sábado, 17 de novembro de 2018

Citações CCLXXX


Há várias línguas em que uma dupla negativa pode valer por uma afirmação positiva, mas não existe nenhuma em que uma dupla positiva possa significar uma negativa.

Anthony Kenny (1931), filósofo inglês.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Canja


Dizia o ditado, em tempos recuados de penúria, que: Quando o pobre come galinha, um dos dois está doente . E era verdade. Porque julgo que a primeira canja que provei foi em estado de dieta. Era aconchegante, aquele caldo enxundioso com massinhas de letras e 2 ou 3 gemas, muito pequenas, de ovos que ainda se não tinham desenvolvido. E as pequenas olhas de gordura e azeite a sobrenadar a canja, com o seu aroma doméstico e salutar. De galinha que não era preciso chamar-se do campo, nessa altura...
Pois ontem a canja teve um toque internacional, porque os ovos (inteiros e desenvolvidos, desta vez) foram escalfados nuns apetrechos especiais apropriados, mas simples, que tinhamos comprado em Inverness Terrace (Londres), em Outubro passado. E a canja de galinha, tal como as antigas, estava deliciosa!...

Bibliofilia 166


Com 7 números (dois deles, triplos) dispersos e com a capa do nº 1, em mísero estado, a que um restauro não bastou, adquiri estes exemplares de A Águia no início dos anos 90, por preço módico, dado o estado de conservação do lote, que não era famoso. A revista é, surpreendentemente, uma das mais longevas, em tempo de duração, das publicações nacionais, só comparável, creio, à Seara Nova, que tinha um pendor mais político do que literário e contava com alguns dos mesmos colaboradores (António Sérgio, Raul Proença...).


Com início de publicação em Dezembro de 1910, pouco após a implantação da República, e até 1932, A Águia foi dirigida, ainda que discretamente, por Teixeira de Pascoaes (1877-1952), tendo direcção artística do pintor António Carneiro (1872-1930). A revista, editada pela Renascença Portuguesa, no Porto, deu voz ao Saudosismo, corrente literária muito difundida na época. Teve a sua ressurreição em anos mais recentes (2008), mas creio que, dificilmente, virá a ser tão longeva como a sua progenitora...


Nota: a única colecção completa de "A Águia" vendida, de que tive conhecimento, foi num leilão, no Porto, em 2007 e atingiu o valor de 4.500 euros. A variação de preços em exemplares soltos é totalmente desordenada: já vi números duplos (nº 17/8 e 19/20) precificados a 63,60 euros, cada. Bem como um exemplar triplo (nº 109/110/111), de 1924, anunciado ao preço de 15 euros. Por aqui se podem imaginar os critérios e despautérios de alguns alfarrabistas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Revivalismo Ligeiro CCXXXVIII


Eu gosto é sobretudo do caracolinho na testa de Bill Haley... E não quero deixar de fazer uma pequena menção às duas piquenas marcanas adolescentes a ruminar pastilha elástica, de boca aberta, quase logo ao início do vídeo...

3 quadras populares de Areosa (Viana do Castelo)


Os olhos do meu Amor
são duas azeitoninhas;
fechados são dois botões,
abertos, duas rosinhas.
...
Estou rouca, enrouquecida,
não é do comer azedo,
é de falar ao Amor
pela manhã muito cedo.
...
Salsa verde bate à porta,
alecrim vai ver quem é;
é o cravo mais a rosa
com uma açucena ao pé.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Do que fui lendo por aí... 23


O que faz de Oliveira Martins (1845-1894) um caso e pessoa singular da geração de 70, é o facto de ter exercido, ao longo da sua vida, algumas funções de direcção e gestão em empresas privadas, apesar de ser um autodidacta. Assim a sua ancoragem na realidade e a sua experiência foi sendo feita de situações concretas e de problemas práticos a resolver, no dia a dia. Isso não prejudicou, antes enriqueceu, a sua obra de intelectual.
Mas, por outro lado, talvez tenha deixado a marca e o rasto, da economia e dos números, em alguns dos livros que foi publicando.
Ando a ler A Inglaterra de Hoje (1893). E, em abono do que disse acima, vou transcrever, desta sua obra, dois pequenos excertos amplamente comprovativos desse facto referido atrás. 
Seguem:

" Ouvia o palpitar gigantesco, o trovão surdo do movimento n'essas vinte mil ruas que tem Londres, e medem tres mil milhas, e dão acesso a novecentas mil casas, e correm por ellas rios de gente em mais de dez mil cabs, fóra um milhar de tramways, fóra dois milhares de omnibus, fóra as estradas ferreas de accesso, e o underground que vae a toda a parte debaixo das ruas. Só cocheiros e conductores, ha um exercito de trinta mil homens. Só na City, amendoa d'este immenso fructo chamado Londres, creada com a substancia do mundo inteiro: só na City, entram por dia, todos os dias, salvo os domingos, noventa mil vehiculos e mais de um milhão de pessoas. E n'um raio de seis ou sete milhas, a partir de Charing Cross, ha dentro do perimetro de Londres mais de quatrocentos kilometros de vias férreas em movimento."
...
" Esta grande  colmêa (Londres) de gente voraz engurgita por anno dois milhões de quarters de trigo; oitocentos mil bois; quatro milhões de carneiros, vitellas e porcos; nove milhões de aves; cento e cincoenta mil toneladas de peixe; duzentos milhões de quarters de cerveja, trinta de vinho, vinte de aguardente, que é o lume com que internamente se aquecem, queimando doze milhões de toneladas de carvão para se aquecerem contra o frio do ar, para se servirem, para se agitarem, transformando o lume em vapor, no seio de um ambiente hostil."


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Apontamento 117: Introdução da Receita Médica electrónica, na Alemanha




Lembram-se da “vaquinha voadora” ? Pois, agora, ainda sem sair do Centro de Saúde, já “cá canta”, como dizia a outra, a Receita Médica electrónica no meu telefone móvel. António Costa, na imagem acima, deve ter falado deste feito, do seu Governo, ao Ministro de Saúde alemão, de nome Jens Spahn.


[Spahn plant Einführung des digitalen Rezepts, in: Der Spiegel]

Certamente, saindo, bastante apressado, como dizem ser seu estilo, de um encontro com o Primeiro Ministro António Costa na sua recente deslocação a Berlim, o Ministro alemão não hesitou e convocou uma conferência de imprensa para anunciar que “planeia a introdução, para 2020 [sic], da receita médica electrónica” na Alemanha.

É a notícia, hoje, em vários jornais da Alemanha. Ou seja, ganhou, mais uma vez David frente ao Golias.


Post de HMJ

Edward Elgar (1857-1934)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Divagações 136


Dificilmente um suicídio se explica, ou justifica. Menos ainda por uma única razão, como Albert Camus defendia, apoiando a hipótese de que a imolação própria é originada por mais do que um motivo pessoal.
Após o suicídio de Sylvia Plath (1932-1963), o marido, também poeta, Ted Hughes (1930-1998), directa ou indirectamente, foi acusado, nos meios intelectuais ingleses, de ter sido o responsável moral pela morte da mulher, que tinha abandonado, pouco tempo antes.
O facto de ter destruido parte do diário da Mulher, corroboraria o sentimento de culpa. Com o tempo, porém, esta ideia de culpabilidade indirecta foi-se atenuando, tendo ganhado força o aspecto de Sylvia ser dada a depressões e, já anteriormente, se ter tentado suicidar.
A recente publicação da correspondência da poetisa coloca novas hipóteses. O penúltimo TLS (nº 6031), em relação ao livro, e, numa recensão de Hannah Sullivan, obriga a repensar o assunto, reforçando com peso, ambas as possibilidades e motivos.
A pergunta mantém-se, por isso: porquê o suicídio?
O mistério rodeia sempre este acto humano capital. Se somos capazes de ensaiar razões bastantes para o suicídio de Camilo, já a morte de Antero de Quental, por exemplo, deixa-nos em quase total obscuridade. Pelo menos, a mim.

Últimas aquisições (8)


Desta conhecida série  Antologia da Terra Portuguesa, editada como é frequente sem indicação de data - talvez  por razões obscuras e inconfessáveis - pela Bertrand, mas que julgo ter sido publicada nos anos 60, consegui adquirir por preço módico mais dois volumes (em imagem). Ficam assim a faltar-me apenas 5, dos 19 livros por que era composta a colecção.
Compreendendo textos em prosa e verso, à excepção de Lisboa, que foi desdobrada em dois (verso e prosa) livros, estas antologias têm como seleccionadores figuras de relevo e particularmente conhecedoras da região, província, cidades ou ex-colónias que são abordadas, com transcrições, por vezes, de autores menos conhecidos e locais, mas sempre interessantes no teor dos seus escritos.

domingo, 11 de novembro de 2018

Mercearias Finas 136


A efeméride teve direito a Bolo de Aniversário, pelos 9 anos do Arpose. Graças à iniciativa, saber e criatividade de HMJ. Que, logo de manhã, se pôs ao trabalho. Saiu este bonito e saboroso Hefe-Mohn Stollen, recheado de passas, sementes de papoila e amêndoas laminadas, que pré-anuncia a época natalícia de tradição alemã.


O corte do bolo revelou a feliz coincidência de mostrar, no interior, também, o algarismo 9 definido pelo recheio das sementes de papoila, a negro.
Bem merece, por isso, o acompanhamento especioso de um Colheita Tardia. Que vai ser uma garrafinha de 0,50 lt. da Casa Santos Lima (castas Semillon, Moscatel, Gewürtztraminer), de 2012.
Que vou pôr no frigorífico, logo que acabe este poste, para ir a tempo de refrescar um bocadinho, para o jantar...



Nostalgias


Este sonido anos 50, a que os metais emprestam uma nostalgia festiva para o nono aniversário do Arpose, bisam, numa outra canção, a voz potente da mexicana Paquita la del Barrio (1947).
E não posso deixar de referir o lado pioneiro da trunfa avançada e ruiva à trump, avant la lettre, que a cantora, originalmente, aqui usa..:-)
Bom dia a todos, os que nos visitem!

Para matar saudades de Vasco Santana... e acompanhar um aniversário


Integrado na propaganda da campanha de Alfabetização de Adultos, este pequeno filme (1952) de cerca de 30 minutos, está dividido em 6 pequenos episódios, que contam, todos eles, com a participação de Vasco Santana (1898-1958). A actriz Maria Olguim entra em dois deles e o jornalista Fernando Pessa compõe, bem, a figura de Professor, no episódio do Exame.
Creio que o filme não será muito conhecido e, embora não sendo notável mas um pouco ingénuo nos meios utilizados, não deixa de ser uma curiosidade, que se vê sem custo e com algum agrado. 
Aqui fica, por isso.


P. S.: o Arpose celebra, hoje, o seu 9º aniversário. Este é o poste nº 10.130.
O vídeo destina-se, principalmente, aos Amigos, estimados Comentadores, e Seguidores fiéis, como uma espécie de pequeno brinde, agradecendo o estímulo sempre importante que nos dão, para que o Blogue continue. E para os tentar compensar por nos terem aturado até aqui...

sábado, 10 de novembro de 2018

Precauções


Com este mau tempo que se anuncia, a Senhora responsável decidiu reforçar a ucharia cá de casa, abastecendo-a de primores de Outono. As uvas D. Maria, dulcíssimas, já estão quase no fim, porém... O queijo do Fratel, que está no ponto, ainda dá para uns quantos dias, e as castanhas, cozidas, tiveram  apenas a sua estreia, tendo sido aprovadas por maioria, ao jantar. Para amanhã, anuncia-se uma reconfortante favada, ao almoço. Vou pensar, entretanto, no tinto que irei abrir. Por aí, também não vai haver problema...

Exposição de Pedro Chorão


Inaugura-se hoje, da parte da tarde, n'A Moagem - Cidade do Engenho e das Artes (Fundão), uma exposição de novos desenhos do pintor Pedro Chorão (1945), que estará franqueada ao público até 3 de Março de 2019.

Regionalismos ilhavenses (7)




Na temática projectada e seleccionada da obra já anteriormente referida, seguem-se regionalismos de Ílhavo começados pelas letras g, h e i, por ordem alfabética. E assim:

1. Gaiuta - cúpula que cobre uma escotilha redonda; cobertura do mecanismo do leme.
2. Galalau - homem de grande estatura.
3. Gaudipar - comer muito à pressa.
4. Geufeira - mulher mal vestida.
5. Grães - testículos dos animais domésticos.
6. Gueira - porcaria; tripas nos convés dos pesqueiros; substância viscosa das enguias que as faz escorregar; por isso, para as segurar e amanhar temos de as envolver em areia.
7. Horsa inglesa - pessoa muito grande; mulher alta e desajeitada (talvez de "horse" - cavalo).
8. Impada - pessoa molengona, que não faz nada.
9. Ingar - teimar.
10. Inhenho - indivíduo acanhado, parvo, imbecil.
11. Ir òs cricos - ir apanhar berbigões.
12. Izio / Ousio - confiança; desculpas; liberdades.

Nota: a imagem, que ilustra e encima o poste, retrata o ilhavense Gabriel Ançã (1845-1930) que, embora de origens humildes, se tornou uma referência de bravura e coragem na região. Pescador e arrais desde muito jovem, distinguiu-se pelos muitos salvamentos de náufragos que, em condições adversas, praticou. Foi distinguido e condecorado pelo rei D. Luís, em vida. E existe em Ílhavo, um busto a celebrar a sua memória.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Citações CCCLXXIX


A história humana vai-se tornando cada vez mais numa corrida entre a educação e a catástrofe.

H. G. Wells (1866-1946), in The Outline of History.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Bestiário, excelentíssimo


Já não nos chegavam as vacas voadoras, para agora nos chegarem os unicórnios, pelo traço inconfundível de Luís Afonso...

Ad usum delphini (7)


Penso que nós, portugueses, temos uma enorme dificuldade em fazer transitar de forma escorreita e simples, para um documentário ou filme, a vida e percurso de qualquer personalidade nacional. Sai, normalmente, qualquer coisa de canhestro ou pernóstico, artificial e caricato. Às vezes, um produto a tender para o intelectualóide despropositado, quase ridículo.
Mas este documento fílmico, talvez feito com as mais puras e honestas intenções, tem um tal conjunto imprevisto de celebridades lusitanas, tentando desempenhar da melhor maneira o seu papel, que eu não resisti, a deixá-lo registado, aqui, no Arpose, para arquivo e memória futuros.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Música Francesa da Renascença

Recomendado : setenta e cinco


Eu já não lia, há anos, nada de Stefan Zweig (1881-1942), de cuja obra fui largo consumidor na juventude. Com proveito e gosto, aliás. O escritor, muito em moda nos anos 50 e 60, entrou num ocaso editorial, que se rompeu, felizmente, nos últimos anos.
O livro estava na banca da Escriba, a tentar-me. E eu fiz-lhe a vontade, afortunadamente. É uma breve biografia, limpa e justa, do senhor de Eyquem, Montaigne (1533-1592), que não lhe poupa os defeitos, mas também não lhe diminui as qualidades humanas.
A obrinha, devorei-a eu, enquanto esperava a vez no barbeiro. Ficaram-me 20 páginas das 92 que o livro tem. Acabei-o à tardinha, com enorme prazer, e pena por se me acabar este diálogo renovado com Zweig. Dos últimos trabalhos do escritor, parece-me dos mais perfeitos.
Por isso o recomendo, sem reservas.


para H. N., a quem se destina...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

A biblioteca de Raul Brandão


Uma biblioteca define, de algum modo, os gostos e, porventura, a maneira de ser do seu proprietário.
Foi por isso que, com alguma curiosidade, folheei o inventário da biblioteca de Raul Brandão (1867-1930), inserto na Revista de Guimarães (Volume LXXXIX, Jan--Dez. de 1979), biblioteca que, por disposição testamentária do Escritor, teria ficado à guarda da Sociedade Martins Sarmento. Só a partir de 1979,  isso aconteceu, por demora dos herdeiros em cumprirem a sua vontade, atempadamente. Uma vez que a viúva, Maria Angelina Brandão, teria falecido por volta de 1964.
O acervo é de média dimensão e, para lá dos livros portugueses, há bastantes volumes em língua francesa. Mesmo os volumes das obras de William Shakespeare (10), Dickens (8), Stevenson (6) e de Joseph Conrad (4), autores de língua inglesa, são versões em francês. Bem como as obras de Tolstoi (10), e Dostoievsky (7). Dos escritores gauleses representados, o maior número pertence a Balzac, com 25 livros, seguido de Anatole France (11), Michelet, Alexandre Dumas e Moliére, com 9 volumes, cada. Stendhal, com 8 livros e Paul Bourget, com 7.
Mas a minha grande surpresa, deu-se com os escritores portugueses. Do poeta, hoje esquecido, António Correia de Oliveira, havia 17 livros, na biblioteca de Raul Brandão - provavelmente eram amigos. Seguido por 12 livros de João Grave e 7 obras de Camilo. Junqueiro e António Sérgio (5), Pascoaes, Fialho de Almeida e Garrett, representados por 4 livros, cada. Seguia-se Aquilino Ribeiro, com apenas 3 obras. E não faltava, também, o polémico e escandaloso na altura, O Marquez de Bacalhoa, de António de Albuquerque, publicado em 1904.
Em síntese, eram estas  as leituras de Raul Brandão, na sua Casa do Alto, em Nespereira (Guimarães).

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Reactivar o passado


Tenho por costume, e quando isso é possível, averiguar, pelo rasto, para onde se dirigiram as visitas ao Arpose, ou daquilo que andavam à procura. Dos visitantes brasileiros, com raras excepções, é previsível a frequência intensiva e recorrente de 4 ou 5 postes*, que os atraem, irremediavelmente. Decerto, iscados, também, pela iconografia.  E o que revela, quanto a mim, um perfil estereotipado.
Outras vezes, e porque o poste está esquecido por mim, vou revisitá-lo. Reconstituo o passado, de certo modo, recordando uma data e pormenores que se passaram nesse dia, alguns anos atrás. Até por esse facto, um blogue pode ser útil. Tal como se fosse um percurso, um diário ou biografia virtual do efémero esquecido, relembrado e reanalisado. À luz do presente, com todas as suas consequências.

* concretizem-se os 2 postes mais visitados, pelo Brasil, e quase diariamente:
1.  Uma santa barbuda : a Santa dos Cuidados (poste de 11/5/2011).
2. "A incerteza do poeta" de Giorgio de Chirico (poste de 20/11/2011).

domingo, 4 de novembro de 2018

O contraditório, inesperadamente com a ajuda de Chico Buarque e Edu Lobo...

Um cartaz brasileiro de propaganda, de 1932


Os símbolos repetem-se, muitas vezes adaptados a novas conjunturas. O cartaz brasileiro de 1932 destinava-se a despertar consciências para combater a ditadura de Getúlio Vargas (1882-1954). Mas inspira-se, flagrantemente, nos seus antecessores, inglês e norte-americano, que foram concebidos com motivos e razões distintas, para objectivos semelhantes.

Revivalismo Ligeiro CCXXXVII


Para lembrar o tempo em que os ventos sopravam da esquerda...

sábado, 3 de novembro de 2018

Segundas vias


Uma coisa é vocação, outra, sobrevivência.
Há, no entanto, equivalências que são mais bem aceites do que outras, pelo espírito humano. Que um professor seja também romancista ou poeta, é tacitamente entendível e considerado normal, pela comunidade. Um médico romancear (Torga, Namora, Araújo Correia...), não causa ainda a mínima estranheza.
Já um bancário ser poeta e ensaísta (T. S. Eliot) cria alguma perplexidade e, nalguns espíritos demasiado ortodoxos, causa alguns engulhos de classe ou elitistas. Mais ainda, se um contabilista ou correspondente de línguas (Fernando Pessoa) se põe a poetar, ou se um empregado de uma loja de ferragens (Cesário Verde) se dedica, em primeira instância, a escrever versos. Primorosos, aliás.
Para subsistir, ocupar a rotina com banalidades pode ser útil e saudável, sobretudo se for para deixar à solta a criatividade pessoal. Como fez, por inicial necessidade, Carlos Paredes, administrativo dos Hospitais Civis de Lisboa, que nos deixou melodias maravilhosas...
O ócio, quando existe e é bem administrado, pode vir a ser arte. É preciso  é ter vocação para algo mais, do que passear na vida, por ver andar os outros.

Uma geminação forçada, para um aniversário...


Não serão bem crisântemos... mas se virmos a imagem em jeito de metáfora mais ampla, e surrealmente, até parecem sugeri-los.
Para Margarida Elias, no seu Memórias e Imagens, com muitos parabéns, este fogo de artifício virtual, pelo seu aniversário. E que conte muitos!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Difícil de perceber?!


Há dias, ao sair de uma grande superfície, vi um garoto, de 4 ou 5 anos, a puxar pela manga do casaco da mãe, e quase a gritar: "Eu quero aquele boneco, que me assusta!"
Porque é que, então, eu me hei-de admirar ao saber que Sinead O'Connor (1966) se converteu ao Islão? E de a ouvir, em canto transtornado, na cerimónia oficial da conversão, entoar um cântico religioso a Alá.

Uma fotografia, de vez em quando... (113)


Integrando desde 1976 a Agência Magnum, a fotógrafa norte-americana Susan Meiselas (1948) dedicou, na sua obra, uma particular atenção ao corpo feminino.

Colaborou com The New York Times e com o Paris Match, e cobriu também sublevações populares em El Salvador e na Nicarágua, através de instantâneos muito pessoais e singulares.