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sábado, 4 de julho de 2015

Apontamento 71: Deformação (bis!)


[capa da Revista: Der Spiegel, usando o termo de "Trümmerfrau" numa alusão às mulheres que, no final da Segunda Guerra Mundial, se orientaram nos destroços]

Depois de termos falado da deformação que corresponde, actualmente, a um "jornalismo" que se auto-denomina de "independente", basta consultar a imprensa alemã, um dia antes do referendo grego, para clarificar conceitos básicos. A saber: a informação passou a ser propaganda. 

Tudo serve para humilhar um povo. Até se insiste a falar dos "bons exemplos" de Espanhóis e Portugueses que resistiram, e bem, aos tais "programas de bem-feitorias". Aos vendilhões do templo, ou seja, aos jornalistas do Frankfurter Allgemeine Zeitung ou até da estação pública de televisão ARD, falta-lhes, na ausência de qualquer ética profissional ou dignidade pessoal, a humildade de reconhecerem a sua ignorância. São trabalhos "jornalísticos" em cima do joelho, feitos, porventura, numa esplanada qualquer o observar o mar.

É por isso que o apelo de Jacques Delors, no "Le Monde", nem sequer teve a mais leve ressonância na imprensa alemã, porque destoava no "coro" que culpa a Grécia de todo o mal.

Lá está a página do DER SPIEGEL a antecipar-se, porque se "o Euro falhar, falha Merkel", i.e. a chanceler, claro ! E juntam-se as imagens dos destroços às tais metáforas de destruição e culpa !

Oxálá, que o Domingo sirva para virar uma página nesta encenação vergonhosa da pretensa supremacia alemã, carente de qualquer clarividência ou superioridade espiritual !

Post de HMJ

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Apontamento 69: Deformação




Se, entre outros aspectos, a Grécia enriqueceu, ultimamente, o restante espaço europeu, terá sido, seguramente, pelo seu contributo na “re-definição” dos meios de comunicação social.

Aliás, a tendência oculta de transformar os “meios de informação” em “veículos de deformação” tem um início bem definido: o avanço de Bush sobre o Iraque e a sua “campanha de informação”, com uma fotografia em que não faltou o nosso “Zé Manel”. Para os que continuam com dúvidas sobre o efeito da estratégia, não vale a pena pôr “flores” numa qualquer praia tunisina, porque são “lágrimas de crocodilo” que não convencem os espíritos esclarecidos.

De momento interessa-me mais, pelo incómodo intelectual que provoca, falar do triste espectáculo a que a Alemanha se tem prestado sob a égide de uma qualquer “angélica” de duvidosa clarividência. Na suposição de se tratar da “pessoa feminina de política” mais poderosa – sabe-se lá o que tal significa para a capacidade intelectual inerente – pergunta-se, pois, o que significa a sua última afirmação pomposa: “falha o Euro, falha a Europa”. E a responsabilidade principal não será da “pessoa mais poderosa” no meio deste baralho de actores secundários e figurantes ?

Aconselho, vivamente, um artigo no DIE ZEIT de 28.6.2015 sobre a “SALADA METAFÓRICA DA CRISE”, grega, claro ! Belíssimo trabalho jornalístico, explicando a origem e o efeito de metáforas, analisadas no seu propósito de modificar o pensamento do cidadão “de mansinho”.

A deformação dos meios de comunicação demonstra, claramente, que o jornalismo – sério e de informação – se encontra em declínio. São poucos os jornais que fornecem INFORMAÇÃO, deformando, lenta mas decididamente, as cabeças dos cidadãos.

E o “anjo” mais poderoso da Europa não sabe o que há-de fazer perante tanta miséria ???

 Post de HMJ