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sábado, 3 de dezembro de 2022

Mercearias Finas 184



Ora, como os dias se vão aproximando do Inverno, por cá se foram lembrando pratos mais substanciais acompanhados, naturalmente, de vinhos mais pujantes. No feriado restaurador veio à mesa um Cozido à Portuguesa, com todos os matadores, que se amigou com uma garrafa magnum de Monte Velho, da colheita do Esporão, do ano de 2017 - estava no ponto! E os nossos convidados renderam preito de  homenagem a ambos.
Como é habitual, das carnes sobraram algumas que HMJ, no seu preclaro pensamento gastonómico, resolveu usar num Rancho apetitoso no dia seguinte. Fi-lo acompanhar de um mais ruano Vila dos Gamas recente (2021) lotado de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, nos seus 14º, que em nada desmereceu as outras vitualhas sólidas. Um pequeno ananaz dos Açores, saborosíssimo, fez de sobremesa.

domingo, 10 de janeiro de 2021

Mercearias Finas 165


Dizia José Quitério (1942), na sua ampla sabedoria e competência culinária, que o único prato de alta gastronomia portuguesa era a Perdiz à Convento de Alcântara. Mas, neste décimo dia do novo ano de 2021, confinado parcialmente, HMJ resolveu-se a confeccionar um Cozido à Portuguesa, com todos os matadores, e eu a abrir, cerca de 2 horas antes, uma magnum alentejana de 2010. Que, como diria José Régio (1901-1969) poeta (ao contrário, e com o portalegrense Suão...), este frio esfarela os ossos,/ dói nos peitos sufocados, pelo seu severo rigor penetrante, convidando assim a vitualhas robustas e aconchegantes.

Do Pêra Doce (Trincadeira, Aragonez e Syrah), alentejano e com 13,5 º, com os seus 10 anos completos, estava eu com receio, porque os desta região demarcada querem-se jovens, normalmente, ao beber, embora  alguns raros, clássicos, se aguentem muito bem na velhice, e com nobreza. Este portou-se lindamente à altura das expectativas. E, do Cozido, nem se fala, que o silêncio é de ouro e recomenda-se!...

sábado, 29 de dezembro de 2018

Para uma cenografia do passado


Invariavelmente, entre 24/12 e 1/1 do ano seguinte, nos meus primeiros vinte e poucos anos de vida, os meus espaços situavam-se num perímetro vimaranense que compreendia não mais de 800 metros quadrados, calcorreados naturalmente entre duas casas familiares. Sem mágoa excessiva ou saudades aflitivas, me lembro delas e das pessoas que, então, as ocupavam.
Mas recordo-me, com gula eterna, de um salpicão de língua de porco, tenríssimo e saboroso, que acompanhava, sempre, o Cozido à Portuguesa, do dia 25, no almoço de Natal. Porque esse, a partir de 1979, nunca mais lhe pus a vista em cima e não mais o consegui provar. A minha tia Ermelinda levou para a cova o segredo e o local onde o comprava, pouco antes do dia de Natal...


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mercearias Finas 20 : retintamente nacional



Que fará um casal cujos filhos, adultos, já saíram da casa paterna, e a quem apetece deliciar-se com um Cozido à Portuguesa? Porque, entre carne de porco, farinheira, batata, nabo, chouriço, carne de vaca, cenoura, couve portuguesa, chouriço de sangue, salpicão, couve-coração, tendo-se os dois bem servido, ainda sobrará, seguramente, muita vianda. E boa, porque os componentes vieram dos 4 cantos do terrunho nacional: região saloia, Guimarães, Lamego...
Pois não haverá remédio senão guardar o sobrante no frigorífico ou congelador e esperar, pacientemente, que as saudades do Cozido à Portuguesa regressem. Foi assim que se fez. E, no domingo, ao almoço, o cozido voltou, sápido, no seu esplendor e excelência à nossa mesa. Na totalidade da sua ancestral convivialidade prandial.
Escolhi um Quinta de La Rosa duriense, tinto de 2008, que não tinhamos ainda provado e que nos chegou às mãos e boca, graciosamente, para acompanhar o Cozido à Portuguesa. De colheita manual (as uvas: Tourigas Nacional e Franca, mais Tinta Roriz que é, no Sul, o Aragonês, e em Espanha dá pelo nome de Tempranillo com que se faz o Vega Sicília), o vinho é produzido, no Pinhão, por Sophia Bergquist. Este, de 2008, está ainda muito jovem, promissor, cheio de força com taninos por domar: vai precisar de uns bons 4 ou 5 anos , de guarda, para amaciar.
O acasalamento, pela rusticidade e rijeza de sabores do prato, funcionou na perfeição. Honra lhes seja, ao Cozido à Portuguesa e ao Quinta de La Rosa, que se deram muito bem, um com o outro. Evoé!