano é sempre, e por si, um animal único em vias extinção. Seja como for Mireille Mathieu completa, hoje, 65 anos. E eu quis lembrá-la.
Perdoe-se a qualidade da gravação, em benefício do ar retro deste excerto do filme "Si Versailles m'etait conté" (1953), de Sacha Guitry. Neste ano do centenário da República Portuguesa.