Mostrar mensagens com a etiqueta Areia Branca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Areia Branca. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Levar connosco


Dispensava, de todo, a arrebicada estátua de S. Pedro, inclinado grotescamente pelo vento, que plantaram, em dias recentes, no adro da igreja homónima, de Torres Vedras. Mas dela levaria o formoso portal manuelino, que resistiu aos séculos.
E, depois, estas Berlengas azúis e irreais, tão raramente descobertas e nítidas, assim, no horizonte.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Deambulações a Oeste


Nem sanjoaninas, nem de S. Pedro, as orvalhadas vieram refrescar esta manhã os campos e o ar, com um atraso considerável, mas bem-vindo.
Numa casa estranha, embora amiga, o mais difícil é o misturar das águas, na temperatura certa, e a aprendizagem situada e local dos interruptores, sobretudo pelos corredores da noite, se nos levantarmos. Daí, às vezes, sonharmos com eles, em aflição irreal.
Mas também, pela casa, nos surpreende a solução inteligente de algumas coisas, o conforto de medidas tomadas, a justificação lógica de sequências, nos arrumos domésticos, diferentes dos nossos, que também teriam sido pensados.
Não lhes estranhamos a falta porque,  por aqui, arrulha um casal de rolas, semelhante ao outrabandista.
E, depois, o mar acerta tudo, pela medida grande.


para quem de direito, afectuosamente.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Divagações 112


...Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..., como disse Pessanha, a que eu ajuntaria pequenos juncos que vieram dos canaviais das margens do Sizandro, arrumar-se em cónicos e breves montículos na pequena praia de escassas areias, porque estava maré cheia. Dois ou três jovens pardais, da cor da fuligem, saltitavam e debicavam nessas breves colinas de lixo natural, em busca de não sei o quê.
O Sol declinava. À distância, parecia estar apenas a um metro da altura das águas e iluminava nuvens que iam do sulfúreo ao cinzento, passando por um róseo e um ainda mais escasso azul, tímidos. No pequeno bar-restaurante, meia dúzia de estrangeiros jantavam e nós bebíamos café. Um velho lobo do mar encostava-se ao balcão e beberricava um copo de tinto. Ciclicamente, olhava para trás, em direcção ao pôr-do-sol. E entoava, baixo, uma cantilena.
A uma sibilina pergunta da empregada do balcão, respondeu, alto: "Estou a ver se, desta vez, vejo o raio verde!"
E foi aí que eu me lembrei do meu Pai e de Júlio Verne...

quarta-feira, 11 de maio de 2016

To be or not to be


Só um grande amigo nos pode pôr perante tamanha perplexidade. Por entre as areias brancas e um delicioso Queijo de Azeitão, à sobremesa, apesar da chuva que caiu toda a manhã. Para além dos gatos, da vizinha abusiva, que se passeiam, soltos e insolentes, saltitando de varanda em varanda...
Face ao dilema shakespereano, bastou lembrar-me do dito minhoto ( "Antes faça mal, do que fique...") - acabámos todos a provar dos dois...




um cordial abraço a H. N.. Com múltiplos agradecimentos...

domingo, 10 de abril de 2016

Estado do mar


Carregado, borrascoso e com carneirinhos agressivos ao longe. Mas que não chegam às Berlengas, envoltas num halo vago de penumbra.
O vento estende uma toalha branca de espuma até à praia. Em planos altos de cinco vagas rítmicas constantes. Nem os surfistas se servem...

Nota: a foto não é do dia de hoje.

domingo, 11 de outubro de 2015

Divagações 98


Não tendo a espectacularidade dos tsunami, as marés vivas também ocorrem no mar, ciclicamente, pela oposição gravitacional que se estabelece, de tempos a tempos, entre o Sol e a Lua e a sua influência na Terra. O fenómeno tem o seu equivalente, oposto, nas chamadas marés mortas que raramente são referidas e que resultam numa aparente neutralidade ou harmonia das águas marítimas. A que damos pouquíssima importância. Ou que nem sequer notamos.
Lembro-me de as observar, às primeiras, quase sempre em finais de Agosto, nos meus tempos de juventude, no mar da Póvoa. O fenómeno, em si, despertava-me sempre desencontradas emoções de alegria, espanto e medo. Medo que, no entanto, não me impedia, pelo gosto do risco e aventura, de me lançar nas ondas furiosas do Atlântico, para ser arrastado, violentamente, quase até às barracas da praia, numa voragem vertiginosa e célere.
Pois voltei a vê-las ontem, às marés vivas, na praia da Areia Branca, pelo Oeste. E, desta vez, interpretei aquele ronco cavo e selvagem, como se fosse a cólera do mar que se expressava num enorme desagrado destruidor sobre a terra e suas gentes. Também me lembrei que o recente, trágico naufrágio na Figueira da Foz teve, de algum modo, origem nessa fúria natural do mar...

terça-feira, 13 de maio de 2014

O estado do mar


O passado é uma história que nos contam: como na ficção, podemos acreditar, ou não...
O mar da Areia Branca, ontem, estava ligeiramente picado e com muitos "carneirinhos", mesmo ao longe. Três pequenos (?) barcos distantes vinham de norte para sul, talvez na faina da pesca, e não havia surfistas a praticar a sua actividade desportiva. Cinco banhistas, dos quais 3 tomaram banho apesar do vento forte e frio, ocupavam a praia deserta, abrigando-se junto ao pequeno muro, a norte.
Mas o que mais singulariza este mar da Areia Branca é a sua cor. De um azul cobalto carregado, que talvez só tenha paralelo em postais dos anos 50, com cores excessivamente fortes e irreais. Quase não dá para crer. Ao pé dele, o mar da Arrábida pareceria retintamente verde alface ou, quando muito, azul bebé...

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Em louvor da Areia Branca


O cacimbo e a neblina, hoje, não deixam ver as Berlengas. Também o oceano forma apenas quatro linhas de espuma branca, em ondas paralelas e sucessivas, que vêm tornar-se cinzentas, na miscigenação da praia matinal e deserta.
Das terras pequenas se retém a comodidade das pequenas casas: tudo está à mão. Padaria, mercado, correio, café, jornais, é quase só atravessar a rua. Se a isto acrescentarmos, ainda, a visão do mar, a perder de vista, em amplo horizonte, perfaz-se o encanto singular.
Porque também os avios são gentis (embora nem sempre muito rápidos), quem atende, sorri, e quase agradece a visita. As gentes da terra dão o seu melhor, honrando quem entra ou fica, por alguns dias. E na papelaria, que ao mesmo tempo serve de mini-mercado, livraria e quiosque, podemos encontrar algumas coisas desaparecidas de outros lugares: livros esgotados, vinhos velhos bem amadurecidos, postais desenquadrados no tempo, artesanato original...
E, se as roupas que os habitantes usam são modernas e actuais, tudo o resto, das vivendas às placas toponímicas, tem o sabor tranquilo do princípio do mundo ou de um tempo perdido para sempre, na memória, e que volta à tona, num ressurgimento inesperado.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Miscelânea de Oeste


Entre a diligente Marta que serpenteia por entre as mesas, para nos servir, e as 5/6 ondas sucessivas e paralelas que, suavemente, morrem na praia, interminavelmente, vou olhando as Berlengas ao longe, fixas como cachalotes antigos incrustados no mar. A praia vai deserta e limpa com o vento ligeiro de Maio, que alisou a areia sobre as rochas invisíveis.
Do sono me desperta um telefonema nimbado de desespero, que me pede conselho. A voz amiga, a quem não pagam o trabalho extra, há já dois meses, pergunta-me o que deve fazer. E eu, mal desperto, dificilmente consigo atinar uma resposta que não seja violenta, face a tal injustiça. Mundo cão, este, em que nem sequer há hombridade para ensaiar uma explicação humana, perante quem precisa de trabalhar diariamente para o seu sustento.
Volto-me para o inefável, das altas esferas, através do livro (Marcello Duarte Mathias, Diário da Índia, 2004) que mão amiga me deixou pousado sobre a mesa, na casa emprestada:
"...Gisbert narra que a inimizade entre Mittérrand e Rocard levou o primeiro a estabelecer uma lista de possíveis presidenciáveis em que Rocard aparece em sexta posição, logo a seguir ao cão de Mittérrand situado, esse, em quinto lugar.
A este propósito, a Helena Vaz da Silva contava-nos ontem ao jantar que Cavaco, instado a responder nos mesmos moldes, havia esclarecido: «No meu caso, teria de colocar o meu cão mais acima!» "(pg. 58)
Sem dúvida, que outros mundos caninos, mas a mesma desumanidade...

domingo, 22 de setembro de 2013

Divagações 56


A visão do mar leva-me, quase sempre, para longe.
Os naufrágios de família que, às vezes, sepultamos sob escombros, inesperadamente e sem querermos, podem voltar à tona.
Nesta incomodidade, é talvez útil reavaliarmos o peso, a justeza de decisões que foram tomadas, as consequências. Embora saibamos, de alma, que já não podemos mais voltar atrás.
Depois, com racional crueza, é melhor fecharmos, outra vez, a porta do porão no navio submerso.

para H. e H. N., afectuosamente.

sábado, 16 de outubro de 2010

Areia Branca


Sempre gostei das praias no Outono. A areia sem lixo, imaculada de pegadas e limpa pelas recentes marés vivas. A soada tranquila e ritmada do bater das ondas e o espaço livre, para norte e para sul, no areal. No mar, três surfistas tentavam a sua sorte num ondular quase sem vento. Só a meio da tarde se descobriram as Berlengas que, ao longe, pareciam uma gigantesca baleia e, à frente ou à direita, a silhueta de um pequeno cachalote, pousados ao fundo, no horizonte. Estava assim a Areia Branca "posta em sossego" nestes idos de Outubro.
Depois H. mostrou-me a fotografia, que lá tinha comprado e que lhe disseram ser do início de época balnear (Julho?, anos 50?). O cenário é árido e despido, nesta antiga Areia Branca, quase circunspecta, quebrada apenas pela diagonal de 3 ninfetas reclinadas, uma fingindo(?) que lê, e as duas restantes desafiando o fotógrafo, com o seu sorriso juvenil.

P.S.: para H.N., com agradecimentos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mercearias Finas 15 : Quinta da Murta, Bucelas



O destino final era a Areia Branca, onde iamos almoçar com H. N. e Esposa, mas fizemos um ligeiro desvio, por Bucelas (a do "vinho do Charneco" de que falam crónicas antigas) para visitarmos a Quinta da Murta. Na altura, o "Quinta da Murta", branco, era o meu Bucelas preferido, feito de puro Arinto. Uns anos, limonado, outras colheitas, de sabor mais mineral, quase seco. Na região demarcada, o topo de gama continuava a ser o "Morgado de Sta. Catherina" que, no entanto, sempre achei um pouco doce demais e oleoso, para o meu gosto. Vai, porém a jeito, com uma boa "Encharcada" ou um "Pudim do Abade de Priscos" - feito como manda a lei minhota, e o dito Abade de ali para as bandas de Vila Verde.
Antes, e eu que sou um fã incondicional do Arinto, em Bucelas - quando bem feito ombreia, em pleno, com os melhores "Riesling's" renanos ou do Mosela - ,dizia eu, habituara-me ao "Prova Régia" que cumpria em qualidade e preço, e muitas vezes, em gosto e sabor. Mas quando provei o primeiro "Quinta da Murta" (de 2001), fiquei conquistado e cliente. E o rótulo, com desenhos de azulejos portugueses, era uma lindeza tamanha!
Lá chegamos à Quinta e à fala com Francisco Castelo Branco, cavalheiro simples, urbano e simpático. Na sala de venda e provas víamos o sol iluminando uns socalcos altos de vinha que lembravam o Douro vinhateiro ou o Ahr alcantilado (Pfalz, Alemanha). Castelo Branco disse-nos que começaria a vindima na segunda-feira seguinte (estavamos no primeiro sábado de Setembro desse ano). Choveu na segunda-feira seguinte e nunca soube se ele a teria iniciado, como tinha previsto. Compramos espumante e o "Quinta da Murta" normal. O produtor de Bucelas ofereceu-nos 2 garrafas do "Reserva", estagiado em casco de carvalho - bem bom.
Na Areia Branca, que estava linda embora um pouco ventosa, deixamos a H. N. duas garrafas do Bucelas, normal, para ele se deliciar, com a família. Creio que almocei nesse dia uma dourada atlântica (nada de aviários aquáticos!). Aliás, todos comemos peixe, todo ele fresco e bem grelhado. E muito saboroso. Demos uma volta à beira-mar e até conseguimos adivinhar as Berlengas, ao longe. Despedimo-nos, e lá trouxemos o "Quinta da Murta" para Lisboa. Para pousar, mas por pouco tempo...
P.S.: para H.N., com Amigo abraço, desejando rápido restabelecimento.