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sábado, 12 de março de 2022

Dos inconvenientes da iliteracia

 


Escrevera-te uma carta,
se tu a soubesses ler,
mas tu dá-la a ler a outro,
tudo se vem a saber.


(Quadra popular registada por J. Leite de Vasconcellos, na região de Moncorvo.)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Citações CCCXXXII


No estilo fui sóbrio, não empregando sequer um adjectivo inútil; creio que, nas obras didácticas, à seriedade da ideia deve corresponder sempre a seriedade da forma.

José Leite de Vasconcellos (1858-1941), no prefácio a Opúsculos (1886).

sábado, 12 de agosto de 2017

Dispersas e matinais


Se os relvados ainda estão verdes, graças à rega matinal mecânica, já apresentam, porém, grandes peladas acastanhadas pela falta de chuva. As flores dos aloendros, mal nascem, ficam logo meladas e definham, sem crescer. E, à volta das pobres oliveiras centenárias, o solo está juncado de azeitonas ainda verdes e raquíticas. Uma dor de alma!
A falta de água provoca uma acentuada luta pela sobrevivência do mundo da natureza.
Formigas endiabradas e vorazes esburgavam a carcaça de uma carocha pequena e negra, já morta.
No Mercado, as bancas de peixe tinham clientes, mas o talho estava vazio e às moscas.
A D. Irene tinha o seu lugar cheio de fruta e como lhe esgotamos os figos lampos ainda verdes, lançou, popular e críptica, o seu provérbio: "Na minha casa há mulher, na da vizinha envergonhei-me."
Não fora eu ter lido, há dias, uma nota de Leite de Vasconcelos sobre ditados portugueses, e ficaria preocupado e curioso, com o dito da D. Irene. Dizia o linguista e etnólogo português que nem sempre os adágios têm conceitos sábios ou claros. É necessário é que tenham rima. Seja ela disparatada ou erudita...

sábado, 12 de setembro de 2015

Curiosidades 47


Aconteceu, hoje, que encontrei uma moeda de um cêntimo, na rua, que levantei e guardei, mais por graça do que por cobiça... Como me tinha sucedido, pouco antes, ter folheado o IX volume dessa obra magna, de José Leite de Vasconcellos (1858-1941), intitulada Etnografia Portuguesa. Fragmentária, excessiva talvez, os seus dez volumes recolhem curiosidades, usos, filologia, arqueologia e costumes da terra e gentes portuguesas. Que, não fora Leite de Vasconcellos tê-los fixado, provavelmente, se teriam perdido para sempre. Por coincidência, desse nono volume da obra (página 5), transcrevi uma parte referente a achados e seu significado supersticioso, que passo a citar, pela curiosidade:
" ACHADO: 1) Achar na rua uma agulha de coser é galinhaço, isto é, azar, por ser objecto que pica (Ponte da Barca).
2) Achar cinco réis, e agora meio tostão, é azar (Por ser achado miserável?) Idem.
3) Quando se encontra uma ferradura, deve apanhar-se com a mão esquerda e levantar um pé para dar sorte (Algarve).
4) Achar um sapato velho dá sorte (Lisboa)."