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terça-feira, 15 de julho de 2014

Onírica e cultural


Como se poderá atravessar a manhã, um falcão adestrado sobre a luva de couro grosso, até chegar à "Norma", improvável? Enquanto a brisa ligeira ilumina de brancura trémula as colinas (ou serão cortinas?) transparentes, que esvoaçam.
Para trás, o sonho lento da chegada, até dar com os conhecidos-amigos espectantes, ao de cima, no quinto andar, na realidade, há muito abandonado. Mas sei que levamos algo connosco, talvez livros bem pesados, dicionários, súmulas bibliográficas.
E, por isso, embora obstinado, o monta-cargas vai lento, criando em nós a dúvida da chegada, uma angústia leve de olhos semi-cerrados, para dizermos, alegre e simplesmente: bom dia!

sábado, 25 de maio de 2013

Pinacoteca Pessoal 51


Algo enigmática, esta obra de Vittore Carpaccio (1460?-1525?), intitulada "Duas Venezianas num Balcão", pintada no final do séc. XV, parece personificar o tempo morto de uma espera, onde duas mulheres, ricamente vestidas e com colares de pérolas, se vão entretendo com vários animais domésticos (cães, rolas, papagaio...). Não será bem um retrato, mas não chega também a ser uma história.
Carpaccio terá aprendido a sua arte com Bellini. O quadro pertence ao Museu Correr, de Veneza.