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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Bibliofilia 124


O livrinho, algo usado e com uma das folhas descolada, estava na prateleira do fundo, rasa ao solo, local de saldos (1 euro), de obras que, não sendo vendidas, em poucos dias, irão para o refugo. Eu já o vira, na antevéspera, no alfarrabista, mas Pablo Neruda (1904-1973), hoje, já não faz os meus encantos, nem preferências poéticas. Mas já fez, na juventude. Mesmo assim, baixei-me e comecei a folheá-lo, até porque tenho a edição original desta obra (1973, da Editora grijalbo), que deixo em imagem. Acabei por o comprar.
Duas surpresas me esperavam: a tradução era de Alexandre O'Neill (1924-1986), e o livrinho tinha sido editado pela Agência Portuguesa de Revistas (!). A data da  impressão, 1975, explica tudo...

sexta-feira, 2 de março de 2012

A insustentável leveza dos seres


É sazonal e cíclico, mas certo e constante. Mal começam as aulas, e com particular incidência na altura e época dos testes escolares ou das ilustremente chamadas "áreas-projecto-escola", começam a intensificar-se as visitas ao poste sobre Gomes Freire d'Andrade, onde se fala, de raspão, da peça de teatro "Felizmente há luar", de Luís Sttau Monteiro. É época, também, de numerosas visitas aos postes de Vergílio Ferreira, neste Blogue. Em vez de lerem as obras, os infantes vasculham na net. E, quando observo isto, dão-me uns ataques de nostalgia.
Mas há pior, ou imagino que o seja. Há dias, da mais prestigiada Universidade portuguesa, nos rankings internacionais, veio um(a) visitante consultar por largos minutos, no Blogue, um poste de cromos sobre a História de Portugal, colecção distribuída, nos anos 50, pela Agência Portuguesa de Revistas, e que teve grande êxito no final da infância e início da adolescência da minha geração. Não é para me gabar, mas quando entrei na Universidade, já levava lida a História de Portugal, de Alexandre Herculano, e bons excertos da, dita, Edição de Barcelos. Espero que essa visita, para sossego da minha alma, não tenha vindo do Departamento de História da tal Universidade, mas fosse de um modesto Segurança de serviço para se entreter, e que tinha um computador à mão. Mas também creio que já faltou mais para que alguns blogues, que andam no espaço, comecem a entrar, nas bibliografias universitárias, substituíndo livros e obras de referência. Como dizia Milan Kundera é "A Insustentável Leveza do Ser"...
Por outro lado, gostei imenso dumas "search words" que por aqui apareceram. Diziam assim, sem ponto de interrogação: "vespa morde ou ferra". Se eu tivesse podido entrar em diálogo com a visita, ter-lhe ia dito que a vespa deve ferrar, porque tem ferrão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cromos 25 : Bandeiras do Universo



Será este o último poste desta rubrica sobre cromos. A menos que, de algum canto obscuro e improvável, venha a surgir mais alguma caderneta de colecção esquecida -  o que, de momento, julgo praticamente impossível de acontecer.
A simbologia nacional, ou até regional, tem uma atracção muito própria, na infância e adolescência. Já George Steiner, em Errata: revisões de uma vida, fala disso, a propósito de um tio (Rudi) que lhe trouxe de Salzeburgo, como presente, quando ele era pequeno, um livrinho colorido com os brasões da cidade "e feudos circundantes". E que lhe provocou um fascínio muito especial.
Esta colecção de cromos era uma das minhas preferidas. Tenho-a completa, nos seus 128 cromos sugestivos. É dos finais dos anos 50, editada pela Agência Portuguesa de Revistas. A caderneta custava Esc. 4$00 e os últimos 30 números em falta podiam pedir-se para a APR, mediante o pagamento de Esc. 5$00.

sábado, 26 de novembro de 2011

Cromos 23 : Maravilhas do Mundo



Produto da Agência Portuguesa de Revistas (Rua Saraiva de Carvalho, 207, em Lisboa), através da Editorial Ibis, estas "Maravilhas do Mundo", eram compostas por 2 álbuns, cada um com 125 cromos desenhados por Miguel Conde. É a primeira caderneta que se mostra, em imagem.
Os surpreendentes motivos da Natureza são o objecto desta colecção que mostra desde a Calçada dos Gigantes (Irlanda) até a Gruta Azul de Capri, passando pelo estranho "Geiser" Negro, da Nova Zelândia.
A caderneta custava Esc. 4$00 e os últimos  30 cromos poderiam ser encomendados à A. P. R., pelo preço de Esc. 5$00. A colecção de cromos creio datar de finais dos anos 50 do século passado. 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Cromos 20 : Esquadras de Guerra


Esta colecção de 312 cromos coloridos, da Agência Portuguesa de Revistas e Editorial Ibis, tenho-a completa, e deverá ter sido publicada no início dos anos 60 ou finais de 50 do século passado. A caderneta custava Esc. 6$00. Os cromos eram elucidativos nas características dos barcos e navios, mas também faziam um historial da navegação desde os primórdios humanos, reproduzindo barcos fenícios, romanos, até àqueles dias do séc. XX. Mas também as insígnias de comando e até os códigos de sinais marítimos. Era muito instrutiva, em suma. Mostra-se também, em imagem, a página referente a Portugal.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cromos 19 : Álbum Artistas de Cinema



Mais uma colecção de cromos de Artistas de Cinema dos anos 50, editada pela Agência Portuguesa de Revistas nos finais dessa década do século passado. Completa, a colecção era composta por 144 cromos, sendo que os últimos 30 poderiam ser pedidos à A. P. R., mediante o pagamento de Esc. 5$00. A caderneta vendia-se ao preço de Esc. 3$50. Mostra-se também a página com as imagens dos 2 únicos artistas (e galãs) portugueses: Carlos José Teixeira e Artur Semedo. Uma falta notória é a de António Vilar (1912-1995), à época, o galã do cinema português mais internacional, tendo chegado a contracenar com Brigitte Bardot.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cromos 18 : História de Portugal


Produção, integralmente nacional, da Agência Portuguesa de Revistas, numa edição do Mundo de Aventuras, a colecção da História de Portugal era composta de 203 cromos e a caderneta custava Esc.4$00. O texto era de António Feio, com ilustrações de Carlos Alberto, e a colecção foi impressa na Fotogravura Nacional Lda..
Foi, seguramente, a colecção de cromos que mais impacto e sucesso teve entre os infantes e adolescentes da minha geração. E graficamente era também muito sedutora. É certo que o respeito e o amor à Pátria  nos eram incutidos na Escola e em casa. Nos actos públicos, nos rituais de efemérides e comemorações, e pela propaganda do Estado Novo - cada um tomava o que queria...
Em doses equilibradas, lamento que se tenha perdido esse respeito, e alguma admiração, pelo passado de Portugal. Mas, o que mais me perturba é a ignorância que grassa, em tanta gente, sobre a História de Portugal. Não a cega devoção pia sobre o passado, mas uma visão crítica, mas também orgulhosa sobre a Pátria e aqueles que contribuiram para a sua consolidação como País. É que só assim conseguiremos construir, com identidade própria, o nosso Futuro.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Cinema em Casa VI (e último)


O "Álbum dos Artistas", publicação da Agência Portuguesa de Revistas (Edição de Aguiar & Dias, Lda.), era de início monocromático mas, ainda em finais dos anos 50, passou a ter capas policromadas e tamanho menor. Custava Esc. 2$00. Trazia biografias detalhadas de artista de cinema, filmografia e curiosidades. E, por vezes, até um ou outro pequeno apontamento cultural. No "Álbum dos Artistas" nº 43, sobre Brigitte Bardot, há, por exemplo, uma citação de Roland Barthes a propósito da actriz do cinema francês, que diz: "Brigitte Bardot representa um erotismo mais aberto despojado dos substitutos falsamente protectores que eram o semi-vestuário, a caracterização, a alusão, a fuga."

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Cinema em Casa V



Anteriores ao "Cine-Romance", estes fascículos "Colecção Cinema", também da Agência Portuguesa de Revistas, continham, cada um, 4 filmes em novelização, e fotografias. Os da imagem foram editados em 1955 e 1956. Os fascículos saíam nos dias 10 e 25 de cada mês, e custavam Esc. 3$00. Os organizadores desta publicação eram Luís Miranda (director) e Mário de Aguiar. Glenn Ford, Gregory Peck, Doris Day, Jane Wyman, Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Clark Gable, Jane Russel, Jack Hawkins e Joan Collins eram alguns dos actores mais conhecidos que entravam nestes filmes, hoje, completamente esquecidos no tempo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Cromos 15 : Os Filhos dos 3 Mosqueteiros




Era num tempo de predomínio dos chamados filmes de capa e espada, depois veio o Tarzan - início dos anos 50 do século passado. A colecção de cromos baseava-se na película homónima "Os filhos dos 3 Mosqueteiros" ("At Swords Point"), realizado por Lewis Allen, em 1952, com Maureen O'Hara e Cornel Wilde. Que, por sua vez, se inspirava nos romances de Alexandre Dumas (pai): "Os 3 Mosqueteiros", "Vinte anos depois" e "O Visconde de Bragelonne", que li, por essas alturas, emprestados de uma agremiação vimaranense, possuidora de uma biblioteca simpática. Aproveitando o sucesso do filme, a Editorial Bruguera, de Barcelona, fez imprimir a colecção de 154 cromos, com imagens-fotografias do filme, retocadas e coloridas à mão, mas de deficiente qualidade. A Agência Portuguesa de Revistas comprou os direitos, traduziu os textos e pô-la à venda em Portugal, em 1953, creio, sob o patrocínio do "Mundo de Aventuras". Vendia-se bem, em pequenos envelopes-surpresa com 3 cromos no interior. A caderneta custava Esc. 3$50, e os últimos 30 números, em falta, podiam pedir-se à Editora, mediante o respectivo pagamento. A minha colecção está completa.

domingo, 10 de abril de 2011

O Cinema em Casa IV



Mais 2 fascículos da colecção Cine-Romance, da Agência Portuguesa de Revistas, editados semanalmente às quintas-feiras, e com o preço de venda de Esc. 1$50. O filme "Anastasia", que foi um grande sucesso comercial, foi estreado no Cinema Tivoli, em 11/3/1957. A película foi realizada por Anatole Litvak, tendo como actores principais: Ingrid Bergman e Yul Brynner. O filme foi novelizado para a Agência Portuguesa de Revistas por J. de Oliveira Cosme. "Enamorados", filme completamente esquecido, teve realização de Mauro Bolognini e, como actores, Antonella Lualdi e Franco Interlenghi. A adaptação e novelização da película italiana esteve a cargo de Vitoriano Rosa. Na contracapa as breves biografias de Marina Vlady e Toni Curtis, em imagem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Leituras Antigas XXX : Colecção Condor



Dentro da vasta gama de revistas de banda desenhada, editadas pela Agência Portuguesa de Revistas, com histórias completas, a "Colecção Condor" foi das mais populares. De tal forma, que chegou a ter uma irmã mais nova : a "Condor Popular" que era mais pequena, em formato, e mais barata. Custava apenas Esc. 1$00. Ambas se publicaram em meados dos anos 50 do século passado. Eu era um fervoroso admirador da Condor normal e, sobretudo, dos fascículos consagrados a Mandrake e ao seu africano ajudante, Lotário. A "Colecção Condor" tinha publicação semanal e custava Esc. 2$50. Creio que a BD de Mandrake era de autoria de Lee Falk, nos textos, e com desenhos de Phil Davis, no original.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cromos 14 : Pinóquio



Foi das colecções que mais entusiasmo me despertou, na altura, mas, infelizmente, nunca a cheguei a completar. Era composta por 240 cromos, numa adaptação livre de Roussado Pinto, para a Agência Portuguesa de Revistas que editou a colecção, nos anos 50, creio. As imagens, de grande apuro gráfico, foram executadas na Fotogravura Nacional, Lda.. A caderneta custava Esc. 4$00. E os cromos da colecção baseavam-se no filme "Pinóquio" de Walt Disney, como na capa da caderneta é referido.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Memória 51 : Lana Turner



Se fosse viva, Lana Turner completaria hoje 90 anos. Foi das mais conhecidas actrizes do cinema americano, nos anos 40/50 do séc. passado. "The Postman always rings twice" ( de que se fez um remake, há poucos anos), de 1946, e "Imitacion of Life", em 1959, foram dois dos seus maiores êxitos. Teve vida amorosa turbulenta. O assassinato, pela filha Cherryl, do amante da mãe, o gangster Johnny Stompanato, em 1958, fez perigar a sua carreira de sucesso. Mas conseguiu ultrapassar essa fase difícil. Morreu em 1995, de cancro da garganta.
A imagem mais antiga que se mostra, data de meados dos anos 40, de uma pequena colecção artesanal de actrizes de cinema. O cromo mais pequeno, com Lana Turner, é de uma colecção da Agência Portuguesa de Revistas: "Famosas Estrelas de Cinema", de finais dos anos 50.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cromos 11 : Colecção Álbum de Zoologia



Desta colecção de 384 pequeníssimos cromos, faltam-me apenas dois, da classe dos Peixes: o nº 211 (ableta) e o nº 215 (tenca). Foi a 6ª colecção de cromos produzida pela Agência Portuguesa de Revistas, logo após a da História de Portugal, que foi um estrondoso sucesso. Seguir-se-iam: Internacionais da Bola, Pinóquio e História Universal, segundo anúncio da contra-capa.
O preço da caderneta da colecção de Zoologia era de Esc. 2$50 e cada pequeno envelope com 3 cromos(-mistério) custava $40 (quarenta centavos). A colecção data dos anos 50.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A pátina do Tempo : Virginia Mayo



Os cromos, em imagem, representam a mesma actriz americana e pertencem a duas colecções diferentes: uma de finais dos anos 40, muito rudimentar, outra mais sofisticada, da Agência Portuguesa de Revistas, do início dos 5o. Às colecções, abordá-las-ei em devido tempo e na secção própria - Cromos.
As fotos apresentam uma senhora bonita (Virginia Clare Jones) que foi a minha primeira grande atracção cinematográfica. A actriz tinha o nome artístico de Virginia Mayo e entrou em mais de 40 filmes. Nasceu há, precisamente, 90 anos, a 30 de Novembro de 1920 e faleceu, de pneumonia, em Janeiro de 2005. Era considerada, na altura, uma das mais belas mulheres americanas.