De há um tempo a esta parte, algumas pequenas arribas outrabandistas começaram a ser trabalhadas, quero eu dizer: cavadas e semeadas. Lembram, minimalistas, as margens alcantiladas, em socalcos, do Douro. E estas bermas da estrada, a sul do Tejo, com a Primavera começaram a ficar verdes pelas couves progredindo, a folhagem das favas, os tomateiros ainda insípidos, as alfaces...
Estas pequenas hortas, subtraídas ao poder autárquico que as deixava maninhas, dão um ar útil e pragmático à terra até então desocupada e inútil. As courelas diminutas são trabalhadas, sobretudo, por mulheres africanas, no seu labor sacrificado de horas livres. São raros os homens, são poucos os brancos a aproveitar estas leiras fecundas que o progresso foi inutilizando. Mas, como dizia Garrett, "a necessidade pode muito".