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quinta-feira, 11 de maio de 2023

Novas de agricultura



Como as batatas, as cerejas sobem de maduras de Sul para Norte: do Fundão e Guardunha, até Resende. As batatas começam a amadurecer do Montijo e Torres Vedras, para vir a chegar, tempos depois, a Trás-os-Montes.



Posso testemunhar, pela prova de hoje, que as cerejas a Sul, já estão maduras e boas. E algumas qualidades de pêssegos, também. Nestes particulares, a Natureza não se atrasou este ano. Pelo contrário.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Aquiliniana, sobre batatas


Rudimentar, mas sábia e talvez útil, esta informação agrícola colhida em Aquilino Ribeiro (1885-1963), no seu Cinco Réis de Gente (1948), assim:

"- Como se obtêm essas batatas, ó abade? Por intercessão dos santos... ou que milagre é este?
- Não é milagre, meu ilustre amigo. Qualquer pecador da serra tem esta regalia.
- Pois olhe, eu na quinta, apesar de todos os adubos, não consigo nada que se pareça.
- Não consegue, não. São privativas deste solo pobrinho. O segredo está nos três quindins: terra granita, água granita, e caganita, com perdão de Vossa Excelência."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mercearias Finas 69 : globalização, cavalos e batatas


Às vezes esquecemos que a primeira globalização, no séc. XVI sobretudo, contribuiu grandemente para o enriquecimento cultural, gastronómico e até para uma maior biodiversidade dos continentes. Por termos visto muitos filmes sobre o faroeste americano, temos dificuldade, por vezes, em lembrarmo-nos que os primeiros cavalos que pisaram o solo americano, foram levados da Europa, por Fernando Cortez.
Mas também recebemos em troca. Por exemplo a batata, que veio dos Andes e acabou por substituir as castanhas, no acompanhamento das refeições, em muitos países europeus. No entanto - e era aqui que eu queria chegar, para o dizer -, nunca, até há 15/20 anos atrás, me chegou ao prato batata de tão fraca qualidade como agora. Na maior parte dos casos, vem de França, para as grandes superfícies. Mesmo que a dividam em batata para cozer e batata para fritar e assar. Farinhentas, descoradas, insípidas - uma lástima...
Longe vai o tempo em que elas começavam a aparecer, primeiro, da Lourinhã e do Montijo, depois iam amadurecendo nas Beiras, até chegarem, finalmente, de Trás-os-Montes - bons tempos de produção nacional, porque a batata era, quase sempre, boa. Agora, só através de deslocações às terras saloias e por ofertas amigas, vindas de Constância ou da Lourinhã, temos o gosto de as saborear no seu sabor inteiro.
Claro que a França, com a parte de leão que recebe da PAC para a sua agricultura, pode bem vender o rebotalho da produção aos Santos e aos Belmiros, ao preço da uva mijona, para eles encherem os bolsos, depois, e as grandes superfícies de toneladas de péssima batata, para consumo do pagode luso.
E vem tudo isto a propósito porque, no domingo passado, dois magníficos linguados grelhados iam-se perdendo no meio de reles batatas cozidas, francesas... que acabamos por deixar no prato, quase todas.