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segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Ponto de situação

 

As coisas já não são o que eram. E o tempo desabituou-se da rotina, ultimamente.
Costumava eu dizer que nunca me constipava entre Abril e Setembro mas, nos anos mais recentes, até esta regra se quebrou.
Habituei-me também a situar os sismos, em terras portuguesas, por entre os meses de Novembro a Março. Puro erro de cálculo: neste século XXI, já por duas vezes, pelo menos, a terra tremeu em Agosto.
Hoje, de madrugada, pouco passava das 5h00, lá me oscilou a cama de Norte para Sul (e vice-versa) e as portas bateram, uma e outra vez (em réplica). Vim a saber depois que o sismo era de magnitude 5,3. E que o epicentro se situara a Oeste de Sines. Os barulhos e movimentos domésticos provocados deram ao menos para acordar. E confirmar a ausência de regras, neste particular...

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O seu a seu tempo



O tempo acaba por ser uma forma saudável de nos levar ao equilíbrio e à realidade objectiva das coisas, a que a ignorância, o calor do momento ou o excesso juvenil nos pode levar.
Lembro-me bem, ainda, do barulho e da polémica que a estátua do Padre António Vieira (1608-1697), esteticamente de mau gosto e desactualizada em termos de arte, erecta no Largo Trindade Coelho, provocou nos juvenis candidatos à primeira página. Hoje, creio que já pouca gente se lembra disso e os pueris protestantes adormeceram bovinamente sobre o caso, já calmos e serenos...
Ando a ler, com imenso proveito Os Jesuítas no Grão-Pará, de J. Lúcio de Azevedo (1855-1933). Leitura que faria bem à cultura de muita gente e ao conhecimento real da personalidade corajosa do P. António Vieira.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Citações CDLXXII



A minha missão é matar o tempo e a dele matar-me, por sua vez. De facto, estamos ambos  à vontade, por entre assassinos.

E. M. Cioran (1911-1995), in Écartèlement (Gallimard, 1979).
 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Divagações 171

 

Estável embora e em si, do ponto de vista abstracto, o tempo assume ritmos diversos sensoriais subjectivos conforme as expectativas de quem o vive, consoante o agrado, a indiferença ou o desagrado do momento e do futuro. E nada, nesse particular, permite acelerá-lo ou retardá-lo, apesar  dos nossos desejos mais íntimos.

sábado, 24 de outubro de 2020

Em tempo


Tomar nota e agir em conformidade. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Exercício matinal


Vai o Sol modesto, envergonhado, mas amável para quem esperava, por previsão metereológica, a chuva já matinal. Não fora, por entre as nuvens, que vem do Sul, uma agreste luminosidade parda que parece cegar os olhos de quem os vira para o alto. Gaivotas, nem vê-las, só esparsas andorinhas e alguns raros pardais.
Nas pequenas diligências matinais, dei-me a contar os passos andados. 283 percorridos. O que me deixou vitorioso sobre os ingleses de meia idade que, segundo as estatísticas, pouco passam dos 200* diários. É certo que tenho a meu favor o normal bom tempo português que, apesar de tudo, já teve melhores dias... E, se não chover, logo à tarde, ainda passo pelo alfarrabista.

* Em tempo:
é o que faz falar de cor!... Tinha referido 200, mas fui confirmar ao texto: eram afinal quase 2.000, os passos diários dos séniores ingleses, pelas estatísticas.
No entanto, como o tempo ajudou e ainda fui, de tarde, ao alfarrabista, devo ter ultrapassado a média andante dos britânicos, por hoje...

sábado, 9 de março de 2019

Quando...


...não temos nada de importante ou útil para dizer, podemos sempre falar do tempo, como os ingleses, com a sua suprema sabedoria, de isolados do Continente, costumam fazer, para abrir o diálogo ou preencher espaço.
Por exemplo: mas que ricos dias, que já parecem de Primavera!
Ou como os cronistas que, na ausência de tema, falam da crónica, em si mesma.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Osmose 101


Já por aqui falei, abundantemente, do meu fastio pela ficção nos últimos anos. No presente, liminarmente excluo de compras ou leituras qualquer obra que se baseie em acontecimentos reais, até porque ainda privilegio, acima de tudo, os factos e a história, originais. E nem sempre gosto de ouvir uma narrativa repetida. Por excelente que seja a imaginação de um escritor, o que ele pode acrescentar são minudências, inverdades, rodriguinhos, palha... Ou, na melhor das hipóteses, uma perspectiva inteligente sob um outro ângulo, sobrando apenas o estilo, se for de qualidade. Da mesma maneira, quase, vejo a inutilidade, para mim nesta idade, do romance histórico, pelo muito que prezo a História. Por aqui passa, superiormente, a noção do Tempo. Que provavelmente, muitas vezes, utilizei no passado de forma perdulária em leituras inúteis, que a minha tenra ignorância protegia e a falta de sentido crítico, ainda desculpava.

sábado, 27 de outubro de 2018

A única altura em que o tempo volta para trás...


Não se esqueçam logo, de madrugada, de atrasar o relógio 1 hora. Sempre dá para mais uma horita de sono.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Adagiário CCLXVII


Os homens fazem o almanaque e Deus manda o tempo.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sinais


Há quem diga:  Deus está nos pormenores. Mas o Tempo também se denuncia pelos detalhes, ou a incúria dos homens.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Os tempos do Tempo


O tempo que decorre, pessoal, e o tempo que demora (objectivo) são matérias distintas.
Às vezes temos pressa, e o tempo não se compadece de nós, mantendo o seu vagar; outras vezes, gostaríamos que ele se demorasse um pouco mais, durasse, se não eternamente, que nos viesse a acompanhar, generoso e benevolente, num ritmo comum.
Para nos sentirmos, simplesmente, bem.


para a Hanna, recém-chegada.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A seguir


Quando saí, por volta das 9h00, para comprar o jornal, o frio era lancinante e não havia ninguém na rua. No regresso, passei por uma pobre tola, aos saltinhos, que resmoneava, e por uma senhora muito composta e silente, de bengala e óculos, com um gorro na cabeça, que ia em direcção do pequeno centro comercial. Não havia carros em movimento, apenas automóveis estacionados e orvalhados.
Os acontecimentos, mais ou menos importantes, permitem fechar e abrir capítulos. No entretanto, acontece nada e nem mesmo os jornais inventam notícias. Por isso se lêem em dez minutos, ou nem tanto. Abra-se uma excepção para alguma morte despropositada, para a época. George Michael, por exemplo. Fora isso, de 26 a 30/12, é habitualmente um tempo neutro. Quase de ninguém.

sábado, 24 de setembro de 2016

Presente passado


Ler um jornal atrasado tem algumas peculariedades singulares, sobretudo porque nos desaproxima da emoção das notícias, deflaciona os acontecimentos, redu-los, muitas vezes, a cinza fria.
Será, de algum modo, a mesma sensação que perpassa pelas novelas de Somerset Maugham, quando o escritor britânico descreve a leitura de "The Times", duas ou três semanas depois de publicado, às mãos dos administradores do Império, na Índia, em Singapura... Provavelmente, impressões semelhantes que experimentavam os administrativos portugueses, nas colónias, quando recebiam, por exemplo, o DN, com semanas (?) de atraso. Isto, antes da Internet baralhar os dados, através das auto-estradas de informação.
Havia em tudo isso uma vantagem, porque o tempo resolve algumas coisas, remedeia outras, reduz os acontecimentos a uma mumificação do passado, com o seu valor mais relativo. E poupa-se na leitura. Hoje, ao folhear um jornal de há doze dias, fiz, natural e mecanicamente, uma triagem salutar. Ficaram as crónicas intemporais, uma entrevista que podia ser de ontem, duas ou três informações de interesse e pouco mais. A maior parte das notícias, até as de primeira página, tinham perdido o picante, a importância (que lhes tinha sido dada), a actualidade fremente, enfim, pela banalidade que o tempo introduzira nos seus desenvolvimentos.  

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Perdido


Perdido é um conceito amplo. De largo espectro, raramente trágico. Aqui há uns anos, perdi-me em Colónia (Köln), mas mesmo sem pedir informações, consegui reencontrar-me. Não foi grave, nem muito demorado.
Mas hoje foi diferente e eu apenas servi de mera bússola  na reorientação de um ser humano. Conheço-o de vista, tem aspecto mais ou menos cuidado, barba pequena, andar concentrado. A mulher, talvez octogenária, é que já não parece deste mundo...
Pois, hoje de manhã, quando despejava lixo no contentor dos papéis e cartão, ouvi chamar. Olhei e vi, numa janela dum rés-do-chão, o tal sujeito. Fiquei, então, espectante e ele perguntou-me, bem alto: "Que dia é hoje?" Passada a minha surpresa, respondi-lhe: "É Segunda-feira!" E vendo que não era suficiente, acrescentei: "29 de Agosto."

quinta-feira, 24 de março de 2016

Curiosidades 54


Uma das teses do livro "The Global Transformation of Time", de Vanessa Ogle, segundo a recensão do TLS (nº 5893), é que a importância do tempo sofreu uma aceleração crucial a partir do capitalismo. Se o tempo passava, começou a gastar-se e a medir-se, meticulosamente, para a execução de tarefas e produção.
Nos anos 60, do século passado, o historiador britânico Edward P. Thompson (1924-1993) fez um trabalho quase antropológico sobre a medição do tempo em comunidades algo primitivas ainda ou isoladas da vida social de todos os dias. Constatou assim que, em Madagáscar, nalgumas povoações rurais usavam, como comparação, para medir o tempo quer "o espaço que demora a cozer o arroz" quer o "tempo de assar um gafanhoto". A importância da alimentação é de sublinhar. Entretanto, na Birmânia, os monges de um convento marcavam o início do dia pela altura em que a "luz era suficiente para distinguir as veias da mão".
Ainda me lembro, também, de ouvir a expressão: o tempo de rezar um Padre-Nosso. Numa parceria curiosa entre a religião e o tempo.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Perguntar


É o homem que faz o tempo, ou a época que faz o homem?
Se "Os Lusíadas" e a "Peregrinação" acompanharam, de algum modo, o dinamismo português do seu tempo, que dizer da obra maior de Pessoa, gerada num período nacional (quase todo ele) baço e parado, restritivo, talvez desinteressante, até?
E agora?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Recuperado de um moleskine (20)


Este desapego do tempo à nossa conveniência: quando mais precisávamos da sua compreensão e conforto, mais ele se revela arredio e selvagem, nas suas manifestações.
Insensivelmente, fomos substituindo, neste esperanto de cosmopolitismo cego e saloio, a samarra pela parka, sem pedir licença a ninguém. É, realmente, a ela que me aconchego, em protecção do vento e da chuva, que se mantêm insistentes e inóspitos, pela rua.
E só me apetece chegar a casa. Ao borralho doméstico, materno, imemorial. Às palavras, enfim, que nunca mudaram de nome, desde a infância.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Divagações 104


Até os dias parecem desabituados. Há um vazio nas lojas e nas ruas. No entre-entre do tempo. Do acontecido para o novo acontecer, daqui a dias. Zona de ninguém, de muito frio à sombra e Sol ao dobrar da esquina. O lixo feito de cartão vazio e de papel em volta dos contentores, donde todos os sonhos parecem ter fugido.
Tempo de poucas palavras, ou de palavras poupadas até nas notícias que não há, nem se conseguem inventar. Tempo moribundo ou morto à espera de um novo tempo, como se o próximo ano fosse tudo aquilo que pode acontecer. E contudo não há impaciência: há um vagar e uma espera neutra em terra de ninguém. Tempo para queimar, em silêncio.
Para que, do horizonte, alguma coisa venha. Recomeçar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Os tempos do Tempo


A tendência, a partir de determinada altura da vida, é para pensar que já temos pouco tempo, à nossa frente, para tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Mas, em capítulos mais pequenos, pode também acontecer o contrário: sentirmos que temos tempo a mais, sem ocupação definida e para gastarmos, e não sabermos como o utilizar.
Aqui há muitos anos atrás, presidia à República o general Eanes, o primeiro-ministro indigitado Alfredo Nobre da Costa (1923-1996), que era um homem muito pontual e que ia tomar posse a Belém, verificou, já em andamento automóvel, de que iria chegar muito antes da hora marcada, quebrando assim, de algum modo, o protocolo e a etiqueta ortodoxa. Mandou, por isso, parar a caravana-automóvel, em Monsanto, para fazer um compasso de espera. Desentorpeceram as pernas, fumaram uns cigarros e continuaram, pouco depois; chegando ao Palácio de Belém à hora aprazada e conveniente.
Ontem, aconteceu-me algo de semelhante, mas muito mais comezinho, até porque não ia tomar posse, nem para Belém - sobrava-me hora e meia de tempo, até um encontro-compromisso. Por isso, optei por um café, no Square Café, e li o jornal de ponta a ponta. Além de ter feito as palavras cruzadas e os 2 sudoku... Cheguei em tempo protocolar.