quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Idiotismos 39


A fazer fé naquilo que afirma António Thomaz Pires, no seu Origem de várias locuções, adagios... (Elvas, 1928): "Os turcos cumprimentam-se uns aos outros, com : SALAMALAI KOM (a saúde vos acompanhe); destas palavras árabes veio a palavra salamaleque."
Actualizadamente, a expressão correcta será Salaam Aleikum, traduzível por: a paz esteja convosco. E a adaptação ao português, ou corruptela fazer salamaleques vale por um tratamento cortês algo exagerado.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Citações CCCIII


Um dos grandes problemas da poesia rimada e metrificada é esse. A quantidade de poetas que acha que está fazendo poesia porque está fazendo verso metrificado. A métrica está certa, a rima está certa e o cara pensa que é poesia, mas não é.

Ferreira Gullar (1930-2016).


Nota: o poeta brasileiro Ferreira Gullar, falecido ontem (4/12/2016), foi Prémio Camões, em 2010.

Recomposição


Ideias fixas 7


..."Os coleccionadores têm sempre as suas particularidades, mas nalguns casos é possível encontrar padrões comuns - os japoneses, por exemplo, gostam de peças com pequenos defeitos porque, culturalmente, rejeitam a simetria."...

Jorge Welsh (antiquário), em entrevista ao jornal Público (4/12/2016).

Wim Mertens

domingo, 4 de dezembro de 2016

Mercearias Finas 117


Altamente improvável, a Caldeirada, hoje, não tivéramos ido ao Mercado do Monte e a Leonor nos esperasse, bem como a filha já bem grávida, pela segunda vez. Estavam caros os Linguados e os Pregados, enquanto a Caldeirada não chegava aos 10 euros o quilo e estava fresca, bem variada e abastecida.
Disse-lhe só: "Safio é que não, que é muito traiçoeiro de espinha!" Pergunta-me a Leonor: "E Pata-roxa pode ser? Respondi: "À vontade, e pode abusar da Raia, também!"
Popular o conduto do almoço, pede um vinho cumpridor, mas sem exuberâncias. Tenho um Borba branco, de 2015, no frigorífico. Anda muito bom nos seus 13º de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro (o Síria das Beiras, que alentejano, no Borba, acaba sempre por ser menos acídulo), que vão combinar, por certo, muito bem com a Caldeirada. E saudosa, que este ano, pelo Verão, pouco prováramos delas.


sábado, 3 de dezembro de 2016

Exposição de Pintura


Aqui se dá notícia da inauguração, no próximo dia 10 de Dezembro, em Gondomar, de uma exposição de pintura de Maria Dulce Barata Feyo.

Grandes questões de antanho


Um diálogo de Apostrophes:
Bernard Pivot: «Pourquoi buvez-vous?»
Marguerite Duras: «On boit parce que Dieu n'existe pas.»

Nota: este Apostrophes pode ser visto e ouvido na íntegra, no Youtube, sob o título - Marguerite Duras - Les grands entretiens de Bernard Pivot.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Pinacoteca Pessoal 119


Com vida breve e actividade frenética, sobretudo como escritor menos bem sucedido, mas com resultados surpreendentes na ilustração finissecular, o inglês Aubrey Beardsley (1872-1998) tem nas gravuras que criou para a "Salomé", de Oscar Wilde (1854-1900), um dos seus trabalhos mais interessantes e conseguidos.
Integrado nos cânones e escola dos pré-rafaelitas, a sua obra pressagia a art nouveau pelo traço estilizado e elegante dos seus desenhos. Com uma vida muito pouco convencional e até algo escandalosa, Beardsley faleceu prematuramente com 25 anos, de tuberculose.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Ainda da "Cantata Memoria", de Karl Jenkins

A ter em devida conta


Adagiário CCLXIII : Dezembro (7)


1. Dezembro molhado, e Janeiro bem gelado.
2. Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio.
3. Quem varejar antes do Natal, fica-lhe a azeitona no olival.
4. Dia de S. Silvestre (31) nem no alho nem na réstia.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Da leitura (19)


Houve quem desse tarde por Eugénio de Andrade e a sua poesia. Não foi o caso de Jorge de Sena, mas terá havido, entre ambos, uma empatia recíproca. Uma amizade fiel. E feliz.
O traço de uma correspondência raramente é pendular. Quero eu dizer, equilibrado, sem que um dos interlocutores se subestime ou submeta ao peso do outro. Muitas vezes, há um tom predominante que desequilibra de forma flagrante essa relação humana onde se carteiam emoções, ideias, instintos, sentimentos. Quando a correspondência é literária, os perigos são ainda maiores...
Esta troca de cartas entre Eugénio de Andrade e Jorge de Sena tem, porém, um aparente selo de humana, frágil, enorme autenticidade sem pose nem resguardo - sem defesa, em suma. A verdade do que é dito não tem segundos sentidos. Por ela perpassam depressões, doenças, necessidades, aflições, algumas alegrias num registo de nudez que só podia ser o de uma grande amizade.
E delas ressuma, ainda hoje, uma atmosfera, uma ambiência que retrata o viver português (mesmo que um dos interlocutores seja expatriado), difícil, da segunda metade do século XX. Filtrado por duas grandes figuras de uma época. Nem sempre felizes...


terça-feira, 29 de novembro de 2016

F. Liszt / V. Lisitsa

Lembrete 56


Publica-se desde 1929 e é uma espécie de almanaque dos pobres, informando sobre agricultura, astrologia, feriados, curiosidades, provérbios, fases da Lua...
Como já estava à venda, comprei-o mais por graça do que por utilidade, como fiz há 6 anos, dando também aqui notícia (11/10/2010). A sua longevidade na edição bem merece uma atenção da nossa parte, que o vemos aparecer pelo trimestre final de cada  ano.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Advento



Aqui está, com um dia de atraso, a nossa coroa de Advento deste ano. Como não há distribuição de correio ao Sábado, chegou apenas hoje. 


O calendário já está na parede, a aguardar o dia 1 de Dezembro para eu abrir, diariamente, as 24 portas que, nesse dia, nos separam do Natal.

Post de HMJ, em geminação com a Margarida Elias

Do que fui lendo por aí... (3)


Uma questão fundamental, que marca a fronteira entre o individual e o mundo exterior, é o facto de encontrar um cabelo, nosso, na sopa, ser desagradável e encontrar o cabelo de uma outra pessoa ser insuportável.

Kathryn Hughes, in TLS (nº 5929).

domingo, 27 de novembro de 2016

Revivalismo Ligeiro CCXL

para agitar o Domingo...

Carlos E. Riverón R. (Cuba, 1979)


Adentro


Alguns versos  não cabem já no peito,
e por isso saem sem pedir
licença às palavras.

Outros nunca se libertam, permanecem
como lágrimas misturadas pelo sangue.
Certeiro antídoto diante do vazio.

sábado, 26 de novembro de 2016

Curiosidades 60


Muita gente saberá que o uso de beber chá veio da China. E que foi Catarina de Bragança (1638-1705), filha de D. João IV, quem, ao casar com o rei inglês Carlos II, levou para a Grã-Bretanha o costume de se beber chá, a meio da tarde.
O que nem todos saberão - lenda ou história verdadeira - é que terá sido o imperador chinês Chen Nung, no ano 2737 A. C., que, por acaso, o criou pela primeira vez e o bebeu. Este imperador tinha bons conhecimentos de medicina e, por questões de saúde, ordenou que os seus súbditos sempre que pudessem deviam beber apenas água depois de fervida. Ele próprio cumpria, escrupulosamente, a regra.
Num dia de grande calor, Chen Nung sentou-se à sombra de uma árvore selvagem, bebendo a sua água fervida. Uma leve aragem fez desprender algumas folhas do grande arbusto e duas ou três cairam no seu copo. Ao levar aos lábios esta inesperada tisana, o imperador ficou maravilhado com o sabor requintado da bebida. A nova feliz espalhou-se e o uso do chá começou a ser hábito na China.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Miscelânea pré-natal


Sempre me perguntei sobre o que teria feito cobrir os nossos antepassados das cavernas: teria sido o pudor ou o frio?
Porque chega-se a uma altura do Outono, já perto de Dezembro, que, quando é noite, o que apetece é ficar encotinhado a um canto, de preferência num maple, com os pés aquecidos, a ler uma obra agradável de um autor predilecto, e não fazer mais nada...
A proximidade do Natal traz muitas coisas consigo, num mimético atavismo que se repete, ano após ano. A começar, cada vez mais donas de casa a virem ao Arpose, para consultar (ou copiar) a receita dos mexidos vimaranenses (em Dezembro do ano passado foram mais de 250 videirinhas)...
Jornais e revistas aumentam a publicidade, para as prendas natalícias. Por sua vez, o TLS recorda Dezembros passados. Lembra que, em 1974, pediu, por exemplo, a 14 escritores renomados recordações dos seus livros mais memoráveis de infância.
De alguns escritores mais conhecidos, aqui vão as preferências:
Isaiah Berlin - "Os filhos do Capitão Grant" e "David Copperfield";
William Golding - "A Família do Robinson Suiço";
Iris Murdoch - "A Iha do Tesouro".
Curiosamente, todos estes livros estavam traduzidos em português e também foram lidos por mim, na juventude. Os mais vezes citados foram porém: Black Beauty ("O Cavalo Preto", em português), de Anna Sewell, Tom Sawyer, de Mark Twain, e "O Coração", de Edmundo de Amicis, que constam da minha biblioteca e me deixaram também boas recordações.
Realmente, não há nada como o Natal para nos aproximar dos anos mais tenros...


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Classificação


A Suiça é uma espécie de clube. Nem todos gostarão de associar-se, mas para aqueles que gostam de ordem e de uma vida tranquila, a Suiça é o lugar certo.

Patricia Highsmith (1921-1995).

Nota: e eu acrescentaria que também para morrer em paz, que o número de conhecidos é impressionante - Thomas Mann, Charlie Chaplin, Georges Simenon e a própria Patricia Highsmith, entre muitos outros...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Apontamento 94: Passeios por Lisboa - 5



Ao contrário de muita gente, faço parte de uma geração pós-guerra que crescera no meio de obras e numa tentativa de mudar um país em ruínas.

Com efeito, trabalhos e recuperação e manutenção do edificado, com os distúrbios óbvios para uma rotina estática, fazem parte de um ADN, de saudável espírito de conservação.


Olho, pois, para as obras na cidade de Lisboa com alguma curiosidade, sabendo que, na maior parte dos casos, o aproveitamento imediato será o turismo, com todos os defeitos de uma estratégia mal concebida para o “chunga” em vez de uma elevação espiritual e cultural.

Ouvindo os abencerragens da velha CIP, sugeria que se preocupassem com a qualidade e cultura dos “nossos empresários”, porque, no dia-a-dia, percebemos bem que eles nem sequer estratégia têm para além de alugar os quartinhos às escondidas da AT.


Resta-me uma consolação. Depois de os turistas debandarem para outras paragens, pelo menos ficam os edifícios recuperados, destacando a beleza da cidade. 

Post de HMJ

Paráfrase de F. Liszt sobre "Rigoletto" de G. Verdi

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Em temática filatélica, para a Sandra, em Almere


Escolhi as temáticas Monarquia e Barcos, em selos da Holanda; e as flores para acompanhar os parabéns.
Um dia bom e um ano ainda melhor!

Agricultura, estilos, adubos e escatologia


Nem sempre a intenção do estilo, na sua origem, provoca o efeito desejado no leitor. Também o título, ainda que manipulador, consegue, sempre, o objectivo que inicialmente era pretendido. Um romancista há-de ler sempre um romance de forma a desmontar a sua construção; e um poeta, ao ler um poema, não fruirá da mesma liberdade nem do prazer que um leitor comum poderá experimentar.
Quando comprei o livrinho que encima este poste, moveu-me a curiosidade, mas também um lado lúdico que, certamente, nunca esteve na ideia do seu autor. Que pretenderia, provavelmente, resultados padagógicos e ajudar a quem o comprasse, para melhor tratar a terra e os campos.


Ora, logo no terceiro capítulo, o autor preocupou-se em abordar Differentes modos de adubar as terras, de forma o mais integral possível. Valerá a pena, por isso, transcrever uma parte do capítulo:
"...O esterco melhor é o das aves, excepto o dos ganços e das mais aquaticas; e o de superior qualidade pelo muito calor que encerra é o dos pombos. Depois do esterco das aves o melhor esterco que se encontra é o excremento humano. O esterco dos burros é o terceiro em qualidade, e a este se segue o das cabras, depois o das ovelhas, e logo o dos bois. O mais inferior de todos é o dos cavallos e machos, porém torna-se bom misturado com os outros. ..."
Para remate, direi que este livrinho de 1854, muito desgastado pelo uso, mas útil, para jovens e velhos agricultores, me custou 12 euros, num alfarrabista de Lisboa.

Uma fotografia, de vez em quando (89)


Diversas vezes premiado, integrado desde 1958 na Agência Magnum, a obra do norte-americano Bruce Davidson (1933) foca, sobretudo como modelos, indivíduos marginais ou comunidades marginalizadas. Mas também excelentes retratos de notáveis: Paul Newman, por exemplo, ou Marilyn Monroe.


domingo, 20 de novembro de 2016

Retro (90)

Há mais de 60 anos foi assim. Donde se poderão comparar as reverências e vénias. Não os diálogos, infelizmente...