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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Desabafo (21)


De quando eu era pequenino, tenho na memória alguns episódios pitorescos e ingénuos, que me fazem considerar, agora, ter sido uma criança imbuída de princípios que se poderiam considerar típicos - quando hoje os penso - de um defensor estrénuo dos fracos e oprimidos. Com essa atitude épica, muito cristã, cheguei a correr alguns perigos físicos, menores. Mas quem sabe o que é a prudência e a complacência, burguesas, na infância?
É certo, e com atenuantes com que agora me defendo, que eu já tinha lido O Quixote, numa versão resumida, e me tinha emocionado com O Orlando, de Ariosto, lido em quadradinhos. Por outro lado, eram tempos de Guerra Fria e de coboiadas, em que o Bem havia sempre de triunfar do Mal, por invenção ou intervenção divinas, ou de algum realizador americano de cinema. E as almas núbeis ficavam, tranquilamente, na paz dos deuses, ainda existentes. Porque, depois, chegaram o Nietzsche e o Sade à minha vida. Para não falar do Tarantino ou do Buñuel.
Porque, hoje, tenho já muito pouca paciência para pactuar com a imprevidência estúpida, a carneirada mental e com a burrice arrogante. Até mesmo para com a beleza pura, sem miolos. De alguns adultos.
Hoje, que é o  Dia Mundial da Criança.

sábado, 1 de junho de 2013

Pelo Dia Mundial da Criança


Pelos sinais do presente, é difícil augurar um futuro risonho às crianças que, hoje, o são.
Se Kathe Kollwitz (1867-1945) tinha razões para gravar, no tempo, estes filhos e filhas da guerra, hoje, Dia Mundial da Criança, os presságios de futuro não desenham motivos de optimismo claro. Hoje, como ontem, há países e senhores que as armam para a guerra, desde tenra idade; há quem as acantone em guetos sem horizonte, onde grassa a doença, o desespero, a fome e a sede. E onde nem sequer há espaço para o sonho, nem esperança de futuro. É por isso que tenho grande dificuldade, neste poste, em encontrar grandes motivos de alegria.