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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Últimas aquisições (51)



A política de aquisições, cá por casa e nestes últimos meses, tem sofrido uma desacelaração saudável, felizmente, até porque o espaço para colocação de novos livros é já muito exíguo e nem sempre o mais apropriado. As novas leituras têm sido feitas dos volumes em reserva, que ainda são bastantes.
Mas há obras a que não se pode faltar. Em Novembro do ano que passou, centenário do nascimento de Jorge de Sena (1919-1978), a Universidade do Minho organizou o XXI Colóquio de Outono dedicado ao escritor português, tendo convidado vários docentes universitários nacionais e brasileiros para participar.
Algumas das colaborações vieram a integrar este livro Sena Hoje (Edições Colibri, 2023). Destaque para o estudo de abertura da obra, da autoria do catedrático Vítor Aguiar e Silva (1939-2022), no que terá sido, provavelmente, o seu último trabalho de investigação e ensaio - "Jorge de Sena e o conhecimento científico do texto literário".

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Vítor Aguiar e Silva (1939-2022)



Com Ofélia Milheiro Caldas, Vítor Aguiar e Silva completava o par de assistentes conimbricenses da cadeira de Teoria da Literatura do catedrático A. J. Costa Pimpão, no início dos anos 60 do século passado. Cedo veio a ganhar alforria e voz própria nos estudos clássicos e sobretudo camonianos. Era, creio, o melhor especialista e estudioso, ainda vivo, da literatura renascentista portuguesa. Tive a fortuna de ter sido seu aluno.
Vítor Aguiar e Silva faleceu hoje.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

O estado das (des)Humanidades



Comprei há dias, a preço de saldo (6 euros), um conjunto de ensaios camonianos muito interessantes, editados pela Livros Cotovia (2008), e de autoria do professor catedrático Vítor Aguiar e Silva (1939). Escritos de uma forma simples, trazem uma série de achegas fundamentadas sobre a obra lírica e épica de Luís de Camões. Aquando do lançamento, a obra custava 25 euros.
Exactamente há 40 anos (1981), os Arquivos do Centro Cultural  Português, em Paris, da Fundação Calouste Gulbenkian, produziram um grosso volume de 858 páginas, todo ele dedicado a Camões e à sua obra. Os ensaios pertenciam e contavam 21 camonistas portugueses, bem como acolhiam estudos de mais 18 colaboradores estrangeiros. Grande parte deles ensaístas de renome.
O preço reduzido de saldo que referi, no início, é um seguro indício do desinteresse que a obra terá despertado. Simultaneamente, hoje, eu teria extrema dificuldade em nomear 5 nomes, para além de Aguiar e Silva, de camonistas de reconhecido mérito, a leccionar em universidades portuguesas...

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Português em destaque (12)

 


No dealbar dos anos 60, em Coimbra, ele com Ofélia Milheiro Caldas eram o jovem casal de assistentes do catedrático Álvaro Júlio da Costa Pimpão, na cadeira de Teoria da Literatura. E parece que desde sempre não mais parou de pensar as coisas literárias portuguesas. A sua última obra de ensaísta, Colheita de Inverno (Almedina, 2020), foi aqui falada por HMJ, no Arpose, recentemente.

Falamos de Vítor Aguiar e Silva (1939), a quem foi atribuído o Prémio Camões, merecidamente. No corpo universitário nacional, em que os catedráticos até convidam os cómicos para apresentar os seus livros, Aguiar e Silva é um sábio discreto, sério e sólido, que muito me apraz destacar. E que muito me honra por ter sido meu antigo professor.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Apontamento 139: Reencontro de qualidade


A foto acima, sugerindo uma tranquilidade e a beleza natural de um fim de dia, representa estados de alma desejados, diria até merecidos.

Infelizmente, o habitante da capital do país raramente assim se reencontra com o universo.

As caminhadas pelo centro da cidade, sobretudo da parte da tarde, deixam, normalmente, marcas profundas de desgosto e, quiçá, de revolta perante a degradação, cívica, social e cultural de um espaço de nobreza que merecia outros voos. Convenhamos que, com esta Câmara dedicada a outras prioridades, como a mobilidade e o atendimento a senhores de chapéus azuis, continuamos a milhas de uma convivência civilizada.

Assim, com estes constrangimentos, o reencontro com a qualidade, não sendo impossível, demora a instalar-se, sem qualquer penalização para os transgressores e prevaricadores do espaço público.

Adiante ...

Ainda sou do tempo da leitura quase obrigatória da Teoria da Literatura do autor do livro reproduzido, Vítor Aguiar e Silva. Para além da leitura de outros trabalhos que o Professor Vítor Aguiar e Silva foi publicando, comprei este seu último livro.

Bendita aquisição, no meio de tanto disparate, fornecendo em tom ligeiríssimo e falando sobre assuntos sérios, para captar a motivação de leitores de redes sociais e quejandos, sem reconhecer que a condição de professor de uma Universidade deveria ser motivo suficiente para não rebaixar, de forma infame, o estudo da literatura e da língua.

Mas vamos ao essencial, a saber, à qualidade de um espaço, de um tempo e de uma exigência que continua a proporcionar o pensamento e a reflexão.

Vítor Aguiar e Silva debruça-se, então, neste seu último livro, sobre assuntos teóricos e práticos, i.e., de leituras concretas de autores e obras.

Na primeira parte de «Ensaios de Teoria Literárias» reencontrei-me nessa elevação do pensar e reflectir sobre o Universo, partindo de leituras – da Antiguidade Clássica até aos Modernos – com um domínio de erudição admirável e invejável, por uma capacidade de transmitir fenómenos, conceitos, escolas e tendências com uma clareza rara, mas obviamente assente numa sólida formação humanística.

Não vale a pena dizer que, neste momento, o estudante universitário, se quiser, terá poucos autores para se instruir com maior sabedoria e proveito.

 Das leituras do livro de Vítor Aguiar e Silva apenas se transcreve uma máxima para finalizar este texto.

 Falando de um escritor dinamarquês, Georg Brandes, diz o autor o seguinte:

“O público em geral, com deficiente educação literária, mal informado e com limitada capacidade de julgamento, deixa-se seduzir pelo barulho dos pregoeiros do mercado ou pelos charlatões mais ou menos carismáticos.  (... continuando para sublinhar) a homogeneização neutralizadora da escrita induzida por um mercado cujos milhões de clientes-leitores espalhados por todo o mundo consomem uma literatura estandardizada, sem densidade estética, histórica e social, desenraizada e falsamente cosmopolita,”

 E foi assim, com agrado, o reencontro com a qualidade e no “Felizmente há Luar”.

 Post de HMJ

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Carta da Índia, de Luís de Camões


Pequena terra a nossa em que os pastores são muitos, e as ovelhas poucas. E cada um dos Mestres procura um cantinho protegido do prado para a sua preciosa ovelha. Nos anos 60, quem apascentava Luís de Camões, em Coimbra, era o Prof. Dr. Álvaro Júlio da Costa Pimpão que tinha, como seus assistentes, Vítor Aguiar e Silva e Ofélia Milheiro Caldas (ou agora, Ofélia Paiva Monteiro), especialista ou pastora de Garrett. Ora, nesta ortodoxia pacífica reinante e salazarista, não é que aparece um engenheiro, vagamente poeta, a falar e estudar Camões!?... Desaforo, desrespeito. E houve uma intensa guerra surda que se prolongou para o Brasil universitário quando Jorge de Sena para lá foi. Histórias antigas...que acabam numa introdução de Vítor Aguiar e Silva às "Obras - Edição Fac-Símile da Edição de 1595" de Francisco de Sá de Miranda (Braga, Universidade do Minho, 1994). É um subtil ajuste de contas do antigo assistente de Costa Pimpão, com esse intrometido Poeta. Só que Jorge de Sena tinha falecido em 1979. E, embora eu preze a competência científica e saber de Aguiar e Silva, achei este ajuste, no mínimo, deselegante e sem que permitisse um contraditório.
Ao que eu vinha, era falar das Cartas de Camões - poeta que sempre foi uma "ovelha" muito apetecida nos meios académicos. À obra do nosso Poeta uns lha acrescentaram, outros lha diminuíram, em nome de um cânone mais justo ou mais purista. Hernâni Cidade atribui a Luís de Camões cinco cartas, enquanto Costa Pimpão, apenas, garante duas. Há, no entanto, uma convergência: é a chamada "Carta da Índia" que em Pimpão é a primeira e, em Hernâni Cidade, a segunda. É uma carta muito viva e saborosa (aquela referência às mulheres na Índia...), e o Luís andava a pedi-la. Aí vai, sem mais, e em digitalização da obra de Costa Pimpão.