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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Ultimas aquisições (21)


Não são livros recentes, mas são 2 obras de qualidade. E digo-o, porque já os comecei a ler. O livro de Sebald não deixa de ser desconcertante: uma ficção em forma de poema percorrendo três temas, um dos quais sobre o pintor Matthaeus Grünewald (1470?-1530?). Quanto à obra de Luis Sepúlveda, fez-me acreditar que, hoje, ainda é possível escrever de forma comprometida, sem que, por isso, a ficção perca a beleza e a qualidade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Da leitura 35


A expressão dos sentimentos ( e emoções ), em conversas correntes e escritos do dia a dia, assume por vezes a transgressão da ignorância, a boçal incapacidade e impropriedade verbal, bem como, muitas vezes, o exagero próprio de quem não tem, nem terá nunca, a noção do grau e da medida.
De A Montanha Mágica (1924), de Thomas Mann (1875-1955), é conhecida  a clássica , brilhante e intensa, mas simples declaração de amor do romance, que diz: "Tu és o tu da minha vida." Inultrapassável por lapidar, ainda hoje, no meu entender.
Quanto à amizade, eu creio que foi Michel de Montaigne (1533-1592) que, em relação ao seu afecto por Étienne de La Boétie (1530-1563), melhor soube expressar, em os Essais (1595), o sentido e valor do seu sentimento (Parce que c'était lui, parce que c'était moi), e de forma linear. Mais uma vez, inultrapassável.
Para melhor contextualizar a expressão, passo a traduzir o parágrafo em que ela se integra:
"...aquilo a que chamamos habitualmente amigos e amizades, não são mais do que conhecimentos e familiaridades, através das quais as nossas almas se entretém. Em amizade, que é aquilo de que falo, elas misturam-se e confundem-se uma com a outra, numa mistura tão universal, que se esbatem as costuras por onde elas mesmas se juntam. Se insistirem em me perguntar porque gosto dele, creio que poderei responder: Porque era ele, porque era eu" (I, 27, 290-291).

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Do que fui lendo por aí... 34


Não dará para inteiramente eu o recomendar, mas se o tempo de leitura tiver sido vertiginoso (como este foi) o balanço é, para mim, sempre positivo. Li Todo-O-Mundo (2007), de Philip Roth (1933-2018) entre as 16h00, de ontem, e ainda não eram as 23h30, descontando as funções humanas essenciais (refeições, etc.).
O livro não tem tempos mortos, o fluxo narrativo é ágil não deixando de ser denso, e a tradução (Francisco Agarez) pareceu-me competente. Pelo meio é que a obra, talvez pelo excesso de referências clínicas, às vezes, mais parece um vade-mécum de cirurgias cardíacas e correlativos cenários hospitalares.
Não fora isso...

domingo, 29 de dezembro de 2019

Em aditamento à leitura de Graham Greene


É sabido como muitos dos romances de Graham Greene (1904-1991) tiveram adaptações ao cinema, algumas vezes com a colaboração prestimosa do escritor. E com grande sucesso de audiência.
Já depois de alguns re-comentários que fiz ao anterior poste sobre a leitura do livro Pago para Matar, dei-me conta, no meu banco de imagens do arquivo do Arpose, do belo cartaz que apoiou o lançamento do filme homónimo, em 1942. Interpretado por Veronika Lake e Alan Ladd, a película foi realizada por Frank Tuttle.
Em 1991, houve uma nova versão (remake) do romance, com interpretação de Robert Wagner e realização de Lou Antonio.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Da leitura 34


Estou tentado a dizer que um grande escritor se impõe, de forma categórica, quando nós até dispensámos e esquecemos o enredo de uma sua obra de ficção, para nos concentrarmos no prazer de  o ler  pela sua forma e estilo de contar.
É, de algum modo, aquilo que me está a acontecer com a leitura de Pago para matar (ENP, 1959), de Graham Greene, numa belíssima tradução de Isabel da Nóbrega (convém referi-lo). O enredo quase não vem aqui para o caso...

domingo, 15 de dezembro de 2019

Opções


O aspecto gráfico do TLS (nº 6087) mudou, recentemente, de forma radical. Duvido que para melhor.
Entretanto, o conteúdo manteve-se tradicional. E, como em todos os anos, o jornal literário ouviu 63 personalidades (escritores, críticos, intelectuais...) sobre as suas escolhas de livros publicados ou lidos em 2019 que tivessem colhido as suas preferências.
Curiosamente, no conjunto dos depoimentos apenas três nomes se repetem: Vladimir Nabokov (Think, read, speak), Michel Houellebecq (Sérotonine) e Jean-Baptiste Del Amo (Animalia); em relação a poetas, apenas W. H. Auden é referido mais do que uma vez.
Não sei, no entanto, a que se deva atribuir esta falta de consenso e convergência: se ao excesso de edições, se à ausência de um cânone de qualidade, nos tempos actuais. Ou simplesmente à diminuição de exigência de tudo aquilo que se vai publicando nos dias de hoje e, também, dos próprios leitores, i. e., consumidores.

domingo, 17 de novembro de 2019

Do que fui lendo por aí... 33


... No período de ouro do «milagre económico alemão», nos finais dos anos sessenta, na estação de Colónia, os alemães recebiam eufóricos o imigrante «um milhão», que aconteceu ser um português do Algarve, baixinho de estatura, tímido, e que, sem compreender uma palavra daqueles que o saudavam, agradecidos por ele ter chegado para a construção da Deutscher Wunder, recebia como prémio uma motocicleta e um ramo de flores. Um documentário daquela época mostra esse dia na estação de Colónia, era Outono, estava frio, e o presidente do patronato alemão cumprimenta aquele Gastarbeiter, cuja tradução mais precisa é «trabalhador convidado». ...

Luis Sepúlveda (1949), in Crónicas do Sul (pgs. 45/6).

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Da leitura 33


Os pequenos prazeres. Não é todos os dias que, na mesa, se nos oferecem à leitura dois autores dilectos, em edições bonitas, apetecíveis de ler.
Cavafy (1863-1933), com a sua obra quase completa, em tradução inglesa que irei alinhar com a francesa, de M. Yourcenar, a espanhola e a versão portuguesa de Jorge de Sena.
René Char (1907-1988), com Retour Amont (1966), livro de uma fase de crise, surgida depois de uma ameaça cardíaca, em que o poeta deixou de fumar. Desábito que lhe teria provocada um vazio de criação.

agradecimentos cordiais a H. N..

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Do que fui lendo por aí... 32


Por mero acaso, tornaram-se-me contíguas as leituras de W. G. Sebald (História Natural da Destruição, Quetzal) e de Julio Cortázar (Histórias de Cronópios e de Famas, Editorial Estampa). Ora, nada mais oposto pela extremidade de temas, registo e tom.
Entre o realismo dramático de Sebald (1944-2001) e o lúdico surrealismo de Cortázar (1914-1984) vão mundos. Talvez os que separam a adolescência descomprometida e ligeira, do amadurecimento responsável e comprometido. 
É evidente que estou mais próximo do escritor alemão.


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Da leitura 32


Terminei a leitura do quinto livro de W. G. Sebald (1944-2001), com a profunda convicção que se trata de um grande escritor, a cujo estilo me fui habituando, assim como se entrasse em casa conhecida, ao lá voltar... Pratico uma certa usura pragmática, talvez pela idade, frequentando, ao invés de tudo que aparece e é moda, 5 ou 6 autores de minha predilecção e reconhecida qualidade. O uso que Sebald faz da fotografia, como suporte para as suas efabulações, permite-nos até dispensar de todo a suspension of desbelief, tão necessária, quase sempre, à leitura de outras ficções mais pobres e banais.
Sinto-me bem a lê-lo e isso para mim, de momento, é o mais importante.


De tarde, ontem, aproveitando este Verão residual, ou de S. Martinho, na varanda a leste, dei início ao mais recente livro, editado em Portugal, de Alberto Manguel (1948), obra que o TLS aprova, mas condicionadamente. A ver vamos, com o avançar da leitura, se estarei de acordo com Emma Smith na sua recensão muito prudente.


terça-feira, 3 de setembro de 2019

Do que fui lendo por aí... 31


Isto, com  a intensa canícula, quase se torna fisicamente dramático e, talvez por isso, não há nada como um pouco de sal para descontrair...
Quem o conta é Vitorino Nemésio (1901-1978) no seu Jornal do Observador (1974), a páginas 225. Sobre André Brun (1881-1926). Assim:


"O nosso André Brun - está claro - era um modesto escritor, um humorista que dá um certo testemunho e costumbrista dos nossos anos de cerca da guerra de 14. Pois não fugiu à regra: trocadilhou até morrer. Conta-se que, visitando-o um amigo nos seus últimos dias de vida, já quase na agonia, o teria saudado: «Então como vais, André?» «Vou de fraque...», tornou-lhe o doente, pensando na mortalha burguesa."

(...E, feliz e finalmente, começou a levantar-se uma aragenzinha...)

domingo, 25 de agosto de 2019

Voltando a Simenon


A fidelidade, no seu sentido mais lato, é também uma virtude da atenção que, por sua vez, é um dos suportes mais sensíveis da amizade. Pelo menos, para quem assim o entenda e pratique.
Vem isto a propósito de eu, ao folhear um livro de Georges Simenon (1913-1989), recentemente, ter pensado que o leio desde o princípio da adolescência e continuo fiel à ideia de o considerar um dos 3 grandes romancistas policiais. E não só.


Este Novembre (1969), considerado um dos seus roman dur, teve mais duas edições (1983 e 2011), pelo menos. O meu exemplar, em imagem, é da edição original da Presses de la Cité e encontra-se em muito boas condições, apesar de conservar a marca de posse manuscrita da anterior proprietária, que o terá comprado em Bruxelas, no mês de Setembro de 1978, muito provavelmente também já usado. Mas os donos estimaram bem o volume, que conserva ainda a sobrecapa em bom estado.


Diz-se que Simenon escrevia os seus Maigret em menos de uma semana e poucas emendas lhes fazia. Os roman durs eram porém um longo exercício, rodeado de alguns rituais austeros. Com algumas correcções no final. E um emagrecimento acentuado do seu peso normal, ao finalizar o livro.
Por curiosidade, reproduzo o verso das folhas de guarda final e da pasta posterior, que a edição original ostenta, notando-se 9 breves emendas manuscritas introduzidas, no texto escrito à máquina.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Ideias fixas 52


Há duas formas extremas de terminar a leitura de um livro. Ou ler as últimas páginas muito devagarinho, porque estamos a gostar e queremos que dure esse prazer, ou apressar o ritmo de leitura, por já estarmos fartos do livro. A situação normal e mais frequente é conservarmos a velocidade natural com que iniciámos a obra. Há ainda uma quarta via, que não tem final: o abandonarmos o livro a meio e para sempre, sem o acabar de ler.
É por aqui - medindo o ritmo - que, em caso de dúvida, eu me apercebo, de forma cabal, se aderi e gostei do que li, ou não. Porque, às vezes, subsistem dúvidas e só mais tarde chegaremos a uma conclusão definitiva sobre o gosto e utilidade da leitura ou a pura perda de tempo.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

História e diplomacia


Tenho vindo a ler ( a princípio, imaginei que fosse fastidiosa...), com crescente curiosidade e interesse, a correspondência diplomática de J. F. Borges de Castro (1825-1887), representante português na corte de Turim, endereçada para as Necessidades, durante os anos sessenta do século XIX. Esta correspondência diplomática, publicada, termina em 4/10/1870. É uma época crucial para a mini-Itália recém criada, que ainda não tinha englobado o Veneto (pertença ainda do império austro-húngaro) nem os territórios pontifícios de Pio IX. Mas já Garibaldi e os seus guerrilheiros ameaçavam estes últimos.
A correspondência foi coligida e seleccionada por Eduardo Brazão (1907-1987), para a revista Biblos (vol. XXXVIII, 1962), com cuidadosa inteligência. E ocupa 534 páginas da publicação da FLUC.
É também por esta altura (1862) que se começa a tratar do casamento de Maria Pia, filha de Vitor Emanuel II (1814-1878), com o nosso rei D. Luís. E a Itália, apesar de muitíssimo endividada (como hoje, aliás...), ainda ajusta um dote de valor considerável para a nossa futura rainha. Procurando insistentemente o apoio da Prússia e de Bismarck, para equilibrar a defesa aguerrida que Napoleão III, da França, faz do Papa e seus territórios, Vitor Emanuel II desenvolve, cumulativamente, uma rede de contactos com a Rússia e a Inglaterra.
Os relatórios e correspondência de Borges de Castro são de uma meridiana clareza, em todos os aspectos, definindo até as individualidades italianas que deveriam ser agraciadas com comendas portuguesas, por altura do casório régio (dantes como agora, muitas...). E ainda mais umas quantas, quando, 2 anos depois, os reis portugueses vão a Itália mostrar ao avô Emanuel, o seu neto Carlos de Bragança, nosso futuro rei.
Mas o que mais me surpreendeu, foi o retrato que Borges de Castro traça de Garibaldi (1807-1882). Um autêntico antecessor de Che Guevara e já incómodo, na sua irrequietude belicosa, para os políticos conservadores italianos. Um pouco como depois Guevara terá sido, algo incómodo, para Fidel... A história repete-se, com algumas semelhanças, nos comportamentos humanos.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Mudanças


Verifico, com grande surpresa, que terei lido o primeiro livro de E. M. Cioran (1911-1995) em 1966,  pela marca de posse e data manuscrita, mas não consigo lembrar-me como cheguei até ele. Creio que comprei Précis de Décomposition (1949), na 111, ao Campo Grande. Emparelhado com Camões, o ensaísta franco-romeno viria a servir-me de epígrafe (La joie n'est pas un sentiment poétique) no meu primeiro livro, em 1984. Não sei se por bonomia ou malvadez, os franceses apelidavam-no de filósofo de rua. Seja como for desde longe que Cioran me continua a acompanhar...
Ainda que muitas vezes por oposição ou para me forçar ao contraditório pelo seu excessivo pessimismo ou provocatório niilismo. Não me deixa nunca indiferente e é sempre estimulante a sua leitura. Mais agora, ainda, que um fastio pela ficção se me instalou, de há uns anos a esta parte, e a história, a poesia e o ensaio são meus únicos territórios de gosto e prazer. Assim, resolvi passar até de uma segunda fila, escondida, os livros de Cioran para a primeira linha para os ter à vista e mais à mão.
Sacrifiquei a exemplar e amena ficção de Maurice Genevoix (1890-1980), de que ainda gosto, para a retaguarda da estante, e dei o lugar ao pensador romeno. Uma mudança que ele merecia, aliás.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mauriac


O título desta obra de François Mauriac (1885-1970) serviu-me muitas vezes para classificar, sucinto, figuras excessivamente dogmáticas, com alguma ironia; e, outras, para apelidar comportamentos demasiado puritanos. Quarta-feira passada, porém, na nossa habitual tertúlia cordial da semana, o livro veio à mesa na voz de H. N., que o recomeçara a reler, por mero acaso, no meio de uma entediante função de vigilância, rural, de que a família o tinha investido, por rigoroso e sabedor.
O romance de Mauriac logo se lhe impusera pela qualidade narrativa, sobretudo em cotejo com o que vai aparecendo por aí... Vieram-me à memória, por associação, os densos ambientes das minhas leituras passadas dos livros do romancista católico e francês, mas também a obra de Graham Greene (1904-1991) que tinha a mesma confissão religiosa, mas cenários geográficos mais alargados de configuração romanesca. Creio que não é apenas, por cronologia, mas Mauriac está mais esquecido.
Injustamente, creio. Se o inglês Graham Greene, pelos vários continentes, instala no Homem um inato pecado original ou sentimento de culpa que ele carrega inexoravelmente, talvez sem lhe saber a causa, Mauriac é sobre a Mulher que se debruça, quase sempre. Provinciana e prepotente, dominadora e malsã. Manipuladora de famílias e sentimentos num perímetro que se situa, com frequência, em redor de Bordéus. Como se essa geografia trouxesse consigo a raiz do Mal, como marca de um destino fatal.

para H. N., com as melhores lembranças.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Expectativas


Nem sempre, e à primeira vista, o TLS me permite alimentar grandes expectativas de leituras. Mas o último (nº 6066), que ontem adquiri, abriu-me logo o apetite. A imediata empatia com a capa de Darren Smith e o nome de John Updike (1932-2009) despertaram-me a atenção. Talvez venha a ser o ponto de partida para eu ir reler o grande romancista norte-americano. Embora Claire Lowdon se precate, ao duvidar que os seus temas possam ainda agradar à juventude. A  abordagem, simultânea e comparada, com Bellow, Mailer e Roth não deixa de ter interesse, mas revelar alguns riscos.
Mas este TLS traz ainda artigos desenvolvidos focando as obras de Graham Greene (The Comedians), Virginia Woolf e Scott Fitzgerald, o que me permite supor vir a ter uma semana de boas leituras. Tudo autores que conheço razoavelmente e de que gosto, desde há muito.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Do que fui lendo por aí... 29


Eu creio que só teremos a ganhar, se nos dispusermos a reler Camões e se, antecipada e humildemente, fizermos acompanhar essa leitura de uma prévia abordagem a alguns dos muitos ensaios que Jorge de Sena dedicou, com labor abnegado, ao nosso grande épico.
Far-se-á assim uma leitura mais proveitosa de Camões, madura e enriquecida, que nos permitirá, por cotejo, verificar também a insignificância daquilo que, sob o nome de poesia, se vai publicando, copiosamente, em livro, nestes nossos dias de "apagada e vil tristeza" literária.


terça-feira, 2 de julho de 2019

Gostar do que se deve


Às vezes, desinquietam-se os mortos. Ou temporariamente repescam-nos para a fama. Com frequência são apenas fogachos que duram pouco tempo e eles regressam à paz e silêncio subterrâneos, em definitivo. Mais raras vezes, essas ressurreições vêm para ficar. Em música, isso aconteceu com Vivaldi e Bach, e, num dos casos, Mendelssohn teve um papel essencial.
Há dias, o nome de Nuno de Bragança (1929-1985) veio à tona, no diário escrito de Vasco Pulido Valente. Não para o glorificar e lembrar, mas para o apoucar. E, como sempre, da sua curta obra, apenas A Noite e o Riso (1969) foi citado, como é de norma. Convencionou-se, de há muito, que este é o seu melhor livro. Ora, eu não comungo desta ideia. Prefiro-lhe, como sempre preferi: Directa (1977).
Mas isto de não alinhar com a maioria ou corrente dominante tem sempre os seus riscos. Lembro-me bem do enxovalho que sofri no meu exame oral de Literatura Alemã III, ao querer defender, como melhor, o primeiro Fausto, de Goethe, em detrimento do Fausto II. O convencional prof. Moser mal me deixou falar e ia-me engolindo por causa daquilo que, na opinião dele, seria uma blasfémia.
As palavras de VPV tiveram grande eco na net, tem-se falado nisso. E Nuno de Bragança voltou à baila. Ainda bem, porque merece. Que seja por um ou outro dos seus livros, tanto faz. Desde que seja para o voltar a ler.

domingo, 30 de junho de 2019

Voltar atrás... e reler


Por razões alheias, repeguei, folheei e reli algumas palavras de Miguel Torga (1907-1995).



Quando, por causas muito diversas, perdemos tempo a ler tanta burundanga e literatura de terceira ordem, não deixa de fazer bem à saude ir reler alguns clássicos da nossa terra - é outra louça!


Aqui deixo o prefácio de Miguel Torga à quarta edição de Bichos (Coimbra, 1946), com a esperança de que sirva de aperitivo e tentação aos Amigos e Seguidores do Arpose.
Mas também que sirva aos zoilos, que aqui chegarem por acaso, para emendar a pontaria...