Mostrar mensagens com a etiqueta Castas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Castas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Castas


Famílias há, em que as vocações se perpetuam, um pouco por devoção atávica, conveniência ou por hábito acomodatício. Até, quem sabe, por adaptação genética, inexplicável. Assim acontece, por exemplo, na sucessão de escritórios de advogados, consultórios médicos em que as gerações se eternizam, como que num determinismo inexorável e previsto. O mesmo acontece com muitas famílias políticas: Kennedy, Papandreou, Gandhi (Nehru), Soares... Apesar de tudo, nestas dinastias, referidas atrás, haverá sempre algum risco possível ou, nalguns casos, a ousadia e ambição de ir mais longe do que os antecessores - embora nem sempre bem sucedidas, nem isentas de algum perigo de carreira.
Mas dei-me conta, ao longo da leitura de um livro do embaixador Marcello Duarte Mathias (Diário da Índia - 1993-1997), como a casta de diplomatas - que quase nada arrisca - ao longo de gerações tem, quase sempre, o futuro assegurado, colhendo, por educação, mimetismo e contactos privilegiados, os lugares que os seus antecessores também tiveram, no passado, sem dificuldades de maior. Bastará, apenas, prudência, gradual adaptação a novos regimes políticos, camaleonismo e alguma inteligência no saber viver, em altas esferas.
E é curioso como o único embaixador, que sai "fora do baralho", porque não pertencendo, por família, à casta dos intocáveis, de nome Fernando Castro Brandão - que, por acaso, eu conheci, ainda jovem universitário - é, também, o único que é beliscado, diplomaticamente, por M. Mathias, como sendo "trocista e truculento" (pg. 300).
Creio que está tudo dito...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mercearias Finas 68 : A casta Jaen, a elegância e os vinhos do Dão


Não se peça, a um vinho do Dão, exuberância ou força excessiva - que ele, naturalmente, não a pode dar, na maior parte dos anos. Mas exija-se-lhe, se ele for de qualidade, elegância, equilíbrio e longevidade, que tudo isso é da sua natureza. Os brancos, por causa da casta Encruzado, com alguma idade, quase ficam perfumados, levemente untuosos, abençoados por aromas difíceis de explicar. E, os tintos, quase podem chegar à perfeição difícil de entre o terreno e divino (aéreo, pelos aromas) - perdoe-se-me este arroubo enológico de quem é um fã entusiasta da região demarcada do Dão.
Tenho a convicção entranhada de que a Jaen é a casta maioritariamente responsável pelo nobre envelhecimento, apoiada na fortaleza da Touriga e da Tinta Roriz. A casta, cujo nome levaria a pensar que é castelhana, segundo os especialistas, é mesmo autóctone portuguesa. Detractores aventam que foram os peregrinos, no regresso de Santiago de Compostela, que a trouxeram, mas contrargumentam os estudiosos que foi precisamente ao contrário. Terá ido, de cá, para lá, pois, na Galiza, a casta Mencia têm algumas características semelhantes à Jaen.
Dizem os entendidos que a Jaen produz bem e amadurece cedo, embora resista mal ao oídio. Dá muita cor aos vinhos (o rubi habitual do vinho do Dão), embora tenha baixos índices de acidez. Precisa da companhia da Touriga Nacional e da Tinta Roriz, para ganhar confiança e força, pelo tempo de guarda. Mas, na minha ingenuidade de amador, eu acredito, piamente, que ela é responsável pela elegância inconfundível dos tintos do Dão. E que assim seja!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Recomendado : vinte e cinco - castas, e um vinho do Dão


Os vinhos tintos clássicos e antigos do Dão eram feitos, na sua maioria, com as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen ("Grão-Vasco", "Terras Altas", "Painel"...). Algumas marcas ("Porta dos Cavaleiros", " Meia Encosta") acrescentavam Alfrocheiro, ao lote. Muito poucas, incluíam o Rufete. Nos anos 80, do século passado, a marca "Quinta das Maias" começou a juntar-lhe uvas da casta Tinta Amarela, também existente na região demarcada do Douro, que conferiu ao seu vinho do Dão uma personalidade muito própria e um sabor singular, muito apreciável. Mas, resumindo, na minha modesta opinião e gosto, o Jaen sublinha a elegância e, o Alfrocheiro, a força de que os vinhos do Dão, com Touriga Nacional e Tinta Roriz,  já não necessitam. Com o Alfrocheiro ou o Rufete, os vinhos quase se assemelham aos do Douro, mais escuros na cor, mais pujantes e carregados, mas menos elegantes, como é o caso do Dão "Quinta de Cabriz", colheita seleccionada.
Aqui, devo confessar que sou um purista conservador - mea culpa! Grande apreciador, como sou, dos vinhos da região demarcada do Dão, os vinhos que prefiro são os lotados, como antigamente: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen. Abro uma excepção para o "Vinha Paz", pela sua sempre excelente qualidade e que, às três anteriores castas, acrescenta o Alfrocheiro.
Por isso, subjectivamente, embora tendo em conta o binómio (importante, hoje em dia) preço/qualidade, recomendo vivamente este Dão tinto "Monte do Amante", Reserva 2006 (Vinícola de Nelas),  com as minhas 3 castas predilectas, e os seus 13º macios e elegantes. Esqueçam o rótulo desajeitado, esqueçam o nome foleiro com que o crismaram, e provem-no. Podem encontrá-lo nalgumas médias e grandes superfícies, a preços que oscilam entre 2,60 e 3,10 euros. Creio que vão gostar. Acrescento que o vinho me parece estar no seu ponto mais alto, muito embora ache que pode aguentar mais 1 ou 2 anos, e beber-se, ainda, com agrado. Bom proveito!