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domingo, 1 de maio de 2022

Ora, aqui há 60 anos...



... Contava  Luiz Pacheco (no blogue Esplanar, e posteriormente no livro O Crocodilo que voa: entrevistas a Luiz Pacheco, de João Pedro George [Tinta da China, pgs. 214/5] o seguinte:

"Era um 1º de Maio (1962). Havia uma manifestação muito grande em Lisboa... havia greve, talvez... opá houve mortos e tudo, houve polícias que foram parar dentro do lago do Rossio... aquilo foi a sério... foi a primeira manifestação a sério que houve em Lisboa... foi a primeira vez que apareceram carros de água com metilene para marcar as pessoas, tinta que não saía... eles aí apanharam muita porrada, na rua da Madalena, no Largo da Anunciada... então a malta do Gelo, estava lá o Virgílio Martinho, que disse: «O que é que a gente veio cá fazer?» Respondi-lhe: «Então a gente veio cá mostrar o casaco... dar porrada? o que é que se pode vir a fazer...» e de facto estivemos no dia 1 de Maio muito sossegados. Eu sentei-me num cantinho, [...]"

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Palavras atrás...


Aqui há 45 anos atrás, eu ia ficando em jejum - estava tudo fechado. Eu e um meu amigo, só por milagre encontrámos 2 sandes ressessas, num café de um  foyer de um cinema, para mitigar a fome. Viviam-se os tempos idealistas do 25 de Abril, na sua forma mais pura e dura, sem transigências.
Neste ano da graça de 2019, tudo está mais relaxado e permissivo. Tirando as palavras corajosas do actual Bispo do Porto e o tímido anúncio de greve, para o 1 de Maio, nas grandes superfícies, a data parecia um mero domingo, pela quantidade de lojas abertas em que poderíamos exercitar a nossa gula de consumo. Em passeio estival, de tarde, passei por "dois sítios do costume", atulhados de clientes.
Qual greve, qual carapuça! Nem na primavera marcelista, que me veio à memória. Luta de classes? Só por miopia.
E, no entanto, as palavras de Louçã, aqui há uns dias (19/4/2019), no Expresso (que encimam este poste), têm toda a razão de ser. Só que os indignados de hoje refastelaram-se na comodidade de baixarem a cerviz e pactuarem, cobardamente, com a sua vidinha e o seu exíguo salário mínimo, ainda que precário. Claro que assim não vamos a lado nenhum. De melhor.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Adagiário CXXIX : Maio (4)


1. Em Maio, o rafeiro é galgo.
2. Sáveis em Maio, maleitas todo o ano.
3. Pela Ascenção, coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
4. Viva o Maio carambola, que ele vai jogando a bola.

terça-feira, 1 de maio de 2012

1º de Maio


Há qualquer coisa de rude, áspero e naïf que a sensibilidade sofisticada quase rejeita, como coisa não sua, nos murais de Orozco (1883-1949) e Diego Rivera (1886-1957), ou que os estudiosos consideram quase uma arte primitiva. Os académicos raramente falam deles porque, decerto, a sua estética subiu a outros patamares. Mais altos ou etéreos, onde o povinho não entra. Também falam pouco de Alfaro Siqueiros (1896-1974), em imagem deste poste, porque, no fundo, é da mesma família...
Os direitos dos trabalhadores foram conquistados, penosamente, através de lutas, persistência, prisões, mortes, enormes sacrifícios, e muito lentamente, a partir do séc. XIX. Também em Portugal e, por isso, este dia é uma festa que celebra a alegria, mas também o longo sacrifício que lhe deu origem. Posso afirmar por mim, convictamente que, neste ano da graça de 2012, os trabalhadores, de um modo geral, têm menos direitos e garantias do que tinham em 1972, ou seja, há 40 anos. A "viradeira" foi rápida.
Assim faz sentido eu ter usado, para imagem do poste, este pormenor dum mural de Siqueiros, porque quase se voltou à estaca zero. E é preciso recomeçar...