O filósofo australiano Damon Young (1975), em The Art of Reading (2016), enumera 6 preceitos ou qualidades, necessários, para se ser um bom leitor. A curiosidade, que caracteriza o prazer da actividade e movimento intelectual, a paciência, para ultrapassar as dificuldades e a coragem de evitar a tentação do controlo excessivo, sem algum abandono, e as conclusões muito apressadas sobre a obra, que estamos a ler; mas também o orgulho de ter prazer nos progressos e sucessos alcançados, a temperança, no sentido de um equilíbrio de apetites (gosto), e, finalmente, a justiça que permita, ao leitor, um ajuízado, porém generoso, sentido crítico sobre o que foi lido.
Não estando eu em desacordo com este critério, nem com esta enumeração de virtudes necessárias a uma arte de leitura, pessoalmente, acrescentaria às 6, mais 2 requesitos: a persistência, porque nem sempre o livro, que estamos a ler, se coaduna com o nosso estado de espírito, e é preciso um esforço de continuidade, nem sempre fácil. E, um pouco em sentido contrário, a supressão da gula (causada por excesso de gosto) que nos faz ler, por vezes, demasiado depressa uma obra, sem a acompanharmos de uma atenção devida. O ritmo de leitura parece-me ser um factor fundamental para a apreensão integral de um livro, nos seus múltiplos aspectos de estilo, fantasia e reflexão.
É obvio que todas estas considerações se referem à verdadeira literatura...
