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segunda-feira, 1 de abril de 2024

Inesperadamente


Nada faria supor que, numa espécie de golpe de mágica, Pedro Passos Coelho (1964) se tornasse reitor da Universidade Católica, derrubando a conceituada senhora reitora Isabel Capeloa Gil, com o apoio soez de Miguel Relvas e do monárquico Sousa Lara. Há também quem diga que contou com o voto encapotado do fadista e político Nuno da Câmara Pereira. Bem como com a benção apostólica de D. Américo Aguiar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Má língua


Andam por aí a dizer que as sondagens da Universidade Católica são todas feitas à saída das igrejas, depois dos ofícios divinos.
Não posso crer!?...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Atenção, isto não é uma sondagem!


Fui almoçar fora. Depois dos dois últimos dias, estava a precisar de ar puro, apesar do calor, mesmo que fosse, como foi, numa esplanada coberta, mas fresca. O restaurante é modesto, mas cozinha com profissionalismo, e o atendimento ultrapassa, ligeiramente, os serviços mínimos. Mas não vale a pena pedir a carta dos vinhos. Vem um Palmela, rude mas honesto - "Um Camolas, que é bom!", diz o Sr. José...
No local, uma dúzia de clientes, contando comigo. Um terço era de ofícios mecânicos, de duas pequenas metalurgias que, na zona outrabandista e milagrosamente, escaparam à voragem e aniquilamento imposto pela UE. Dois reformados, o resto, sobreviventes, em vias de extinção, da classe média lusitana. Ouvi-os. Não sendo uma amostragem tão pernóstica, como é a das sondagens da Universidade Católica (que tem patrocínio divino e benção final do espírito santo), os resultados e opinião eram concludentes. Assim:
1. Depois do discurso de ontem, o actual PM transformou-se num selenita, por vocação.
2. O finado contabilista das Finanças, abortado e falhado metereologista, é um jagunço que mata por carta armadilhada.
3. A contabilista que lhe sucedeu, embora avantajada da cintura para baixo, tem testa curta para o cargo.
4. O ganapo que costuma ir às feiras, antes das eleições, quanto a responsabilidade moral, ainda é menor.
5. Tirando o ministro da Saúde, o resto da canalha andou a gozar e a brincar connosco.
No entanto, e como dizia Pinheiro de Azevedo ("O povo é sereno!"), os comedores à mesa pareciam tranquilos. Apesar de tudo, um terço deles ainda tinha trabalho...

terça-feira, 28 de maio de 2013

Lançamento


Creio que era A. H. de Oliveira Marques que dizia que a História tem de ser vista, também, através da história do homem comum, no seu quotidiano anónimo.
É o que este livro "O Caso de Barbacena", de Margarida Sérvulo Correia, leva à prática, por intermédio de um arquivo de família do pároco João Neves Correia (1878-1953), que se empenhou, no final do séc. XIX e início do XX, na defesa dos direitos dos seareiros contra os terratenentes, na sua freguesia de Barbacena. É um testemunho da História Local, com um anexo documental importante.
O livro foi lançado, ontem, na Universidade Católica, e teve apresentação de José M. Sérvulo Correia e de João Serra.

sábado, 7 de julho de 2012

Cadernos militares


Este livro, de que se mostra a capa, saído em Dezembro de 2011, sob o patrocínio da Universidade Católica, tem o sub-título de "Cadernos de Guerra do Coronel Alberto Salgado", muito justamente. Com um estudo introdutório de Arlindo Manuel Caldeira, a obra é composta por um relato do final do séc. XIX e um diário de operações e ocupação militares, já no decurso da I Grande Guerra, no sul de Angola, escrito pelo seu participante, inicialmente como tenente e, depois, na patente de coronel. O coronel Alberto Salgado (1870-1935) não produziu uma obra asséptica e fria (certamente, nunca lhe passou pela cabeça vir a publicar estes seus escritos), nem sequer um relatório seco e burocrático de operações militares. Das suas palavras, sobretudo na segunda parte (séc. XX), surge uma figura onde as emoções ganham presença, opinião e sentimentos humanos. Sobre este tema colonial, penso que não haverá muitos documentos com esta intimidade pessoal.
Mas esta obra também nos leva a outras reflexões. Na introdução, Arlindo Manuel Caldeira escreveu: "Quando, em 1885, se definiam, na Conferência de Berlim, as regras de ocupação efectiva dos territórios africanos, a presença portuguesa no Sul de Angola era, em larguíssimas extensões, uma ficção política para uso nas chancelarias estrangeiras. ..." Parece ser uma fatalidade portuguesa: ocuparmos apenas o litoral. Ou então, como agora, por preguiça, laxismo, falta de visão e estratégia política abandonarmos ao ermamento e à desertificação todo o interior de Portugal. Retirando-lhe, metodicamente, as infra-estruturas que poderiam ajudar a fixar a população, já de si pobre e carenciada. Não é destino, é simplesmente falta de vontade política.

sexta-feira, 2 de março de 2012

A insustentável leveza dos seres


É sazonal e cíclico, mas certo e constante. Mal começam as aulas, e com particular incidência na altura e época dos testes escolares ou das ilustremente chamadas "áreas-projecto-escola", começam a intensificar-se as visitas ao poste sobre Gomes Freire d'Andrade, onde se fala, de raspão, da peça de teatro "Felizmente há luar", de Luís Sttau Monteiro. É época, também, de numerosas visitas aos postes de Vergílio Ferreira, neste Blogue. Em vez de lerem as obras, os infantes vasculham na net. E, quando observo isto, dão-me uns ataques de nostalgia.
Mas há pior, ou imagino que o seja. Há dias, da mais prestigiada Universidade portuguesa, nos rankings internacionais, veio um(a) visitante consultar por largos minutos, no Blogue, um poste de cromos sobre a História de Portugal, colecção distribuída, nos anos 50, pela Agência Portuguesa de Revistas, e que teve grande êxito no final da infância e início da adolescência da minha geração. Não é para me gabar, mas quando entrei na Universidade, já levava lida a História de Portugal, de Alexandre Herculano, e bons excertos da, dita, Edição de Barcelos. Espero que essa visita, para sossego da minha alma, não tenha vindo do Departamento de História da tal Universidade, mas fosse de um modesto Segurança de serviço para se entreter, e que tinha um computador à mão. Mas também creio que já faltou mais para que alguns blogues, que andam no espaço, comecem a entrar, nas bibliografias universitárias, substituíndo livros e obras de referência. Como dizia Milan Kundera é "A Insustentável Leveza do Ser"...
Por outro lado, gostei imenso dumas "search words" que por aqui apareceram. Diziam assim, sem ponto de interrogação: "vespa morde ou ferra". Se eu tivesse podido entrar em diálogo com a visita, ter-lhe ia dito que a vespa deve ferrar, porque tem ferrão.