Em 24 de Março de 1905, a rainha-mãe Maria Pia, viúva de D. Luís, aquando da visita da rainha inglesa Alexandra, esposa de Eduardo VII, ofereceu em Sintra um almoço protocolar, cujo serviço foi orientado por pessoal da casa Ferrari. Da ementa especiosa constava Língua Escarlate (Langue à l'Ecarlatte), como entrada. De imediato me lembrei, por lógica associação, que devia tratar-se de Língua Afiambrada. Era, realmente.
Era frequente eu comer Língua de Vitela estufada, nos meus tempos vimaranenses, até porque gostava muito. Acompanhavam-na batata, cenoura, ervilhas, couve-flor e pão torrado, quase sempre. Mas na Língua Afiambrada, provada escassamente até hoje (3 vezes?), só me vim a iniciar muito mais tarde, em Vila Verde, pelo Verão de 1978, num memorável almoço de baptismo, na casa anexa ao passal do monsenhor M. G. Diogo. Especialidade magníficamente trabalhada pela competência culinária da senhora dona Rosa.

