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sábado, 9 de janeiro de 2021

Um CD por mês (21)


Pianista autodidacta, Walter Gieseking (1895-1956), nascido em França embora de ascendentes alemães, desde cedo foi considerado um competente intérprete de Mozart, Mendelssohn, Grieg e Ravel. Dotado de uma memória prodigiosa e vasta obra executada e gravada, a EMI Classics - Références, achou por bem, em 1998, incluir Gieseking na sua colecção nobre. Sinónimo, em música erudita, de uma consagração, em literatura, comparável à conhecida colecção da Bibliothèque de la Pléiade. Creio que terá sido em 1999 que comprei este duplo CD, na Valentim de Carvalho, ao Rossio.




terça-feira, 2 de julho de 2019

Gostar do que se deve


Às vezes, desinquietam-se os mortos. Ou temporariamente repescam-nos para a fama. Com frequência são apenas fogachos que duram pouco tempo e eles regressam à paz e silêncio subterrâneos, em definitivo. Mais raras vezes, essas ressurreições vêm para ficar. Em música, isso aconteceu com Vivaldi e Bach, e, num dos casos, Mendelssohn teve um papel essencial.
Há dias, o nome de Nuno  Bragança (1929-1985) veio à tona, no diário escrito de Vasco Pulido Valente. Não para o glorificar e lembrar, mas para o apoucar. E, como sempre, da sua curta obra, apenas A Noite e o Riso (1969) foi citado, como é de norma. Convencionou-se, de há muito, que este é o seu melhor livro. Ora, eu não comungo desta ideia. Prefiro-lhe, como sempre preferi: Directa (1977).
Mas isto de não alinhar com a maioria ou corrente dominante tem sempre os seus riscos. Lembro-me bem do enxovalho que sofri no meu exame oral de Literatura Alemã III, ao querer defender, como melhor, o primeiro Fausto, de Goethe, em detrimento do Fausto II. O convencional prof. Moser mal me deixou falar e ia-me engolindo por causa daquilo que, na opinião dele, seria uma blasfémia.
As palavras de VPV tiveram grande eco na net, tem-se falado nisso. E Nuno Bragança voltou à baila. Ainda bem, porque merece. Que seja por um ou outro dos seus livros, tanto faz. Desde que seja para o voltar a ler.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

sábado, 19 de setembro de 2015

A flutuação e as vicissitudes dos clássicos


A propósito da citação do poste anterior, de Bulwer-Lytton, convirá sublinhar que a cotação dos clássicos, ou a sua importância, estará sempre sujeita a modas e às vicissitudes do tempo. Será que a nossa admiração actual pela obra de Bach seria a mesma, se Mendelssohn não tivesse recuperado as suas partituras, do limbo? Julgo que não. A reabilitação de Sá de Miranda muito deve aos trabalhos de Carolina Michaelis sobre as poesias do Poeta do Neiva. Trabalhos que mais tarde, em meados do século XX, foram prosseguidos por Pina Martins. E que ancoraram, poderosamente, no apreço que lhe dispensaram Jorge de Sena, David Mourão-Ferreira, Ruy Belo, Gastão Cruz... Cada geração recupera, quase sempre, gostos e tiques do passado, que respondem ou abordaram, noutras épocas, questões e problemas semelhantes aos do tempo presente.
Por isso me parece pertinente um texto que Malcom Schofield (TLS, nº 5867) dedicou ao filósofo estóico Séneca, de origem ibérica. E que, parcialmente, vou traduzir. Assim:
"Séneca tornou-se moda. O mercado foi inundado de novos livros sobre alguém que, na minha juventude, se dizia que fora um hipócrita, em vida, um filósofo de segunda ordem, o autor de absurdas tragédias irrepresentáveis ou dificilmente postas em cena, e, ainda por cima, durante vários anos o mentor do jovem imperador Nero. A sua reabilitação foi fomentada a partir de várias fontes. Séneca era um estóico em filosofia. O velho estoicismo, em si mesmo, tem sido objecto de um renascimento de interesse e respeito, não só por parte da Academia, mas até por parte de um público e audiência mais vastos. A sua abordagem das emoções, especialmente no que à terapia cognitiva diz respeito, acabou por provar-se particularmente atractiva. ..."

sábado, 24 de dezembro de 2011

Maurice Leblanc / Arsène Lupin


Como uma voz que regressa, vinda do silêncio e do tempo esquecido, numa data festiva, e nos enche de júbilo, há, muitas vezes, ressurreições felizes. Como a de Vivaldi, feita pela sensibilidade especial de Mendelssohn, que salvou o padre ruivo do esquecimento eterno.
Embora de menor importância, o ressurgimento de Maurice Leblanc (1864-1941) e do seu Arsène Lupin, noticiada por "Le Monde", deu-me algum contentamento. Caída no domínio público, a obra de Leblanc vai ser reeditada, em 2012. Arsène Lupin é um cavalheiresco ladrão elegante, um Robin Hood actualizado e culto, como figura de ficção, muito superior ao Santo, de Leslie Charteris, protagonizado em cinema, habitualmente, por Roger Moore.
É, por isso, uma boa notícia para os apreciadores de romances policiais.  

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O outro lado : Escócia

A "Calçada do Gigante" de que falamos no poste anterior, a propósito da Irlanda, tem esta projecção natural na Escócia, a Gruta de Staffa e Fingal. Este último nome foi inspirador para Felix Mendelssohn, que o utilizou em "As Hébridas (Fingal's Cave"). Por curiosidade, acrescento que, pelo menos até há bem pouco tempo, havia, na Baixa lisboeta, um restaurante com o nome de "Gruta de Fingal". O primitivo dono era, porventura, um melómano ou um admirador da Escócia...