Pese embora o aumento da
escolaridade obrigatória, constata-se uma degradação acentuada no que se refere
a uma instrução básica, ferramenta essencial para uma realização pessoal digna
desse nome.
A minha constatação, não
sendo recente, encaminhou-me, desde sempre, para obras com o tema genérico da “ensinança”,
desde os “espelhos dos príncipes”, “tratados sobre a educação dos nobres” até
aos “vademecuns” como o acima reproduzido.
Confesso que sempre aprendi
imenso. Do livrinho de Francisco José Freire, e recordando um verso de Luís de Camões, sobre o seu “discreto secretário”, ficamos, pois, a saber que uma
das principais perfeições do secretário é, como não podia deixar de o ser, a “observância
do segredo”.
Passando das qualidades às
imperfeições, não deixei de reparar nos defeitos da prolixidade, sobretudo
olhando ao panorama que nos rodeia no quotidiano.
Assim, explica o autor o
defeito da prolixidade: “Chamo prolixidade a huma certa vastidão, e grandeza de
Cartas, que dizendo pouco em muitas
palavras, causa fastio a quem lê.
Livra-se por tanto o Secretario de amplificações, digressões, e de outras
semelhantes, e fastidiosas locuções. Fuja de multiplicidade de textos, e
authoridades: e busque sempre ser breve,
com tanto que naõ tire a energia ao conceito, de que usa na sua Carta.”
Sublinhei, portanto, os
conselhos de superior sabedoria do autor, muito recomendáveis a escrevinhadores
actuais, aduzindo que ele associa a prolixidade
à “escuridade no dizer” e, claro
está, à ignorância“, quão grande
defeito seja em hum Secretário.”
Post de HMJ























