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sábado, 10 de janeiro de 2015

Cosmopolitismos


No coração de Lisboa, cheirava a pão quente, via-se o fumo evanescente das castanhas assadas, uma coladera despropositada contorcia-se em dois corpos jovens e morenos, secundados por instrumentos africanos sob a benção flectida do poeta Chiado, metálico e eterno. Francês era a língua dominante.
Três cavalheiros de aspecto nobre e trajar distinto, embora não tão neutro como os bibes bancários e reconhecíveis, que por lá passam, mais uma tia chanel número 5, graciosamente, distribuiam encartes preciosos, sugestivos de rico grafismo, como o da imagem, por alguns passantes escolhidos.
Coube-me um a mim, que ia de sobretudo digno e de marca, nas minhas cãs enganosas de prosperidade tranquila. As legendas do encarte vinham em caracteres sóbrios e elegantes da língua portuguesa - como manda a lei - mas também em russo, inglês e chinês, fazendo a apologia e louvando a segurança do Golden Visa ERA na compra de mansões milionárias. Foi ontem.
Veio-me Cesário à memória: "Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo..."