As clementinas, tangerinas, as romãs e as castanhas, bem como as nozes, já me tinham passado pelo estreito, este ano. Mas eu ia desesperando dos diospiros, porque, talvez como as perdizes, por o tempo (clima) não ter ajudado, nunca mais apareciam. Ou, melhor, os diospiros espanhóis, eu ia vendo-os, na sua palidez anémica e amarelada, na sua rijeza bruta para trincar, pressentida e detestável para mim, habituado que fui à macieza translúcida e vermelha dourada dos lusitanos. Os castelhanos, dispenso-os.
O facto é que eu costumava prová-los pelo Outono, já em Novembro e, este ano, nada. Foi preciso esperar pela entrada do Inverno, quase no fim de Dezembro, para os ver, na banca do Mercado, oferecendo-se maviosos, de cor e perfeição, aos meus olhos saudosos. Lá comprei dois, agradecendo à Natureza não se ter esquecido de mim.
E, amanhã, sem falta, hei-de provar o primeiro.
N. B.: teimosa, e mesmo que erradamente, escrevo e leio sempre "diospiros".