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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Bibliofilia 164


O livro, cuja primeira edição (1629) é rara, e cara se a quisermos adquirir, tem um título do tamanho da légua da Póvoa (como se costuma, popularmente, dizer). Para que conste, aqui vai: Miscelânea do Sítio de Nossa Senhora da Luz de Pedrógão Grande: aparecimento da sua imagem, fundação do seu Convento e da Sé de Lisboa, com muitas curiosidades e poesias diversas. O seu autor, Miguel Leitão de Andrade (1553-1630), escreveu a obra e publicou-a no final da vida.


O livro, cuja segunda edição (1867) possuo, é de leitura agradável e proveitosa. Dividido em vinte capítulos abordando os mais diversos assuntos, a obra traz uma descrição minuciosa da batalha de Alcácer Quibir (1578), de que Miguel Leitão de Andrade foi testemunha presencial, e em que morreu o rei D. Sebastião.
Comprado o volume, por volta de 1990, em Lisboa, dei por ele Esc. 8.800$00. Encadernado em meia-francesa, o livro está em muito bom estado de conservação. Em 1993, a IN/CM publicou, em edição fac-similada, a terceira edição desta obra.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Divagações 123



Li, há dias, em Le Monde, numa crónica (Terre brûlée) de Éric Chevillard, que, desde que o homem apareceu na Terra, não houve mais do que três dias seguidos de paz, no planeta. Fiquei surpreendido.
Se se consultar na internet, ou em qualquer livro dedicado ao tema, os desenvolvimentos de um batalha célebre (Trafalgar ou Borodino, por exemplo), na sua forma esquemática, ficar-se-á com uma ideia arrumada e geométrica da posição e progressão das armadas ou exércitos, gradual e ordenada nas movimentações - mas errada ou, pelo menos, não totalmente rigorosa.
Os posicionamentos e avanços (lentos, ao que parece) das tropas de Ney, em Waterloo (1815), ou a demora na ordem de ataque, retardada por D. Sebastião, em Alcácer Quibir (1578), a que se atribui uma das causas do desastre, não terão sido, por si só, razões fatais. Debaixo de fogo, as reacções humanas são, com frequência, desordenadas, irregulares e caóticas, mesmo que superiormente comandadas.




Stendhal é um bom exemplo, com A Cartuxa de Parma, da forma parcelar e dispersa dos acontecimentos da batalha de Waterloo. Como Tolstoi, em Guerra e Paz, na descrição das guerras napoleónicas, em solo russo. Um conflito bélico é feito, na sua realidade objectiva, de muitas sensações e reacções mistas: instinto de sobrevivência, coragem, mas também cobardia, numa desordem de sentimentos vários.
Por isso, a guerra é um erro em que todos perdem, embora alguns pareçam ganhar. Como a vida, aliás. Que Shakespeare definiu, magistralmente, no seu Macbeth, deste modo metafórico: It is tale/ told by an idiot, full of sound and fury,/ and signifying nothing.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Uma pausa com Aldana (?)


"[...]Com muita dificuldade
pode o homem prometer
firmeza em sua vontade,
porque todo o humano ser
está sujeito à variedade.

E não só o bem e o mal
está sujeito à fortuna
porque há mudança na lua
que é matéria celestial
ao terrestre dano, alheia[...]"

Nota: não é, absolutamente, seguro que este fragmento poético seja de Francisco de Aldana (1537?-1578). Mas é-lhe atribuído. Aldana morreu em Alcácer Quibir, combatendo ao lado de D. Sebastião.