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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Festa na aldeia

 
Os animadores culturais chegaram à escola, há pouco, melhor dizendo à aldeia, mediante os gritos e o vozeirão roufenho dos altifalantes desregulados de terceira categoria. As criancinhas precisam de festa que, dantes, eram palestras de entediante cultura, nos tempos vagos. E os conselhos directivos não se negam a proporcionar aos pequenos selvagens o divertimento e música (?) bastante para os manterem um pouco calados, para sossego dos professores e pais ausentes.
Quem se trama são os residentes na freguesia, que têm de suportar o destempero desta nova educação moderna e barulhenta.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Ideias fixas 99

 

Crescer ao deus dará dá nisto. A ausência de regras de educação transmitidas, por parte de tutores responsáveis (pais, professores...) que o não são, é, quanto a mim, a causa principal desta escalada de violência que o título do jornal Público, de hoje, denuncia em números.
Até os cães precisam de ser ensinados para não estarem continuamente a ladrar e incomodar a vizinhança...

domingo, 9 de julho de 2023

O bom selvagem...


Estávamos nós, serenamente, no ripanso aprazível e guloso de um almoço de sardinhas assadas e de um entrecosto muito bem grelhado, quando, na mesa ao lado, um pivete de 3 ou 4 anos começou a bater na mãe por uma qualquer desintelingência sem importância de monta. A reacção da progenitora foi nula - apanhou apenas. Quando o pai chegou, pouco depois, o pirralho começou a gritar com ele, pelo mesmo motivo - nada de acção ou resposta paterna, também...
Só faço votos para que, mais tarde, o catraio selvagem quebre alguns ossos dos progenitores, na devida proporção da boa educação que recebeu, e como recompensa. Lá dizia o anarco-surrealista, em jeito de provérbio extravagante: "bate na tua mãe enquanto é nova", para não lhe partires a ossatura frágil (acrescentava eu) quando for velha.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Críptica


Admiro os arrumados de leituras. Que eu não sou, volúvel por princípio e natureza. Ninguém é perfeito.
Noutra perspectiva, porém, abomino aqueles que não respeitam prioridades nas respostas em grupo e vão, ao sabor do gosto fútil, respondendo por impulso ou numa hierarquia pessoal anárquica, embora subjectivamente submissa a vagos valores, atabalhoando diálogos, reverências e conversas da treta.
Nos blogues, isto permite-me com clareza estabelecer a qualidade dos seus administradores.
A menos que eles tenham optado, em princípio, por não recomentar. O que revela prudência e resguardo. Ou, simplesmente, preguiça. E os abriga, assim, de serem  classificados na tabela da boa educação.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Educação à mesa


Em redor do ciclóstomo se reuniu, outra vez, a confraria e pela segunda ágape, este ano. Nunca tal eu bisara, no mesmo ano, que o bicho é raro e caro, não convindo abusar da especialidade. Vinha o pão bem torrado e o arroz branco solto, como deve. O Vinhão de Ponte do Lima voltou à mesa, para nosso conforto gustativo, embora também houvesse maduro e duriense, para quem não fosse à bola com o Verde. Alguns o guardaram para depois acompanhar um estrela (queijo) de Mangualde, babão e no ponto, à sobremesa.
Entre especialistas de educação, maioritários à mesa, se falou de ministros, quase naturalmente. Eleito príncipe, foi José Augusto Seabra (1937-2004), surpreendentemente destacado. Ainda que, zoologicamente, Grilo e Carneiro tivessem colhido alguns votos positivos. Como pior, Couto dos Santos venceu o desprimor, por unanimidade absoluta e confirmada. Que era um tosco - diziam, ainda que por outras palavras.
Para aconchego final, e depois do café, veio a fafense bagaceira, velhíssima e macia, que C. S. guarda na frasqueira, com acrisolado e merecido respeito. Mas que dá a provar aos amigos, em circunstâncias muito especiais...

sábado, 17 de novembro de 2018

A evolução da espécie


Tenho uma visão peregrina, excessivamente subjectiva talvez, em relação ao progresso, que não terá nada de científica. Se o avô era um rural, o pai foi comerciante e citadino, o neto se licenciou, imagino sempre que o bisneto terá a obrigação de ir mais longe... É essa, no fundo, a minha perspectiva da evolução das espécies. 
Admito, no entanto, a hipótese de algumas razões exógenas que possam prejudicar esse progresso: guerras, epidemias mortíferas, cataclismos imprevisíveis. E um mau trabalho educativo dos pais, em relação às suas crias.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Da Janela do Aposento 68: Desvarios da Educação



Um olhar atento sobre a realidade – nacional, europeia e até mundial – política, social e cultural obriga-nos a pensar, seriamente, sobre este caminhar do precipício para nenhures.

Quando entidades, órgãos, personalidades – uma categoria acima do cidadão comum – questionem, actualmente, o estatuto social, a importância cultural e a necessidade ética e moral da educação, entramos no limbo que, há décadas, uma Lei de Bases abriu, a saber, determinando um ENSINO isento de princípios morais e éticos.

Convenhamos que tal dispositivo legal negava, no fundo, a essência de  qualquer acção humana – tanto de ensino como de educação – deixar o seu selo de subjectividade, feito de escolhas e de experiências que, em nada, se coadunam com este “pântano” de figuras menores, sem nenhuma noção da realidade, nem da sua responsabilidade, que nos costumam entrar pelos “canais de informação”, diariamente.

Uma pessoa com responsabilidade docente concluir que a escolha, por parte do professor, de uma narrativa entre várias, permitir que cada aluno possa ler, na sala de aula, o seu texto, apenas demonstra a “ponta do icebergue” a que chegou o desvario.

A docente em causa interiorizou, por completo, o estatuto de “actor”, satisfazendo o seu gosto de cirandar por um suposto palco, palrando, certamente, sem nenhuma preparação séria ou orientação, propósito ou saber. Caso contrário, não debitava semelhante enormidade, porque um espaço de aprendizagem, que é uma aula, não representa, como se dizia antigamente, momentos alegres para fazer: “meinhas, meninas, meinhas”!

O chamado Plano Nacional de Leitura, lançado por umas pessoas certamente bem-intencionadas e, também, bem colocadas, não corresponde a mais do que a demonstração de vaidades pessoais a ilustrar a  sua “cultura literária” ou, por outras palavras já ditas acima, conceber uma Lei de Bases da Educação, olhando para o universo familiar ao contemplar os filhos e netos em ambiente caseiro.

A queixa da extensão do Programa de Leitura obrigatório nunca impediu, que eu saiba, que os professores rejeitassem o empenho, concorrencial, despropositado e incompreensível, e a obrigação de os alunos lerem as obras do Programa ao mesmo tempo, de apresentarem trabalhos, resumos e quejandos sobre títulos do Plano Nacional de Leitura que, em nada, tinham que ver com a matéria principal.

No documento sobre o Programa de Português no Secundário, em apreciação, que tive o cuidado de consultar, aprovo o reassumir de uma leitura cronológica da literatura portuguesa. A opção de escolha nas leituras de poemas e romances apenas vincula os docentes que saibam assumir o seu papel verdadeiro, sem receios, de orientarem as SEMPRE VARIAS LEITURAS possíveis de um texto. Tarefa tamanha exige SABER, preparação e TRABALHO.

Todo o resto é palavreado oco de “cada um o seu paladar, ou tudo ao monte e fé em Deus”, que não custa nada a suportar, diariamente, para quem tenha da carreira docente uma noção semelhante ao actual presidente dos EUA, palrando e esvaziando a essência humana.

A nobreza e a responsabilidade do exercício de funções públicas, defendendo a educação e o ensino como uma das traves mestras das nossas democracias e da evolução cultural do Homem, exige saber, trabalho e humildade.

 Post de HMJ

Desabafo (35)


Os jornais noticiam que: Os Maias deixam de ser leitura obrigatória no Secundário. Pois muito bem!
Sugiro que os professores, na sua inefabilidade construtiva, substituam Eça, pela leitura da Caras ou do CM. Mas tão só dos títulos, em maiúsculas, para não cansar muito o olhar e as meninges das criancinhas.

domingo, 24 de setembro de 2017

Da Janela do Aposento 67: Luz e Sombra




Num dia NEGRO, como hoje, em que o poderoso provincianismo, IGNORANTE, alemão e a matriz liberal dos pafunços nacionais ganharam mais uma batalha na tentativa de transformar a Europa numa coutada do liberalismo, aberto aos pistoleiros e vendedores de banha da cobra, só me resta, como sempre, a esperança na educação e elevação do pensamento.

Ciente da herança cultural recebida por uma edução assente na promoção social do conhecimento, não me oponho a novos métodos de ensino. No entanto, continuo a pensar que andamos a dar pouca importância às tais “basesinhas” de que se falava a propósito da educação do Eusebiozinho n’Os Maias, numa tentativa de ganhar a batalha sobre o avanço do obscurantismo.

A preocupação, tola e recente, de não “encher” a cabecinha dos “meninos” com tralha do passado, histórico-literária, faz com que a ausência de ocupação e a negação do preenchimento espiritual com assuntos de qualidade passe a ser disponível para pasto mais aberrante, vazio e nocivo.

Oxalá que o dia de hoje seja de profunda reflexão para evitar males maiores.


Não valerá a pena falar da vergonha e do desencanto profundo perante o resultado das eleições de hoje na Alemanha, fruto  da minha aversão ao provincianismo espiritual germânico, embora defensora ilimitada da salutar vida campestre. Basta lembrar que sempre julguei, com a antecipação devida, o efeito nocivo do provincianismo bacoco, vazio e culturalmente deprimente da chanceler alemã, que, infelizmente, continua sem assumir as suas responsabilidades, tal como os pafunços nacionais, pela deriva nacionalista.

sábado, 2 de setembro de 2017

Da Janela do Aposento 66: O Mundo do Espectáculo



Mesmo distante deste frenesim do “Regresso às Aulas”, não consigo evitar uma sensação de repulsa íntima pelo desenfreado consumismo que tomou conta da educação. Ano após anos, lá estão as escolas a fazer listas de uma material de uso corrente, alimentando uma ideia nociva e colaborando com este mundo aparvalhado.
Quem olhar com alguma seriedade, já não falo de estética, para o “vasto mundo, ó, Raimundo”, das mochilas, com “moçoilas” todos os anos renovadas, pergunta, afinal, o que resta para o espaço da educação.
Ao que parece, e pela imagem acima, até já as Gramáticas não escapam a este universo de afectos.
Posta em sossego, dou-me por feliz de poder centrar-me neste lugar do silêncio e da dedicação a assuntos úteis e sérios. 

Post de HMJ

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Apontamento 96: Civilidade


[Civilidade, i.e. conjunto de formalidades, observadas pelos cidadãos entre si, quando bem educados]

A ausência de regras mínimas de respeito e educação tem obrigado, infelizmente, a soluções legais questionáveis. O gesto, de respeito básico civilizado, de pedir licença, deixar passar a quem mais precisa, parece já da esfera do Código do Procedimento Administrativo, quando a instrução básica falha.

Tentar atribuir a responsabilidade deste predomínio dos “feios, porcos e maus” sobre uma convivência civilizada, assente num respeito mútuo, matizado pela idade, pelo interesse cultural, social e vivencial, a uma falha do sistema educativo já não me parece razoável, há muito tempo.

Os ventos contrários da chamada educação formal, organizaram-se, há muito, e cada vez se impõem com mais força. Só não percebe aquele que não quer ver a intenção final.

O caos, em qualquer país, provocado por uns “bites jornalísticos de momento”, interessa sobretudo àqueles que não estimam a Humanidade nem o pensamento autónomo.


[E, para bom entendedor, não digo mais sobre “cidadões”, vizinhos, turistas, hordas futebolistas completamente desprovidos de noções mínimas de civilidade.]

Post de HMJ

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Apontamento 90: A LENTA degradação da imprensa escrita


#Os Cursos EFA são, por isso, um instrumento basilar
para a prossecução dos objectivos definidos pelo XVII Governo
Constitucional para as políticas de educação e formação,
no qual assume particular destaque a generalização
do nível secundário como patamar mínimo de qualificação
da população.#
[citação de um diploma legal para jornalista tolhido pelo calor dos dias]

Após mais um pequeno “encontro espiritual amigável”, depois das férias, em que, entre outros muitos assuntos, se abordam, com alguma frequência, as fraquezas e a impreparação intelectual e falta de ética da imprensa, tanto nacional como europeia, não consigo calar-me perante mais uma destas “peças jornalísticas” menores.

Sob o título de “Os novos analfabetos” circula por aí, e num jornal semanal de responsabilidade, mais uma peça dedicada à educação, em que o referido semanário gosta de “meter o bedelho”, porque não tem mostrado preparação para uma discussão séria da educação e cultura no país.

Nem sequer discuto o desvario de meter, no mesmo propósito, cidadãs, aparentemente analfabetas, de 70 ou 29 anos actualmente, estes últimos com escolaridade obrigatória de nove ou doze anos, instituída após o 25 de Abril.

Recordar a circunstância de haver, sobretudo em meios piscatórios, idosas ainda com vontade de aprender a ler, faculdade matricial do ser humano que lhes foi negada durante décadas, merece apenas o consentimento de alguém que espera que a imprensa cumpra o seu essencial: informar sobre a situação social, cultural e política do país em que se insere.

Quando depois se começa a falar dos “novos analfabetos” – funcionais (?) ou outros (?) – falando de uma criatura de 29 anos, numa “mistura de vergonha e garra” por não saber ler nem escrever, entramos no terreno inclinado de uma imprensa que, cada vez mais, resolve, com o “modo fala barato de feira”, abordar, pretensamente, assuntos sérios da sociedade. Ora, a seriedade não resulta do discurso final, mas da ética e do saber profundo com que alguém se dedica à sua profissão.

De facto, os jornalistas não sabem, de todo, do que estão a falar, nem podiam, alguma vez, imaginar o que uma tal “criatura de 29 anos” – SOFREU – para que lhe ensinassem a ler e escrever, para além das aulas normais, com: aulas de apoio, programas especiais – de que já não me lembro de todos os nomes que se foram inventando para repescar meninos desviados – porque os infelizes eram, de facto, todos aqueles que insistiam, diariamente, em aplicar semelhante sofrimento em nome da Humanidade e do Estado de Direito que decretou a Lei de Bases do Sistema Educativo.

Se tenho simpatia pela senhora de 70 anos, com enorme vontade de aprender, abomino jornalistas impreparados – porque também me passaram pelas mãos sem nenhuma capacidade para formularem sequer uma ideia ou uma frase correcta – e parece-me altura para denunciar uma imprensa de espectáculo, sem critério ou um mínimo de preparação funcional, nem ética.

Post de HMJ

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Os Trabalhos e os Dias 9: Educação e formação do bom gosto





Há temas que, mesmo “posta em sossego”, continuam a despertar o meu interesse, embora, no presente, seleccione com mais parcimónia livros dedicados ao título em epígrafe. Aliás, prefiro obras que se situam numa perspectiva histórica da educação, como os dois exemplares que se reproduzem acima.

Cobicei-os, em primeiro lugar, pelo apelo ao bom gosto presente na encadernação e impressão e de uma época artística que, na imprensa alemã, fez surgir livros belíssimos. De seguida, foi o conteúdo que me despertou interesse. Trata-se, pois, e como sugere o título, de um tratado sobre a “cultura moderna”, concebido como um “vademecum” para a formação humana e o aperfeiçoamento do bom gosto.

Ora, o que hoje seria impensável, os livros de 1907 dão indicações e transmitem preceitos tão amplos como a escolha e organização da casa, a higiene pessoal, a civilidade nas diversas relações sociais e profissionais para, num segundo volume, se centrar mais nos aspectos culturais e de formação de gosto, nas leituras, nas artes e na música. Por acaso, só reparei depois de me terem oferecido os livros, que a matéria dedicada à leitura e aos livros tem a assinatura de Hermann Hesse.

Digo que a existência de livros semelhantes é hoje impensável pelo facto de termos abandonado essa vertente, assumida, da “educação burguesa” que  entendia a transmissão de valores e de cânones culturais como orientação para a formação do bom gosto. Tal ausência de tratados abrangentes foi, no entanto, mal preenchida com publicações de má apresentação e paupérrimo conteúdo, contribuindo para secções cada vez mais amplos nas livrarias, com os chamados livros de “desenvolvimento pessoal e espiritual” !

Verifica-se, pois, que a formação humana, no sentido da sua autonomia, ficou reduzida à sua preparação para a “vida activa” do trabalho, aliás pouco exigente e, assim, liberta do peso – desnecessário – de cânones literários e quejandos.


O vazio que se foi instalando será, certamente, preenchido por outros valores. A ausência de noções mínimas de civilidade já contribuiu para uma degradação do espaço público e consequências desagradáveis para a convivência social.

Post de HMJ

domingo, 23 de agosto de 2015

Educar / Aprender


Há pouco, ouvi numa entrevista de Hannah Arendt (1906-1975), ela explicar dois conceitos de base, que lhe foram transmitidos pela mãe (o pai morreu, era ela muito jovem). Sendo judia, Hannah frequentava a Escola, quando o nazismo começou a ganhar espaço, politicamente.
As orientações eram simples: se algum professor fizesse, nas aulas, algum comentário injurioso sobre os judeus, a jovem deveria levantar-se e abandonar a sala. Em casa, teria de fazer a narração detalhada dos factos, para que a mãe escrevesse uma carta à direcção da Escola.
A segunda regra dizia respeito aos colegas do estabelecimento de ensino. Se eles fossem incorrectos e, eventualmente, lhe chamassem nomes, deveria ser ela própria, Hannah, a resolver o assunto.
Simples e claro: a hierarquização das competências - a cada um(a) a sua responsabilidade. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Da Janela do Aposento 50: Pontos nos iis



Para quem ainda não se tinha apercebido, porque continua a viver no país “do conto de fadas”, o governo enfrentou, finalmente, os ignorantes que tão mal fazem às nossas criancinhas.

Para os que falam do enunciado da “Prova de Avaliação” para os docentes, sem o terem lido na íntegra, basta ver dois pequenos nacos de prosa de perguntas, publicados, hoje, no jornal Público.

Para os crédulos que acreditam nas palavras do Senhor Professor Nuno Crato, sublinha-se que as provas – tipo americano ou “chapa zero”, tanto para os docentes como para os discentes – reduziram a escrita ao “grau zero”, i.e., será difícil encontrar uma “pergunta de desenvolvimento” que permita, numa só frase [Crato dixit] encontrar 20 erros ortográficos. A perversidade de limitar as “respostas de desenvolvimento” ao máximo de 120 ou 200 palavras, para além de desviar a criatura do essencial, i.e., do conteúdo, para contabilizar as palavras do seu vocabulário, implicou o retrocesso óbvio para o domínio da frase simples. Ora, uma frase simples, reduzindo também o pensamento para um nível simplificado de expressão, raramente alcança a proeza de 20 palavras seguidas.

Passando, no entanto, da completa indigência da referida “Prova”, motivo suficiente para qualquer docente consciente se desviar de semelhante “Inferno”, falemos, então, da essência.

Como todos sabemos, e para os que conhecem um pouco da História recente e vivida, o aumento da escolarização não foi acompanhada, como devia, por uma estratégia adequada e uniforme, nomeadamente no que se refere à formação dos professores. O aumento do número de alunos exigia mais professores que, após o 25 de Abril, foram recrutados, pelos diversos Ministros da Educação, entre os licenciados ainda em formação académica. Surgiu, posteriormente e por razões económicas e políticas diversas, a necessidade de impor uma formação profissional complementar. O Estado, através dos diversos Ministros da Educação, delegou essa competência a Universidades, alargando-as, depois, a Institutos e Instituições de Ensino à distância, sem, contudo, aprovar, sempre, os respectivos “Planos de Estudos e de Formação”. Ora, só num “conto de crianças” é que não existe responsabilidade governativa para a invocada ignorância que o Ministro Crato alegou, hoje, para a sua “caixa jornalística”.

A chamada “autonomia” da Universidade tem as costas largas e não serve para desculpar o “lobo” que quer comer a criancinha, porque foi o lobo que se deitou na cama para atrair os incautos.

Ou seja, as disposições legais permitiram formações tão díspares como: 5 anos + 2 anos [5 de formação académica + 2 de estágio profissional], 5 [com estágio integrado], para além de regimes alternativos fora das Universidades, i.e., Institutos de diversa índole, públicos e privados.


No meio disto, muita gentinha que gosta de vestir a pele do lobo acredita na história da carochinha (escrevendo estória) sem saber que existem [há] outros mundos. Até no Ministério da tutela à [sic], i.e., criaturas, sem cursos de formação de professores, que não dão duas para a caixa.

Post de HMJ

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Amor com amor se paga...

Com os melhores agradecimentos a AVP.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os erres na Educação


Muito provavelmente, a última grande tentativa europeia de reformulação do sistema educativo, terá sido projectada, em França, pelo primeiro-ministro Pierre Mauroy (1928-2013), durante o consulado Mittérrand. Mas o lobby do Ensino particular sempre foi poderosíssimo, em qualquer país. Quando Mauroy decidiu retirar subsídios ao Ensino privado francês, para reforçar o Ensino público, a contestação foi de tal ordem, que o seu Ministério caíu. Mitérrand perdeu a face, demitiu-o, mas manteve a Presidência, até ao fim. Florentinamente, que os políticos não podem ser ingénuos.
Em Portugal, quase ninguém demite ministros, depois de Salazar. Ou eles se demitem, ou então mantém-se até ao fim, mesmo que sejam mentirosos, desastrados nas declarações, corruptos, ou de uma mediocridade assustadora.
O Prior do Crato, ao que parece, teve uma educação esmerada, mas perdeu-se em Alcântara (onde também entra o erre). O matemático Crato (com erre, também) não é burro (mais 2 erres) e, por isso talvez, ao inverso de Mauroy, preferiu enfraquecer o Ensino público, para fortalecer o privado. Quem sabe se um reitorado (mais um erre), com mordomias muito compensadoras, não espera por ele, quando este inenarrável (mais 2 erres) governo acabar, de forma a retribuir-lhe este seu acto tão clarividente e generoso?...

com agradecimentos a AVP.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Da Janela do Aposento 39: Educação ? Ensino ?





A condição de “posto em sossego” desobrigou-me a qualquer declaração de interesse, mas não me livrou do desassossego perante o desnorte, ao nível nacional e europeu, nas questões da educação e do ensino.
A confusão entre os dois conceitos tem décadas, ao ponto de ganhar estatuto, na nova proposta do “Programa de Português”, sob o lema de “Educação Literária” quando, de facto, se pretende traçar objectivos de ensino na vertente de leitura de textos literários. Contudo, a confusão conceptual tem uma raiz e uma origem, i.e., uma Lei de Bases do Sistema Educativo, de 1986, que declarava, nos seus considerandos preambulares, que o “Estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Embora sempre negligenciado, tamanho embuste paradoxal e conceptual abriu a porta ao declive em que nos encontramos.
Passamos a definir a educação em função de universos restritos. Uma Lei de Bases definida com os olhos postos nos filhos lá de casa, esquecendo que a realidade era bem outra. O que até levou um Ministro, após a sua saída, a declarar que “o difícil é sentá-los”, uma evidência que qualquer docente sabia, e bem demais para ser verdade.
O medo perante um “cânone literário” para leccionar, e ensinar, privou uma geração de alunos de uma percepção “cronológica e antológica” da Literatura Portuguesa, substituindo-a por uma salganhada de leituras da “literatura universal”, entremeada por excertos, envergonhados, dos chamados clássicos nacionais. Não merece a pena citar os “bons ventos” responsáveis, nem os famigerados “planos nacionais” que suportam semelhante opção.
Os chamados Programas, ou Metas Curriculares, orientaram-se pela vaidade ou inclinação académica dos seus redactores. Nalguns casos, o aparato “teórico de enquadramento” é um portento. Noutros, para descer a um nível inferior da linguagem, a “montanha pariu um rato”, como é o caso da recente proposta de Programa de Português para o Ensino Secundário, da autoria de Helena Buescu.
Convém recordar que este novo programa surge num momento em que a escolaridade obrigatória se alargou até ao 12º Ano, i.e., declarando-se válido e exequível, para o universo dos alunos, uma recuperação de um determinado “cânone literário”.
E neste “novo Programa”, de “gato escondido com rabo de fora”, sucede que a selecção “cronológica” anda aos saltos e a “antologia” se resume, na generalidade, a excertos, acusando determinadas opções estéticas e particulares dos redactores. O espanto geral perante uma encenação tão inconsistente permite apenas citar alguns exemplos mais aberrantes:
Cantigas de Amigo (escolher 5), Cantigas de Amor (escolher 3), Crónica de D. João I (escolher 2 capítulos), História Trágico-Marítima (Capítulo V), A.Vieira, Sermão de Santo António (passou a ter capítulos, em vez de partes do sermão, Cap. I – integral – o restante em excertos), e, para finalizar, A. Garrett, Viagens na Minha Terra (escolher 5 capítulos!). As opções relativamente ao Século XX dispensam qualquer consideração. Pobres professores, infelizes criaturas !
Tenho saudades do tempo em que os estudantes entoavam “loas”, cantando vivas à Academia e aos professores, porque lhes reconheciam valor na sua capacidade de orientar os seus estudos de uma forma sábia, objectiva e desinteressada.

Post de HMJ

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Movimentos desencontrados e frenéticos


A anunciação, feita recentemente, pelo Ministério da Educação, de novos programas para o ensino da Matemática e do Português, para o secundário, embora ainda sujeitos a debate público, provocou, pela surpresa, muitas reacções. Para um leigo como eu, no entanto, a estratégia parece-me desencontrada na sua base de partida e fruto de uma caprichosa incoerência de intenções. Talvez, no fundo, acompanhe, solidariamente, a confusão que preside às políticas ziguezagueantes deste inenarrável governo.
É evidente que nem tudo é inútil ou despropositado nestes novos programas, mas repare-se: na Matemática do secundário são inseridos temas e áreas avançadas que, até agora, estavam apenas reservados ao ensino universitário, dada a sua complexidade abstracta e difícil; por outro lado, no Português, é um regresso ao passado (cerca de 20 anos atrás) com a reintrodução de Fernão Lopes, poesia trovadoresca, Garção, Camilo Pessanha, por exemplo.
Embora Crato seja no Sul, parece-me que anda por aqui um grande desnorte...

domingo, 31 de outubro de 2010

Educar para quê?

Pese embora a vertiginosa explicação, por imagem, e trepidante raciocínio, parece-me um brilhante e sedutor exercício.

P. S. : para ms, com vivo agradecimento e abraço.