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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Bibliofilia 154


Em observação ligeira, embora diversificada, tenho verificado que, nos lugares nobres e mais frequentados de Lisboa, os restaurantes têm vindo a aumentar os seus preços, significativamente. Penso que devido ao aumento brutal do turismo, mas também a alguma estabilização política e económica, registada no último ano, em Portugal. Bem como, por outros motivos certamente, o mercado do livro usado e antigo tem sofrido alterações de preços, no sentido ascendente. Para não falar dos preços dos livros novos...

Todos temos fraquezas. Todos temos alguns livros que, de há muito, gostaríamos de possuir na nossa biblioteca, mas o seu preço, demasiado alto, ou a sua raridade não no-lo tem permitido. Confesso que existem 4 ou 5 títulos que eu ambicionava ter, porém, já não estão, na sua maioria, ao alcance da minha limitada bolsa e disponibidades. Por outro lado, os alfarrabistas têm, também, os seus fetiches. É sabido, por exemplo, que as primeiras edições de Camilo são, normalmente, mais caras no Porto, do que em Lisboa...

Recebi, há alguns dias atrás, o Boletim Bibliográfico 57, da Livraria Luís Burnay, com um rico acervo de manuscritos (Garrett, Botto, D. Carlos, Herculano, Pascoaes, Vieira da Silva...), que integra ainda alguns outros lotes interessantes, de que destacaria:


38  - Catálogo da Biblioteca de Victor d'Avila Perez, em 6 volumes (1939-41)............... 38 euros.
116 - Menino, Pero - Livro de Falcoaria (1931).......................................................... 50 euros.
304 - Álbum do "Cavaleiro Andante" (BD), completo (1954-1963) ..............................  800 euros.

Tenho, na minha biblioteca, exemplares dos dois primeiros lotes, em bom estado, e que comprei, em finais do século passado, respectivamente, por: Esc. 4.500$00 e 2.200$00, num alfarrabista de Lisboa.


Ora, à luz desta realidade, os preços destes dois lotes referidos, no presente Boletim Bibliográfico, parecem-me relativamente desajustado ou, pelo menos, desproporcionados, entre si.
A menos que a procura se tenha grandemente invertido, nos últimos anos. O que me parece muito pouco provável...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Boletim Bibliográfico


Mais um Boletim Bibliográfico, de Dezembro de 2015, de Luís Burnay, que me chegou às mãos pelo Correio, hoje. O último enviado ainda com a porta aberta da Livraria homónima, na rua das Chagas. Que, como é referido na introdução, pelo proprietário, a livraria encerra, por várias razões (como tantas outras já o fizeram, infelizmente, nos últimos tempos...), mantendo-se a actividade de venda de livros usados, via Internet, apenas.
Boletim recheado de boas e raras obras de Poesia, talvez a temática mais forte, desta vez. Pela preciosidade, eu destacaria três lotes e os respectivos preços:
29 - Diogo Bernardes, O Lyma, na sua 3ª edição (1761), em pequeno formato... 170,00 euros.
101 - Fr. J. de Santa Rita Durão, a raríssima 1ª edição (1781) de Caramurú... 2.200,00 euros.
281 - A. D. da Cruz e Silva, os 6 volumes das suas Poesias (1807/1817), da Typographia Lacerdina, ao preço de 150,00 euros.
A quem possa...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bibliofilia 97


Raras são as obras do poeta Herberto Helder que não se esgotam, rapidamente, após a saída e constituem, depois, livro procurado e apetecido em alfarrabistas e leilões, onde os preços sobem sempre alto.
O folheto (24 páginas) O Corpo  O Luxo  A Obra teve uma tiragem de apenas 600 exemplares e custava, na altura (1978), Esc. 30$00.
O livrinho Cobra é anterior (1977), e terá sido - ao que dizem - objecto de uma impressão espúria, feita no Porto. O meu exemplar, da edição original, faz parte de uma tiragem de 1.200 e custou Esc. 70$00.
Um exemplar, semelhante a este último, constituía o lote 120 do Boletim Bibliográfico (nº 54, Fevereiro de 2014) da Livraria Luís Burnay, com o preço de venda de 85,00 euros.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Leilão, antes das férias


Promovido pela Livraria Luis Burnay, mais um leilão a realizar no início de Julho, constituido por obras muito variadas, provenientes de uma biblioteca particular e de um arquivo editorial (Eduardo Salgueiro).
De autógrafos de Camilo, Nobre, Régio, Nemésio e Jorge de Sena (4 cartas), até à primeira tradução da Bíblia (Lote 73) para língua portuguesa, feita por António Pereira Figueiredo, com uma estimativa de venda entre 400 e 1.000 euros.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Bibliofilia 79 : Herberto Helder


Já depois de ter lançado, hoje, o poste sobre o próximo leilão de livros, a cargo da Livraria Luís Burnay, quis confirmar, na minha biblioteca, a existência do exemplar de Poemacto, de Herberto Helder. Realmente, existia, mas o que eu não me lembrava é que o livro tinha dedicatória do Poeta - como se pode ver na imagem. O que, indubitavelmente, o torna mais valioso.
A obra, de grafismo muito sóbrio e boa qualidade estética, é uma produção artesanal da editora Contraponto, orientada, muito bissextamente, por Luiz Pacheco. Sendo, como é, o quarto livro de Herberto Helder, e de tiragem pequena, a obra é rara. Tê-la-ei comprado no início dos anos 90, em Lisboa. Dei, pelo livrinho, Esc. 2.500$00 (o equivalente, hoje, a 12,50 euros). Pelo valor previsto de venda, no próximo leilão de Luís Burnay, posso afirmar que foi um óptimo investimento... Embora não tenha sido essa a intenção da compra.

Leilão de Primavera


Mais uma almoeda de livros oriundos, maioritariamente, de uma biblioteca particular (J. A. Ferreira de Almeida), promovida pela Livraria Luís Burnay, e que terá lugar nos próximos dias 22, 23 e 24 de Abril.
Dos 979 lotes, pessoalmente, eu destacaria as seguintes primeiras edições, com os números:
370 - Herberto Helder - Poemacto (Lx., 1961), com uma estimativa de venda entre 180 e 400 euros.
543 - Almada Negreiros - A Invenção do Dia Claro (Lx., 1921), entre 200 e 400 euros.
694 - Camilo Pessanha - Clepsydra (Lx., 1920), de 180 a 400 euros.
785 - Mário de Sá-Carneiro - Princípio (Lx., 1912), com uma estimativa entre 400 e 800 euros.
Mas há muitas outras raras edições de Fernando Pessoa, José Régio, Torga...

sábado, 19 de maio de 2012

Autógrafos, Fotos e Efémera


Mais um leilão a realizar no início de Junho, pela Livraria Luís Burnay. De destacar, 1 carta de Cesário Verde (pouco frequente), 2 cartas de António Nobre, 3 de Camilo Castelo Branco, 4 do Marquês de Pombal. De Camilo (lote 90), há ainda uma rara fotografia (1882) com dedicatória do romancista, no verso. Tem uma estimativa de licitação entre 400,00 e 800,00 euros.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Livros em Leilão


Mais um leilão de livros, da Livraria Luís Burnay, proximamente, a ocorrer nos dias 20 e 21 de Março. Destaco o lote 16, de Eugénio de Andrade, numa primeira edição de Até Amanhã (1956), com uma estimativa de venda de 80 a 160,00 euros, bem como a edição original de Mau tempo no canal, s.d. (1944), de Vitorino Nemésio (lote 479), com previsão entre 150 e 300,00 euros. E ainda o seiscentista Definições/ E Estatutos/  Dos Cavaleiros/ & Freires da Ordem de N. S. Iesu Christo... (1628), impressão de Pedro Craesbeeck (lote 205), que, embora com falta de 2 estampas, vários defeitos e restauros, tem uma estimativa entre 80 e 160,00 euros. Há de tudo, e para todos os gostos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Bibliofilia 54 : "O Feliz Independente..." do Padre Theodoro de Almeida


No tempo em que eu frequentava, com alguma assiduidade, os leilões de livros, lembro-me que HMJ teve alguma dificuldade, e demorou tempo, até conseguir comprar "Pyrene" (1935), de Fidelino de Figueiredo (1888-1967), até porque não se encontrava o volume nos alfarrabistas, ou era muito caro. A obra trata das relações culturais, sobretudo literárias, dos dois países peninsulares - Portugal e Espanha. Pois, há dias, com surpresa e alguma nostalgia, fui encontrar o livro, em razoável estado de conservação, no meu alfarrabista de referência. E na prateleira de baixo, última e térrea, de uma das estantes. O que queria dizer que se poderia comprar por 1,00 ou 2,00 euros. Significava isto que o livro não tinha já procura. Como diria o bom velho Sá: "...Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,..."
Muitos clássicos e diversas obras que foram e são importantes, graças à desastrosa, bárbara e cega política de Ensino, nos últimos anos em Portugal, estão hoje nos sotãos e caves do esquecimento cultural. Só um ou outro académico bisonho e curioso irá ter com eles, para os ler ou estudar. Prova mais que suficiente, é um inquérito que se fez recentemente a alunos e professores que, para escândalo de alguns (poucos: "la inmensa minoría"), mostrava à saciedade o grau de incultura e ignorância alarve de "mestres" e discentes...
Recebi hoje o Boletim Bibliográfico 52 (Novembro de 2011) da Livraria Luís Burnay e, ao folheá-lo, dei com o Padre Theodoro de Almeida (1722-1804?) e o seu "O Feliz Independente do Mundo e da Fortuna ou Arte de viver contente em quaesquer trabalhos da Vida" (no catálogo era o lote 18), na sua edição primeira, de 1779, em três volumes, ao preço fixo de 100,00 euros. A obra, de intuitos apologéticos e morais, tem como cenário a Polónia.  Este livro foi um best-seller, na época, mas hoje quem é que terá paciência para ler as suas quase 1.000 páginas?, embora de escrita elegante e escorreita. Creio que só um académico devotado. Não tenho a primeira, mas tenho a 2ª edição, de 1786. É uma impressão cuidada, bonita, com gravuras interessantes de que se dá uma amostra, em imagem, do frontispício do volume I, para que conste. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Bibliofilia 39 : Vergiliana



Parece que a crise não atingiu (ainda?), de forma muito significativa, os preços de livros menos frequentes e/ou raros, pelos valores (altos) alcançados, recentemente, em leilões. Ou até nos preços que tenho observado, nos alfarrabistas e boletins bibliográficos, em circulação. E isto também se aplica a autores recentes ou do séc. XX. Que os primeiros livros de Herberto Helder e Luiz Pacheco, nas suas edições originais, eram caros, já eu sabia. Que Ruy Cinatti, nas suas últimas edições, feitas em vida do poeta, policopiadas e frágeis, também era do meu conhecimento que eram muito disputadas. Mas que as edições originais dos primeiros livros de Vergílio Ferreira (1916-1996) eram caras, foi novidade para mim.
Pois, num boletim da Livraria Luís Burnay (nº 45), do ano que passou, aqui vão alguns preços de parte das primeiras edições de Vergílio Ferreira:
- Lote 164: Aparição, Portugália, 1959 - 130,00 euros;
- Lote 166: Mudança, Portugália, 1949 - 220,00 euros;
- Lote 167: O Caminho fica longe, Inquérito, 1943 - 320,00 euros;
- Lote 168: Onde tudo foi morrendo, Coimbra Editora, 1944 - 350,00.
Destas primeiras edições, tenho Aparição, encadernado mas, infelizmente, sem a capa da brochura, com desenho bem executado por António Charrua. Na minha posse, também, mas brochado e íntegro, Onde tudo foi morrendo, com capa um pouco manuseada e gasta, ilustrada por Regina Kaprzykowski, de origem polaca, e mulher de Vergílio Ferreira.
Este último livro custou-me, em Coimbra, e no início dos anos 60 do século passado, Esc. 25$00.

sábado, 25 de setembro de 2010

Bibliofilia 30 : Almeida Garrett


O poema "Camões" em dez Cantos, de Almeida Garrett (1799-1854), foi publicado em Paris, sem o nome do autor, em 1825. No prefácio é dito que "sai acabado da imprensa, hoje 22 de Fevereiro de 1825". O exemplar na minha posse, e embora não tenha elementos rigorosos de informação, deve ter sido comprado no início dos anos 90 do século passado, em Lisboa. E, com certeza, não me terá custado mais de Esc. 10.000$00 (cca. 50,00 euros). Não é raro, mas também não aparece, muito, à venda.
Num leilão da Soares & Mendonça, em Outubro de 1989, foi vendido (lote 77) um exemplar completo, igual, por Esc. 8.000$oo (cca. 40,00 euros). Em 22 de Fevereiro de 2008, R. C. Ramer, no seu catálogo, vendia outro "Camões" (mas incompleto, com falta da página final da Errata) por USD. 1.500,00 (dólares). Como este Alfarrabista vende, sobretudo, para os E. U. da América, talvez sirva de atenuante esclarecedora a exorbitância do preço... Recentemente, recebi o Boletim Bibliográfico nº 46 (Setembro de 2010), da Livraria Luís Burnay que, no lote 256, propõe para venda um exemplar completo do "Camões", de Garrett, por 260,oo euros.
Nota muito posterior: em tempo, ontem (30 de Setembro de 2010), encontrei, num alfarrabista de Campo de Ourique, um exemplar igual, à venda por 35,00 euros, completo, embora com encadernação muito gasta. Donde se conclui que não se deve comprar por impulso. Sobretudo aos alfarrabistas que vendem para a América...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Leilão de Manuscritos, Autógrafos, Fotografias e Efémera



Não sendo meu hábito, no Arpose, informar sobre acontecimentos culturais ou outros, neste caso concreto, e pela sua importância, resolvi dar notícia dele. O leilão, que se realiza no próximo dia 19 de Junho, pelas 15 horas, no Hotel Roma, inclui manuscritos e autógrafos muito diversos que vão de Eugénio de Andrade a Vitorino Nemésio, da Raínha D. Catarina (viúva de D. João III) a D. Luiz e D. Carlos, de C. R. Boxer a Edgar Prestage. Os lotes podem ser vistos na Livraria Luís Burnay (Calçada do Combro, 43-47 - Lisboa), nos dias 17 e 18 de Junho.