sexta-feira, 22 de junho de 2018

Apontamento 113: Johannes Gutenberg (1400-1468)




O ano de 2018 é um ano especial para a Associação Internacional de Gutenberg, sediada em Mogúncia na Alemanha, com o seu logotipo reproduzido acima. Celebram-se os 550 anos sobre a morte de Johannes Gutenberg, infelizmente com um desenho da efeméride pouco estético, mas aqui fica:

Todos os anos reúnem os sócios em Assembleia Geral para, entre outros, entregar o Prémio Gutenberg e apresentar o Anuário de Gutenberg, com artigos em geral muito interessantes e de que já guardo uma colecção razoável de vários anos.

A reunião magna, amanhã em Mogúncia, servirá, portanto, para entregar o prémio do presente ano a Alberto Manguel. Para além da imagem do premiado, segue em baixo uma ligação para uma pequena entrevista ao escritor e Director da Biblioteca Nacional da Argentina.



Gutenberg-Preisträger Alberto Manguel im Interview: "Es ist der Nobelpreis der Nobelpreise":



Post de HMJ

Citações CCCXLII


Em maior ou menor grau, o núcleo religioso do indivíduo e da comunidade foi degenerando até se transformar numa convenção social. Tornou-se numa espécie de cortesia, num conjunto de reflexos ocasionais ou superficiais.

George Steiner (1929), in Nostalgia do Absoluto (pg. 12).

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Falsa partida


É com desconforto que vestimos o Verão, ainda com a visão matinal do ébano espelhado das ruas lavadas pela noite e dos caricatos guarda-chuvas abertos dos passantes. O gato preto e branco que, ainda ontem, se aquecia no tejadilho do automóvel estacionado já terá, com certeza, procurado outros abrigos mais seguros.
Eu próprio, retardado, espero uma aberta, sem saber o que vestir, para sair e comprar o jornal, que só por descuido anunciará a chegada do Verão.

Chopin / Engerer

terça-feira, 19 de junho de 2018

Da leitura (25)


E porque está na ordem dos dias presentes, ocupando, monoliticamente, quase todo o espaço de notícia, talvez para desviar os pobrezinhos das questões essenciais,  ou mais importantes, valerá a pena lembrar estas palavras certeiras, escritas por R. M. Rosado Fernandes (1934-2018), no já longínquo ano de 2006.
Aqui vão elas:

Ficou por aí o meu conhecimento mais íntimo do futebol, que sempre preferi praticar do que discutir no barbeiro ou no café, como muitos faziam e fazem, por forma a sublimarem a preguiça física em que os portugueses são peritos, além de aproveitarem para desfazer nos dirigentes burocráticos do futebol, gente em geral detestável, sobre a qual aguçam a má língua, embora por zelo clubístico cheguem a apoiar os mais corruptos, desde que tragam dinheiro para o clube. Era e é, de facto, um mundo em que só homens se alinhavam diante de homens, o que aumentava a influência das mulheres mais poderosas das famílias. Hoje é isto substancialmente diferente, porque as mulheres partilham activamente a paixão desportiva e fanaticamente clubista.

R. M. Rosado Fernandes, in Memórias de um rústico erudito (pg. 63).

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Histórias de reis


Creio que foi em 2005 que, sob o patrocínio da Universidade Católica e coordenação de Roberto Carneiro, teve início  uma colecção que traçava a biografia individualizada dos 34 reis portugueses. Cada rei teve o seu biógrafo, normalmente um historiador conhecido e competente. Dos poucos livros que li, elegeria a biografia de D. João II, como a mais curiosa, e o volume sobre Filipe I (de Portugal) como o menos interessante. Seja como for, neste particular, Portugal foi pioneiro.
Por volta de 2015, e sem preocupações de ordem cronológica de publicação, uma editora inglesa começou a lançar no mercado as biografias dos reis da Grã-Bretanha, intitulando-se a colecção: Penguin "Monarchs". Estavam previstos 45 volumes. Que têm vindo a publicar-se.
Mais recentemente, ainda, foi publicada, em França, a vida do gaulês Vercingétorix. E outras biografias, ao que parece, irão surgir. Não sei se noutros países europeus estará a acontecer o mesmo.
Nestes tempos de globalização e internacionalismo militante, em que prezar as coisas nacionais, para alguns, não deixa de ser vergonhoso, considero os factos atrás referidos como um sinal muito curioso e contracorrente.

Pinacoteca Pessoal 136


Nascido em Adelaide (Austrália), de pais ingleses, Henry Lamb (1883-1960) cursou Medicina na Grã-Bretanha, mas cedo abandonou a faculdade para frequentar uma escola de Belas-Artes, em Londres, dirigida pelo pintor inglês Augustus John. Mais tarde, por volta de 1907, viajou para Paris para desenvolver os seus conhecimentos e a sua arte.


Dessa estadia em França, trouxe memórias visuais de ter assistido a parte da agonia trágica de uma camponesa (Madame Favennec), atingida por um cancro da garganta, que lhe permitiram, mais tarde (1909/1911), pintar a tela Death of a Peasant (Tate Gallery), cujo expresso dramatismo lhe grangeou, quase  de imediato, reconhecido merecimento nos meios artísticos ingleses.


Mobilizado no decurso da I Grande Guerra, não deixou de pintar algumas cenas de retaguarda e expressivos retratos, temática em que era exímio. Ainda hoje o retrato de Lytton Strachey é considerado dos mais fidedignos e singular, até pelo  enquadramento na pintura, do escritor britânico. 

domingo, 17 de junho de 2018

Correntes dominantes (mainstream)


A clonagem da originalidade ou a pasmaceira bacoca da vulgaridade, diariamente vista...

Em tempo:
não sendo a primeira vez, que tal acontece, a morte recente de um casal australiano, por queda das escarpas da Ericeira, parece ter sido devida ao facto de eles terem ultrapassado a barreira de segurança, devidamente assinalada no local.
Ao que dizem, para tirar umas selfies, imagine-se...

sábado, 16 de junho de 2018

Os Trabalhos e os Dias (12): Cerejas de Resende



Este ano já tínhamos comido várias vezes cerejas. Umas melhores que outras, mas quase todas bem saborosas.

Ora, encontramo-nos na época do abastecimento anual de doces, para os meus pequenos-almoços e ofertas para os amigos. Com efeito, já aproveitei os morangos e uma abada de laranjas e clementinas para encher os frascos para o Inverno.

Para a matéria-prima apenas confio nas ofertas amigas e no meu fornecedor do Mercado do Monte. Costumo passar lá às sextas-feiras para encomendar os frutos: morangos, cerejas ou pêssegos, porque são a base preferida para os meus doces.

Hoje foi o dia para levantar a encomenda. De produtor identificado de cerejas de Resende, como se vê pela imagem.


Em vez de levar 3 quilos e meio como tinha encomendado, lá trouxe a caixa toda, reproduzida acima. Mais dois quilos do que previa, o que me obrigou a uma cozedura dupla por falta de tacho suficiente grande. Ainda me desloquei para arranjar mais frascos. Tudo porque tive, de manhã, ao ver as cerejas, “mais olhos que barriga”, avaliando mal os diversos “continentes” para tratar de tanto “conteúdo”.

No entanto, tudo se fez e o resultado se divide por ca. de 20 frascos de que se apresentam alguns exemplos.


Ao jantar já houve um momento de prova para avaliar a consistência e o docinho ficou aprovado.

Post de HMJ

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Vinicius / Maysa / Adoniran

Miscelânea, a propósito de Proust


As cartas de leitores ao Director, no TLS, têm-se multiplicado, ultimamente, a propósito da recente tradução do título, para inglês, de Du Côté de chez Swann, de Marcel Proust (1871-1922). Cada um dá a sua sentença e alvitre: de To Swann's Way até Toward's Swann's Place, passando pelo sintético Over at Swann's, entre muitos outros. Neste aspecto, tenho dificuldade em tomar partido...
Como por vezes me divido, também, perante uma obra (de arte?) extravagante, cujas qualidades estéticas se me não impõe, de imediato, ou me surpreendo perante os preços exorbitantes que algumas telas, de pintores conhecidos, atingem em leilões, e vou compreendendo inteiramente que alguém, criterioso nos seus juízos, se aconselhe com especialistas sobre assuntos que não domina, antes de tomar posição.

Ao que parece, assim acontecia com Proust, como nos diz Gautier-Vignal, no seu livro Proust connu et inconnu, no que à Música clássica dizia respeito. O escritor francês procurava, quase sempre, a opinião avisada de Reynaldo Hahn sobre compositores contemporâneos, sobretudo.
Não admira, por isso, que tivessem frequentes contactos pessoais e até trocassem correspondência. O que verdadeiramente me surpreende é que, num leilão recente em Paris, um bilhete-carta de Marcel Proust para Reynaldo Hahn, datado de Março de 1896, essa missiva tenha sido arrematada pela astronómica quantia de 8.125,00 euros. Será mesmo um valor justo, ou haverá pessoas que não sabem como gastar o seu dinheiro excessivo?

agradecimentos cordiais a H. N..

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Um simples painel de 4 azulejos


Pelo nome, iriamos dar a Queluz e ao conhecido e primoroso restaurante, e assim faria todo o sentido que os azulejos tenham sido confeccionados em Sintra, que lhe fica próxima. Desiludam-se, porém. Porque o painel foi colocado no pátio interior de uma nobre mansão, ao fundo da rua do Raimundo, em Évora. Talvez para lembrar que, no Alentejo, também se podem degustar magníficos pratos de caça, em estação propícia. Como perdizes, por exemplo.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Eugénio de Andrade (1923-2005)



P. S.: em aditamento, a pedido, aqui deixo, com gosto e cordialmente, a capa da antologia eugeniana, donde foram retirados os 2 poemas, em imagem.
Aproveito para lembrar que passam, hoje, 13 anos sobre o falecimento de Eugénio de Andrade.


terça-feira, 12 de junho de 2018

Província e livrarias


Eu creio que a paisagem livreira, em Évora, não se alterou desde que eu lá estive, pela primeira vez, no início dos anos 60. Apesar da Universidade, depois de instalada. Continua a haver uma única  média livraria, na praça do Giraldo. Voltei a visitá-la, em Maio passado, e a mesma insuficiência se notava. As duas empregadas pareceram-me também muito pouco habilitadas para a função. E as prateleiras e estantes estavam adornadas de títulos e capas espalhafatosas que se podem encontrar na Staples, nas lojas híbridas dos CTT ou em qualquer grande superfície - em suma, o trivial mediocre.
Agora, em Guimarães, e no início deste mês de Junho, o desconsolo foi maior...
Nos anos 50, a cidade tinha duas boas livrarias: a Casa das Novidades e a Livraria Lemos, ambas na rua da Rainha. Eu era cliente da primeira, em que me abastecia de produtos de papelaria e livros escolares, mas também lá ia comprando os volumes iniciais da minha ainda incipiente biblioteca. Depois, nos anos 60, abriu, na rua de Santo António, a então moderníssima Livraria Raul Brandão, que ficava quase em frente da Gráfica Minhota, que também tinha livros para venda. Mais tarde, e na rua Gil Vicente, inaugurou-se a Orfeu. Assim, nos anos 80, Guimarães contava com 5 boas livrarias.
A Livraria Raul Brandão foi a primeira a fechar. A Lemos foi-se reconvertendo e, hoje, mais parece uma loja de decoração; quando lá entrei, no princípio de Junho, não teria mais do que 50 livros expostos, para venda! A Orfeu, na Gil Vicente, parecia uma loja de lembranças para turistas pouco exigentes. E a minha querida Casa das Novidades, onde pontificava, dinâmico e sabedor, o Ginha, no meu tempo, abastardara-se de tal modo, que nem se notava que fora uma livraria de referência. Quem diria que Guimarães, a exemplo de Évora, tem agora também um polo de ensino da Universidade do Minho?!
Que tristeza...

Ironias, ou a raspadinha dos milagres


Para qual dos dois irá o Nobel das pazes, se ambos, no passado, se acusaram de assédio? E o Óscar?
Para o canastrão desengonçado ou para aquele obeso actor secundário com cabelo techno? Nesta mal parida comédia mediática que ocupou milhares de espaços televisivos e há-de vir a encher páginas e páginas tagarelas de vazio.
Para repor consistência nesta encenação caricata, haveria que regressar a Shakespeare e ao seu Macbeth, de há quase 4 séculos, de publicado, e legendar assim: ...it is a tale/ told by an idiot, full of sound and fury,/ signifying nothing.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Começar a semana com Vivaldi

Humor negro (9)


O ditado é dado como originário do Alentejo e referir-se-á a alguém que se exalta sem motivo.

Reza assim: 
Baixa a bolinha que o guarda-redes é anão.
Assim seja...

domingo, 10 de junho de 2018

Passeios 7: Impressões da Invicta


Embora julgando ter um razoável sentido de orientação no espaço, há cidades portuguesas que me enervam e nas quais evito conduzir. Uma delas é o Porto. Saindo da Avenida da Boavista, tudo se complica.

Com efeito, depois da chegada arrumei o carro numa garagem de amigos e passei a usar o “andante” ou as próprias “patinhas”.

Da zona da Foz, reproduzida acima, apanhei a carreira 207. Uma maravilha ! Foram 40 minutos bem passados, podendo observar do pobre ao rico, num giro pela cidade sem a ansiedade do trânsito. Apreciei tudo, até as “mulheres da vida”, a secar umas “leggings” num banco do Jardim de S. Lázaro após uma carga de água, que também apanhei a caminho da Biblioteca Pública.

De tarde, e com o tempo melhor, ainda deu para descer a Rua de Diu, olhando para o edificado e o Mar ao fundo.


É sempre com enorme gosto que caminho por certas zonas da Invicta, olhando para casas e “casinhas” tão diferentes do Sul. Parece tudo mais “mossiço”, janelas e portas com madeiras maciças e que casam com pormenores de acabamento que encantam.

Resulta, no entanto, dessa junção, certamente ditada pelo tempo e o uso, um objecto sólido que não dispensa o encanto da beleza.


Post de HMJ, dedicado a I.A.M e A.A.M

Divagações 130


Andaram-me pelos olhos e pelas mãos três livros de poesia deste século, ultimamente. Um, em releitura, que, se não fosse o posfácio de Eugénio de Andrade, não se salvava de todo. Os outros dois deixaram-me um desconforto frio, sobretudo pela arquitectura pobre sobre que foram construidos.
Também hoje se usa, na prosa, o recurso forçado à ficção autobiográfica, bem como prosear à custa de glosar clássicos ou autores já firmemente ancorados nas histórias literárias. Na poesia, é o excesso ao quotidiano que, se poderá atrair um incauto e pouco experiente leitor pelo realismo dos cenários, não deixa de ser um artifício bem mediocre. Que não permite que o poema suba às alturas, sacrificando-o à vulgaridade mais banal.

Li, algures, que, em França, cerca de 1/3 da tiragem dos livros publicados acabam guilhotinados. Será que voltamos ao terror e ao lixo? E quem subsidia estas editoras incontinentes? Será a Banca? Que depois pede ajudas ao Estado, para não se afundar?
Mal ou bem, acabamos sempre por ser envolvidos.

sábado, 9 de junho de 2018

Revivalismo Ligeiro CCLXXXI


Osmose 94


Tenho por hábito com amigos, e com conhecidos que respeito, por gentileza e urbanidade, tentar falar a mesma língua. Ou seja, observar as suas regras e ética geral, nos contactos. Quer em tempo, quer em substância. Com atenção e presteza. Embora isso não impeça a discordância ocasional em temas de fundo ou questões de princípio, que me sejam caras. Nem me obrigue a qualquer sujeição hipócrita ou contranatura.
Preciso, no entanto, de progredir. De admitir a diferença. E de saber esperar, sem impaciência. Porque reajo mal, íntima e silenciosamente, quando não procedem de igual modo para comigo. Ainda não atingi essa humildade. E vai ser muito difícil...

Ideias fixas 15


É célebre a conhecida frase: O que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos. Não satisfeitos com isso, os norte-americanos, alargaram-na a um conceito, quase diria, universal. Qualquer coisa como: o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Mundo...
Desde ontem que, quando abro o Youtube, me vem uma enxurrada de vídeos recomendados sobre o último suicida célebre que, por acaso, é norte-americano, embora de ascendência francesa. De imediato, eu apago os vídeos, e o Youtube recomenta que tomará boa nota da minha indicação.
Mas se, passadas 6 horas, eu voltar a abrir o canal, teimosa e obstinadamente, lá ele me volta a recomendar uma série de vídeos sobre o mesmo senhor.
Irra!

Uma perspectiva


Com o declínio da religião e o crescente relativismo, é fácil acreditar que nós somos simplesmente um feixe (bundle) de impulsos neurológicos em busca de uma narrativa.

Julian Baggini (1968), filósofo inglês, citado, em paráfrase, por Stig Abell, no TLS (nº 6008).

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Retro (98)


Quase todos os conflitos bélicos, a partir do século XX, foram acompanhados, por parte dos governos envolvidos, de propaganda justificativa das razões que legitimavam as guerras. Essa propaganda poderia ser radiofónica, assumir a forma de cartazes, publicações escritas distribuídas gratuitamente aos cidadãos (e em países amigos e aliados) ou, em tempos mais recentes, ocupar espaços de antena televisivos.
E se as imagens, a partir da II Grande Guerra, tiveram uma importância preponderante, na I Grande Guerra eram os folhetos escritos a forma mais usada para ganhar as consciências, sobretudo das classes mais cultas e letradas.


Alguns se hão-de lembrar de dois ou três slogans estadonovistas, difundidos constantemente nos microfones da antiga E. N.. Um, de meados dos anos 50: Os sinos da velha Goa e as bombardas de Diu serão sempre portugueses, para reagrupar os nacionais em defesa do ex-Estado da Índia. O outro, no início dos anos 60, acompanhado de música marcial, que entoava em estribilho o Angola é nossa!
Os chamados Campos de Concentração foram criação original do Império Britânico, na África do Sul, aquando da guerra anglo-boer (1899-1902), destinando-se ao acantonamento, em espaço restrito, das populações de colonos de origem holandesa.


Não deixa por isso de ser irónico que, destes 4 folhetos ingleses (seguramente, destinados a Portugal), em imagem, um deles se ocupe a verberar, em 1916, Os Horrores de Wittenberg, sobre as condições desumanas dos prisioneiros britânicos em território alemão, durante a I Grande Guerra. Chamo ainda a atenção para o folheto A Perspectiva da Guerra, que foi subscrito, em 1915, pelo célebre criador de Sherlock Holmes -  Arthur Conan Doyle. O opúsculo destinava-se, principalmente, a justificar a Expedição dos Dardanelos, tentando desvalorizar a derrota e as muitas mortes de soldados britânicos (cerca de 100.000) por que se saldou.


grato reconhecimento a A. de A. M., que me facultou o uso destas interessantes publicações.





quarta-feira, 6 de junho de 2018

Retratos (19)


Em relação a reuniões de confraternização, com almoços ou jantares sequentes, as opiniões dividem-se, normalmente. Há quem os considere uma chatice, outros, não faltam a nenhum. Quanto a mim, se tenho garantido um pequeno grupo de próximos ou amigos, não me importo de os frequentar. No último, dava por adquirido que o serviço e o amesendar seriam de qualidade. Como foram; só de entradas, a preceito, vieram papas de sarrabulho, salgados miniatura, salada de polvo, pequenos pratinhos de rojões, mexilhões, moelas, eu sei lá... A nossa mesa, em presenças humanas, também se me fez a contento das minhas expectativas.
Algumas surpresas me esperavam, pela positiva: uma familiar que já não via há quase 40 anos, o Nanu com o cabelo totalmente branco, mas que conservava os traços de rosto juvenis, a Carviçais que eu não reconheci, porque perdera a beleza gentil que lhe era própria. E o Fernando G. A., que conservara a sua bela voz de soprano. Mas que se tornara, à força de querer ter graça constantemente, numa pobre caricatura de si próprio. Mantinha o nariz adunco de Cyrano, ainda devia cantar e tocar bem o fado coimbrão, mas adornara-se, para a festança, com um chapéu exótico e garrido, e uma écharpe. A pose era excessiva.
Depois, finalizava os seus ditos com longas gargalhadas, o palavrão sublinhava todas as suas histórias e os gestos teatrais exagerados, tornavam quase deprimente acompanhá-lo. Além disso, a hipocondria dominava, crescente, com a idade. E o cabelo longo, mas muito ralo, acentuava-lhe a decadência geral. Teria preferido não o ter reencontrado... pelo desfazer da imagem que fora.
Daí que compreenda totalmente aqueles que evitam este tipo de romagens de saudade a uma juventude perdida.

Sammartini / Mayer

terça-feira, 5 de junho de 2018

Uma fotografia, de vez em quando... (107)


Mais do que a preocupação estética ou artística, a obra fotográfica da francesa Thérèse Rivière (1901-1970) serviu de apoio objectivo, sobretudo, aos seus trabalhos etnográficos centrados, principalmente, na Argélia, então francesa, e em particular no estudo da etnia berbere.



A sua primeira profissão foi, na Michelin, como desenhadora industrial. Mas a sua paixão pela etnografia fê-la atravessar o Mediterrâneo e colher impressionantes testemunhos do viver dos nativos argelinos, com quem conviveu de perto. O resultado dos instantâneos captados (mais de dois milhares de fotografias), integrou, em pequena parte, o acervo de uma exposição, em 1943, no Musée de l'Homme.



Thérèse Riviére, durante parte da ocupação alemã, na II Grande Guerra, fez também parte da Resistência francesa.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

3 quadras (populares e bem dispostas), que trouxe do Alentejo


Assenti-me em cima dum tojo,
aquela porra picou-me.
Emborqui um madronho,
não é que aquilo passou-me!?

...
Eu vi-te no teu jardim,
andavas apanhando hortelã.
Eu gosto de ti.
E tu, ãh?

...
Gostava de ser vestido,
vestido que tu vestisses.
Para onde quer que tu fosses.
Eu isses.

domingo, 3 de junho de 2018

Onomástica


À mesa, António, cada um dos três.
Dois à minha direita, o terceiro, à esquerda. Quando falo para a direita, vejo-me obrigado a acrescentar o apelido, para cada um deles saber a quem me dirijo. Amigos de longa data, somos da geração em que predominavam os José, João, Joaquim, Manuel, Francisco e António.
Hoje em dia, diversificaram-se um pouco mais os nomes de baptismo. Embora também haja, por aí, inúmeras Marias, Cláudias, Joanas, Vanessas e Bárbaras. E Tiagos. E, não há dúvida, que os Antónios regrediram... Até, talvez, uma próxima revoada da moda.

sábado, 2 de junho de 2018