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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Pinacoteca Pessoal 161


Alemão de origem judia, o pintor Felix Nussbaum (1904-1944) chegou a ter grande sucesso público nos anos 20 e início dos 30 do século passado, até que a ascensão do nazismo, em 1933, determinou a sua fuga, com a mulher, pela Itália, Bélgica e França. Vindo a ser preso pelas autoridades de Vichy.


A fase inicial da sua obra, entre o expressionismo e o surrealismo, parece incorporar ténues influências de Chagall e Chirico, para gradualmente vir a assumir uma personalidade própria que culmina na tensão dramática dos seus últimos quadros, pintados no campo de concentração de Auschwitz, onde veio a ser assassinado em Agosto de 1944.



O auto-retrato, em imagem inicial, é de 1943 e representa o pintor exibindo o seu bilhete de identidade de judeu. A penúltima tela (Triunfo da Morte) e a final, com uma cena de Auschwitz, são quadros pintados no último ano da sua vida (1944).

terça-feira, 30 de julho de 2019

Pinacoteca Pessoal 153


Nascido a 5 de Março de 1938, em Montpellier, a obra do pintor francês Vincent Bioulès, sobretudo a partir de 1970, por um seu lado, que eu chamaria camaleónico, tem o condão de me parecer convocar outros nomes de pintores do passado, numa assimilação actualizada de técnicas e estilos, alheios. Vêm-me à ideia, ao ver as suas telas singulares e aparentemente ingénuas, os nomes de Seurat, Dufy e até mesmo Chirico. E fico-me por aqui, para não parecer excessivo e injusto...


Em 1970, Bioulès abandonou definitivamente a abstracção, iniciando uma nova fase de arte figurativa e, em conjunto com um grupo de artistas, fundou o grupo Support/Surfaces. Em 1982, integrou a Escola de Belas Artes de Nîmes como professor.
A sua obra desdobra-se sobretudo em motivos paisagísticos e retratos. Mas a arquitectura também aflora algumas das suas telas como fonte inspiradora.


E é por aqui que me lembro de Chirico...


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (116)


Quem frequenta o Arpose, já se terá apercebido decerto que eu privilegio a fotografia a preto e branco, muito embora não exclua, totalmente, a iconografia a cores quando a qualidade o merece e justifica.



Será o caso da obra excepcional do fotógrafo italiano Luigi Ghirri (1943-1992), que teve vida breve, porque o coração o atraiçoou muito cedo, embora a revista Life tenha dado por ele, ainda a tempo da sua colaboração.



Nas suas fotografias, Ghirri parece ter arredado tudo aquilo que seria supérfluo, fixando apenas o essencial da beleza, claridade e da geometria. Talvez seja por isso que eu tenho grande dificuldade em falar das suas fotos. E apenas me apeteça dizer que as suas imagens me convocam, por associação inesperada, alguns quadros de Hopper, Morandi e Chirico, muitas vezes.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

De Chirico e de uma sua frase, algumas incidências


Das óbvias, iniciais empatias dos meus primeiros anos (Botticelli, Da Vinci, Fra Angelico...), na descoberta da Pintura, retenho o entusiasmo, no final da juventude, que me despertaram algumas obras de Giorgio Chirico (1888-1978). De tal maneira, que me levaram a copiar, de forma inábil e autodidáctica, alguns quadros do pintor de origem grega. Um dos quais aqui deixo em imagem, e que tem por título Enigma da Partida.
Do seu breve namoro com o Surrealismo, pouco se fala, até porque, aceite complacentemente por Breton, dessa Escola em breve foi excluído ao abandonar a França, por Itália, onde inicia, como pioneiro, aquela que ainda hoje se denomina por Pintura Metafísica. E que os surrealistas achavam excessivamente clássica. Data de 1919 o seu livro Da Arte Metafísica, manual teórico do seu ofício, de que me importa destacar um conceito. Assim:
"Cada objecto tem dois aspectos: o mais comum que é percebido pelos homens, em geral; e o outro, espectral e metafísico, que é apenas pressentido por alguns raros indivíduos, em momentos de clarividência e de abstracção metafísica."

domingo, 12 de julho de 2015

Pinacoteca Pessoal 98


Rigoroso realismo de traço, técnica apurada, notável sobriedade linear e uma claridade geométrica e solar definem, de algum modo, os quadros singulares do italiano Antonio Donghi (1897-1963), pintor cuja obra conheci há muito pouco tempo. Mas que me despertou imediata simpatia estética e admiração. Há, na minha opinião modesta, um tímido surrealismo que o aproxima, ainda que ligeiramente, de Magritte, mas também da metafísica pictórica de um Chirico, mais rigorosa, em Donghi, pela claridade que ilumina as suas telas.
Um Auto-retrato, de 1942, encima o presente poste. Bem como o quadro Carnaval (1923) e um retrato de jovem, sentada, no Café (1932), que completam esta pequena mostra, que aqui deixo, em partilha cúmplice.


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pinacoteca Pessoal 92


Wilhelm Albert Wlodzimierz Apolinary, nascido em Itália, com ascendência báltica e polaca, usou em França, como artista e poeta, o nome de Guillaume Apollinaire (1880-1918). Embora com vida breve, exerceu notável influência na avant-garde parisiense da sua época. No grande número de seus amigos, contavam-se vários pintores: Picasso, Max Jacob, Rousseau... Daí, talvez, a sua iconografia ser abundante.
Escolhi, em sequência cronológica, os seus retratos pintados por Jean Metzinger (1910), Chirico, em 1914, e um desenho de Modigliani (italiano como Apollinaire), datado de 1915.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pinacoteca Pessoal 52 : Kazimir Malevich


Na obra multifacetada de Kazimir Malevich (1879-1935), nascido em Kiev, que serviu, também, os ditames da propaganda estalinista da época, cruzam-se variadas influências que vão do expressionismo alemão ao cubismo francês. Teórico da modernidade, pioneiro eslavo da arte abstracta, na sua obra há premonições e caminhos abertos de futuro. Foz de muitos rios, as suas pinturas parecem convocar reflexos de Léger, a geometria de Braque ou o mistério de algumas telas de Chirico.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Sobre Poesia, em geral, e Antonio Machado, em particular

Donde vêm os poemas? Se eu tivesse que dar uma resposta simples, diria que são provocados por um conflito interior que procura um equilíbrio exterior; que resultam do desejo humano de perpetuar um momento ou, nebulosamente, de uma violência íntima que exige expressão concreta. E do desejo, na sua forma mais ampla. Seja como for, os temas matriciais ou arquétipos com que se exprime um poema, não serão muitos e penso que os cinco dedos de uma mão chegarão para contá-los. Não os vou referir.
Há pouco mais de dois anos e meio (6/2/2010), traduzi para o amigo blogue Prosimetron um poema, de que gosto muito pela simplicidade aparente, de Antonio Machado (1875-1939). Tentei, cumulativamente, traçar uma explicação pessoal para o desenvolvimento criativo da poesia, assim: a Torre seria a Giralda (Sevilha), a dama seria Leonor Izquierdo (mulher do poeta, que morreu muito jovem), e o cavaleiro seria a Morte. Esqueci-me de referir, na altura, o peso da tradição, ou seja, o que fica do que passa.
Recentemente, tive conhecimento de uma canção sefardita, castelhana, do séc. XII, onde os genes do poema de Antonio Machado se podem, quase todos, encontrar. Não sei se o Poeta a conhecia. A canção está, aqui, num poste de 19/9/2012, e chama-se: En la mar hay una torre. Se substituirmos a dama pela pomba (paloma), a praça pelo mar e o cavaleiro pelo marinheiro, a sobreposição do tema é evidente. Porque, também, o desejo, instintos e preocupações do Homem se perpetuam, interminavelmente...
Segue o poema traduzido, de Antonio Machado, para cotejo:

A praça tem uma torre,
a torre tem um balcão,
o balcão tem uma dama, 
a dama uma branca flor.
Passou lá um cavaleiro
- quem sabe porque passou! -
e levou consigo a praça,
com sua torre e balcão,
com o balcão e a dama,
a dama e a branca flor.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pinacoteca Pessoal 30 : Paul Nash




É um pintor inglês de que conheci algumas obras, em anos recentes, mas de que gostei. Paul Nash (1889-1946) que combateu em Ypres, na I Grande Guerra, é um artista interventivo, pacifista, mas que pintou a paz e a ruína que a guerra produz. Paisagista, também. Surrealista, q. b., terá sido influenciado quer pela poesia, quer pela obra gravada de William Blake. Mas alguns quadros dele lembram, também, um Magritte, outras vezes, Chirico, embora com um traço pessoal mais cuidado. É uma obra que vale a pena "visitar", com vagar e atenção. Passa, hoje, mais um aniversário sobre o seu nascimento e era a altura certa para o lembrar.

domingo, 20 de novembro de 2011

"A incerteza do poeta" de Giorgio de Chirico


Giorgio de Chirico (1888-1978) é um dos meus pintores de referência. Já constou da rubrica Pinacoteca Pessoal 10 (de 21/4/2011), e foi presença em mais 3 postes deste Blogue. O artista, de ascendência grega, morreu em Roma, a 20/11/1978, tendo sido o elemento preponderante da pintura dita "metafísica", que deixou o caminho aberto para o surrealismo.
O quadro, em imagem, intitulado "A incerteza do poeta", pintado em 1913 e pertencente à Tate Gallery, de Londres, é um dos mais desconcertantes do Pintor, pela junção muito diversa dos motivos, cada um com a sua carga simbólica. O torso sugerindo a personificação humana, o cacho de bananas introduzindo o exotismo, e o comboio, ao longe, a viagem. E, do lado direito, a negra ameaça das arcadas anoitecidas.
É este permitir de especulações imaginativas que eu aprecio sobremaneira em Giorgio de Chirico.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Pinacoteca Pessoal 10 : Giorgio de Chirico







O pintor grego, de origem e ascendência, Giorgio de Chirico nasceu na Tessália, a 10 de Julho de 1888 e morreu em Roma, a 20 de Novembro de 1978. É, com Carlo Carrà, fundador da escola de pintura dita "Metafísica". Amigo de Picasso e de Apollinaire, de quem fez um retrato (em imagem) premonitório, a obra de Chirico apresenta 3 fases evolutivas. Uma mais despojada, onírica, surrealista na forma como associa elementos muito díspares que provocam perplexidade ou sugestões inexplicáveis a quem os vê; a segunda fase é mais geométrica, de linhas arquitecturais clássicas que excluem quase sempre as figuras humanas ou que as representam em cavaletes ou como meros manequins ou estátuas. Na terceira fase, em que também executa cenários para o "Ballet de Monte-Carlo", voltam a surgir figuras humanas, cavalos e gladiadores. O Pintor publicou também um roman-rêve intitulado " Hebdomeros", em 1929. O 2º quadro deste poste, em imagem, denomina-se "O regresso de Ulisses". Escusado seria dizer que Giorgio de Chirico é, de há muito, um dos meus pintores predilectos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Fascínios


Há frases, poemas e versos, por vezes, que nos tocam mais de perto. Mas, em muitos casos, não sabemos explicar, devida e concretamente, porquê. E nem isso é o mais importante: fazem-nos companhia e, algumas vezes, ficam connosco. Talvez porque abrem para horizontes desconhecidos, tocam qualquer coisa de profundo ou produzem um eco indefinido em nós - um fascínio misterioso. Poderá ser "O sol é grande, caem co'a calma as aves..." de Sá de Miranda, o início do soneto de Pessanha: "Floriram por engano as rosas bravas..."; ou ainda, de Nemésio: "Pus-me a contar os alciões chegados..." de um poema todo ele nebuloso. Poderia referir ainda um soneto de Quevedo, ou o início musical de uma obra de Wordsworth ("Five years have passed, five summers with the length/ of five long winters, and again I hear..."). E falo disto, porque, embora ande comigo há muito, cruzou-se, hoje, de forma impressa, comigo, uma quadra de um soneto de António Machado, de que gosto particularmente. Ei-la, em tradução livre:

"Ao velho álamo fendido pelo raio

e por metade apodrecido,

com as chuvas de abril e o sol de maio

algumas folhas verdes lhe nasceram..."

sábado, 31 de julho de 2010

Juvenília (8, e último)


Partida


Não entremos no mais denso
desta lágrima,

nem do futuro se pergunte
a continuidade.

Há um tempo de partida
para que a obra fique

no poema e no amor, na vida.


(set./out.1966-jul.2010)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Fernando Echevarría


Fernando Echevarría (1929) não é um poeta fácil. Muito menos para ler muito depressa. Há que pensar, saboreando, em cada verso a sequência que vai abrindo até ao interior de nós mesmos. Sem pressa alguma. Até despertar um eco de entendimento gradual.
Do poeta e do livro "Epifanias"(2006), transcreve-se "Oração para antes do estudo":
Dai-nos, Senhor, um coração humilde.
A inteligência de aceitar agora
que só a si o estudo se ilumine
e nele se esqueça o estudante. A cópia
do que estudarmos em nós viva, a fim de
que apenas o estudado seja porta.
E luz aberta por onde entrem livres
aqueles cuja alegria é obra
de compenetração que, sem limites,
se entrega. Fica com seu dentro fora.
Ilumina, Senhor, a inteligência de ir-se
esquecendo cada qual no que se mostra.