Mostrar mensagens com a etiqueta Reno. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reno. Mostrar todas as mensagens

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Divagações 214



Pela 3ª vez me vem à colação, no Arpose, o Deutsches Eck e a cidade de Coblença (Alemanha). Se da primeira vez (4/12/2011) o motivo foi a escassez de água no Reno que provocou a interrupção do tráfego fluvial e a descoberta de duas bombas por deflagrar, no fundo das areias, provenientes de bombardeamentos dos Aliados na II Grande Guerra, desta vez, pelo contrário, foi o excesso de águas do rio germânico, cerca de 14 anos depois, que quase provocou a submersão da estátua equestre do imperador Guilherme I (1797-1888) que, com Bismarck (1815-1898), foi responsável pela unificação alemã, em 1871.
Encimando o poste, fica a fotografia recente e comprovativa da inundação no Deutsches Eck.

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Uma fotografia, de vez em quando... (189)

 

Manhã cedo, Merkenich com diáfana neblina junto ao Reno, dois vagos cães, à esquerda, e a que falta a cuidadora. Ao longe, a igreja de Sankt Brictius, predominante.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Recuperado de um moleskine (32)


Nos últimos dias, impetuosamente, o Reno subiu mais 6,80 metros e o Mosela, ultrapassando-o, 9. As águas já lambem as bermas das estradas, por causa das chuvas diluvianas oriundas da Floresta Negra. Nascem pequenas ilhas irreais, aqui e ali. E a viagem, pela marginal, até parece fazer-se de barco.
Três pombas, um corvo, duas rolas nervosas e uma pêga terão sobrado da arca e procuram um lugar seco onde pousar... Um homem, no caiaque, tenta contrariar a corrente do Reno, com gestos aflitivos ou, pelo menos, desordenados. Só um grupo de patos selvagens assume, em tudo isto, uma postura  calma e quase normal.
Como eu, depois, dentro do metropolitano aquecido me encaminho, já tranquilo, para Colónia.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A caminho do Reno


Recuadas na memória tenho imagens minhotas de pequenas poças cristalizadas, nas manhãs frias do pico e rigor do Inverno. Mas era uma capa finíssima que estilhaçava, como mica transparente, à menor pressão do meu sapato, quando descia ao quintal. E donde a água se libertava e adquiria a sua consistência natural - líquida.
Nada que se compare, porém, à solidez e beleza das fotografias das poças semi-geladas renanas, que uma amiga nossa, afectuosamente, nos enviou.


Entre a pequena aldeia de Merkenich e o curso natural do Reno, há um pequeno território onde não se podem construir habitações. Mas onde se podem, na Primavera e Verão, cultivar couves, tomates, batatas, abóboras, porque a terra é úbere e generosa. Mas, agora, a terra está dura, enregelada, imprestável para produzir. E foi nos seus sulcos que se criaram estes singulares e estranhos arabescos, que a Ruth nos mandou, em fotografia, para avaliarmos o rigor deste Inverno alemão de 2017, na região de Nordrhein-Westfalen.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Retro (85)


Foram as minhas últimas quatro aquisições de postais do início do século passado, escolhido o da imagem que encima o poste, para ilustração condigna. É possível - palpite de HMJ - que represente a tentadora e fatal Lorelei, no seu Reno, que ali estava e cantava para perdição dos marinheiros.
Mas o postal tem ainda a singularidade de, no verso, trazer um soneto da época, de um vate prendado, que dava pelo nome de Fernandes Costa. Dei-me ao trabalho de o transcrever, para poder ser lido em melhores condições. Julgo que, quer o postal quer o soneto, sejam das primeiras duas décadas do séc. XX. Serão, muito provavelmente, centenários.


Para chave de ouro, resolvi incluir também a célebre canção popular alemã que, se calhar, não era conhecida do prendado sonetista português. Numa límpida interpretação de Peter Schreier (1935).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pés frios

Voltaram as pombas e as gaivotas, em profusão matinal. E o Sol levantou-se vermelho, no horizonte, a leste. Os corvos lisboetas, não os vejo, e os estorninhos, se vierem, hão-de aparecer mais tarde, ao cair da noite. O Tejo é um espelho de cegueira, para quem o olha, na manhã bem fria, mas o rio vai liso e sem barcos, enquanto o Reno era constantemente cruzado por compridos e rasos batelões-contentores, num dinamismo comercial intenso.
Trago a lembrança da neve, caindo em flocos suaves sobre Andernach. Não a via há mais de 48 anos, mas o frio de Lisboa é bem mais difícil de suportar que o de Colónia (diz-me JAD, que é da humidade). Os meus pés gelados, até alta madrugada, apesar do édredon de penas suavíssimo, tiveram saudades das noites alemãs.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Durar

Nunca saberemos se é a última vez. Que vemos ou falamos. Que estamos à beira de um amigo, e lhe falamos; que vemos uma paisagem ou passamos num lugar. Acabam, inesperadamente, muitas coisas numa vida. Seja ela longa, embora.
Custa-me a acreditar que, para o ano, se completa meio século, sobre a primeira vez que visitei a Alemanha.
O Reno vai cheio e as árvores despidas pelo Outono. Pequenas aldeias se namoram de margem a margem - que a distancia é, às vezes, bem pequena.
Vejo Brühl, Bona, Remagen, que passam rápidas na janela do comboio que nos leva a Koblenz. Voltarei a vê-las, neste aconchego grato da memória?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

À beira Reno

O moleskine trazia já algumas notas escritas e antigas, quando o abri. Nomes estranhos, vagos lembretes, que tentei decifrar. Aniversários, mas que ocupavam apenas os primeiros 4 meses de um ano distante. Havia  uma nota com a data de um último dia de trabalho: 3 de Julho. E, também, uma partida (6 de Agosto), bem como um regresso: 31 de Dezembro. Algumas frases de Goethe, Camus e Grass ocupavam toda uma página escrita, numa letra apressada.
Mas havia imensas páginas vazias, no moleskine, e, por isso, eu comecei a escrever:
Na aldeia, a noite cai mais cedo e, a luz amarela à Fassbinder, que ilumina o átrio da casa defronte, parece acompanhar o canto rouco, sinistro, dos corvos que se ouvem ao longe...

domingo, 23 de setembro de 2012

Divagações 30

Emissário do Outono, o visitante nocturno trouxe-nos a notícia que já chovia em Lisboa. Clássica, e como no hábito antigo, começara de Norte para Sul. O tipógrafo renano, na sua sabedoria de rios e campos, costumava dizer que a chuva demora sempre, um bom bocado, para atravessar um rio. No seu caso, falava do Reno.
Porque a chuva outrabandista tardou quase uma hora, para vencer o Tejo. Já o emissário outonal tinha partido, deixando a memória do Cardeal-Rei, nas páginas a imprimir, sobre a mesa. Já tinhamos, nós, fechado a luz, quando ela se fez ouvir, fragorosamente, sobre as ruas e as terras ressequidas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O Reno, segundo Victor Hugo

Algum estranho encanto o Reno terá exercido sobre Victor Hugo (1802-1885), para ele o superlativizar tanto, mesmo no confronto com rios franceses. Não sei donde virá este louvor, na obra de Hugo, porque a referência vem num guia turístico (Bords du Rhin, 1909?), em língua francesa. Assim segue, em tradução:
"O Reno reúne tudo; é rápido como o Loire, serpenteia como o Mosa, tão tortuoso como o Sena, límpido e verde como o Somme, histórico como o Tibre, real como o Danúbio, misterioso como o Nilo, com palhetas de ouro como um rio da América, coberto de fábulas e fantasmas como um rio da Ásia."

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Pai Reno

Não é da importância económica do Reno que pretendo falar, mas, sim, da ligação afectiva dos habitantes ao rio. Julgo que a epígrafe diz tudo, é o pai Reno [o Vater Rhein] para aqueles que vivem junto dele, para o bem e para o mal.
Lembrei-me, a propósito, de uma canção carnavalesca sobre o tema, evocando o Reno e as colinas cobertas de vinha.

No entanto, a força das águas e as cheias no Inverno transformam, para o bem e para o mal, o querido pai, frequentemente, em pai mauzinho [der böse Vater Rhein!]. Foi com esse título que recebi, ontem, uma foto do Reno, a subir, na antiga Confluentia dos rios Reno e Mosela.


E para os residentes de Oberwerth, um ilha no Reno até ao séc. XIX, a água pode vir dos dois lados e, eventualmente, obrigar ao abandono da casa.

Portanto, cuidado com o "pai tirano" !
Post de HMJ, para R + MG

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os lugares, o tempo e os livros


Era habitual, quando saía por muito tempo, de férias, normalmente, levar comigo 3 livros: um policial (Maigret, de preferência), outro de prosa (romance ou ensaio) e, mais um, de poesia. De uma vez, lembro-me que juntei "Alegria Breve", de Vergílio Ferreira, às "Rimas" de Xavier de Matos, acompanhados por um Simenon, de que já não recordo o título. Sei, é que os li à beira Reno, num Verão bem quente. Foi um contraponto insólito: o frio e a neve que caía no romance, contra as altas temperaturas de Merkenich, temperadas apenas pelas águas, ainda frescas, do Fühlinger See.
Mas é um bom exercício para a memória tentarmos lembrar o local onde lemos determinado livro, ou algum poema que nos ficou de cor, de algum lugar. No Verão de 1989 (e por várias associações mentais, que faço), sei que li um estranho poema, embora muito interessante, "Da Creação et Composição do Homem" que, apesar de incluído nas "Obras de Luís de Camões" (edição de Paris, 1759, por onde o li), foi escrito, na verdade, por André Falcão de Resende.
Ainda mais marcante, no entanto, desse Agosto de 1989, foi a compra de um voluminho (na imagem), estimável e simpático, de René Char. Foi adquirido num pequeno alfarrabista de Liége, nas margens do Maas, um sábado ou domingo em que havia Feira da Ladra, na cidade. Edição numerada (o meu tem o número 234), custou-me 350,00 francos belgas, muito bem empregues. Li-o, depois, vertiginosamente, em Dilsen, numa casa alta de madeira, encantadora, com um soberbo jardim, em volta.

para HMJ.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

arte menor (3) : bestiário renano


1. Três vezes subi ao ninho. Por três vezes, também, os melros jovens insistiram nesse voo inábil ao findar do dia. Quando partiram, o último, mais frágil, adormecera para sempre sobre o leito frio. Eu tinha-o escolhido para a parábola silvestre. Contrariou-me o destino, ou os pais apressados em abandonar o ninho, sobre a trave queimada.

2. Lebre lhe chamava, láparo seria.
Ou fora apenas ave que, perdida
no ar procurava a sombra de nuvens
na raíz mais núbil das cenouras
soterradas.

3. Subiu a rosa por amor de si. Orgulho por entre o pavor das vespas e a minúcia ordenada por abelhas. De morango e leite, lembrava-me a cor. O suor nupcial da manhã. Ao cimo da jarra azul na tarde.

4. Desperta-me a criança na janela. No silêncio da manhã, pergunta-me coisas simples: como nasce um rio?, de que cor é a chuva? Descubro que envelheci, ao responder - os bolsos vazios perderam-se do paraíso. As dúvidas ao fim do sono. Melhor: as maçãs escavadas pela febre das vespas.

Mk., Ago. 90/ Sb.-Lx., Jan. 93-Jan. 11

P. S.: para HMJ.