Ao que dizem alguns estudiosos, na pintura italiana do Renascimento predominavam as cores suaves, mais claras ou esbatidas do que aquelas que alguns restauros, posteriores, vieram a acentuar para a modernidade. Por outro lado, e ao que parece, nas obras escritas da Antiguidade clássica, o azul não era usado para caracterizar o céu. E será que o azul existiria, como cor e palavra, nessa época? Homero refere, sim, a "aurora dos dedos róseos".
O branco sempre foi considerado. E adquire preponderância em pessoas tão distintas e distantes como Mussolini e Le Corbusier, que, este último, nas suas obras de arquitectura sempre privilegiou. O ditador italiano gostava também do ocre e dos castanhos que, de alguma forma, simbolizavam a terra, a cor da terra.
E que dizer do branco das casas algarvias ou alentejanas, a que o azul está, normalmente, associado? Razões, talvez, da forte luminosidade solar, porque caminhando para norte de Portugal, já as cores se vão diversificando mais, apesar do granito. Sendo que o preto raramente é usado na pintura das casas. Negro que, embora nos vestidos, acaba por dar um aspecto de distinção ou, até, de isolamento - viuvez.
Para não falar da neutralidade activa do cinzento-farda: dos meninos de Jeová, que se distinguem à légua; do cinzento-claro monótono e bancário, do austero gris-gestor formatado...
