sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Titular com os pés


Ora reparem-me neste cabeçalho de notícia, do jornal Público de hoje.
Terá de provir, naturalmente, de uma cabeça muito desarrumada, pelo menos.

Hassler / Leonhardt

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Citações CDXXII


O romance... é, antes de mais, um exercício de inteligência ao serviço de uma sensibilidade nostálgica ou revoltada.

Albert Camus (1913-1960), in L'Homme révolté (pg. 327).

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Miscelânea


Uma publicação alemã, que também promove viagens, tem alguns dos seus destinos turísticos para a passagem do ano já esgotados. Um dos primeiros foi Lisboa e, por isso, não será tão cedo que nos livramos desta massificação desordenada, ruidosa e fotografante.
Esta sofreguidão pelo futuro pouco tem de consistente. Os picos da novidade ou interesses momentâneos correspondem apenas a meros caprichos que o poder mediático explora para ganhar audiências da corrente acarneirada dominante e da publicidade paralela e correspondente.
Neste mês de Novembro, e em pouco mais de uma semana, calaram-se três vozes portuguesas - duas fadistas e um cantautor. Logo o Arpose teve um pico de audiência sobre dois dos nomes que constavam do registo do Blogue, no dia e seguintes a estes dois óbitos nacionais. Mórbida atracção de vários anónimos e desconhecidos peléns que, decerto, nunca frequentaram sequer o Arpose.
Acrescente-se, por equilíbrio e por uma questão de justiça, ao obituário, o nome de Argentina Santos (1924-2019), nonagenária e fadista estimável, que não constava do registo do Blogue.
Agora, já consta...

Pinacoteca Pessoal 158


É reconhecido que a pintura inglesa começa a ganhar personalidade própria e a libertar-se de influências continentais a partir do século XVIII. Nesta medida, William Hogarth (1697-1764) é um dos grandes pintores britânicos dessa época.


Gravador e ilustrador reconhecido pela qualidade dos seus trabalhos, mas também pelo seu lado satírico, truculento com que criticava os costumes, a sua forte auto-confiança permitiu-lhe ser respeitado e temido e desafiar os poderes constituídos, desde a Justiça até à Igreja.


Da sua vasta obra é de destacar a série Marriage À-la-Mode, constituida por 6 telas e executada entre 1743 e 1745. Bem como o retrato insólito e realista de 6 dos seus criados.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Divagações 155


É de manhã que trabalham, em coisas leveiras, fátuas, com imagens estridentes de mau gosto kitsch e parolo. Noite dentro também serve para compensar insónias e a incompletude dos dias. Nos blogues e seus donos e donas administrativas.
Qual será afinal a época mais confortável de morrer? A casa VIII, astrologicamente fatal, a VI pela saúde, ou até a casa I marcando a personalidade vincada da desistência (se for o caso)? Ou ainda a XII? A ver vamos, se houver tempo útil...
Venha o diabo e escolha. Pela Primavera, ficaremos talvez com saudades da luz, pelo Inverno é a terra que estará fria e desconfortável, para nos abrigar. Felizmente, estaremos imotos e insensíveis, nessa altura definitiva, exacta.
Deus haja!

José Mário Branco (1942-2019), inesperadamente

Uma fotografia, de vez em quando... (134)


Recentemente falecida, a britânica e judia Sally Soames (1937-2019) trabalhou fundamentalmente como fotógrafa para The Observer e para The Times. Retratista dotada, em boa parte da sua obra, é notória a sua faculdade inata para fixar pela expressão a personalidade principal dos seus modelos.


Desde o felino olhar cerval de Blair à quietude tranquila, ligeiramente tímida (ou irónica?) de Updike, Sally Soames tentava captar intimamente o modo de ser de quem retratava. Em 1966, terá passado toda uma tarde com Orson Welles, antes de o fixar para sempre através da sua objectiva.


domingo, 17 de novembro de 2019

Do que fui lendo por aí... 33


... No período de ouro do «milagre económico alemão», nos finais dos anos sessenta, na estação de Colónia, os alemães recebiam eufóricos o imigrante «um milhão», que aconteceu ser um português do Algarve, baixinho de estatura, tímido, e que, sem compreender uma palavra daqueles que o saudavam, agradecidos por ele ter chegado para a construção da Deutscher Wunder, recebia como prémio uma motocicleta e um ramo de flores. Um documentário daquela época mostra esse dia na estação de Colónia, era Outono, estava frio, e o presidente do patronato alemão cumprimenta aquele Gastarbeiter, cuja tradução mais precisa é «trabalhador convidado». ...

Luis Sepúlveda (1949), in Crónicas do Sul (pgs. 45/6).

sábado, 16 de novembro de 2019

Gralhas alcoólicas


Vá lá...
Desta vez sempre re-emendaram a mão... ou o pé boto.
Uma semana depois.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Da leitura 33


Os pequenos prazeres. Não é todos os dias que, na mesa, se nos oferecem à leitura dois autores dilectos, em edições bonitas, apetecíveis de ler.
Cavafy (1863-1933), com a sua obra quase completa, em tradução inglesa que irei alinhar com a francesa, de M. Yourcenar, a espanhola e a versão portuguesa de Jorge de Sena.
René Char (1907-1988), com Retour Amont (1966), livro de uma fase de crise, surgida depois de uma ameaça cardíaca, em que o poeta deixou de fumar. Desábito que lhe teria provocada um vazio de criação.

agradecimentos cordiais a H. N..

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Revivalismo Ligeiro CCXLI

Citações CDXXI


Os melhores escritores não usam de artifícios; em todo o caso, os seus artifícios são misteriosos.

Jorge Luis Borges (1899-1986), em entrevista (1962).

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Nova exposição de Pedro Chorão


Inaugura amanhã, 14 de Novembro de 2019, às 18h30, na Galeria da Livraria Sá da Costa, ao Chiado, uma exposição colectiva do pintor Pedro Chorão (1945).

Regionalismos dos Arguinas (5)


Dá-se hoje sequência, nesta temática, a regionalismos começados pelas letras j, l, m e n, e seus respectivos significados.

1. Janufos - cigarros.
2. Lhego - indivíduo.
3. Lampio - azeite.
4. Marcico (ou macico) - gato.
5. Marófias (ou pendericas) - cerejas.
6. Matuzinho (ou choto) - carneiro.
7. Monos - figos.
8. Morrão - rapaz, moço.
9. Nentes bói - não, nada.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Uma década


Olhando para trás, parece-me pouco mas, se memorizar a ocasião (noite de 11/11/2009), sei que muitas coisas ocorreram entretanto, por aqui e pelo mundo, algum (muito?) trabalho se foi fazendo no Arpose, sem muito alarde, sem muita estridência, paulatinamente, como Antonio Machado dizia...
Também criámos vivos contactos, enriquecedores diálogos, amáveis conversas. Até, nalguns casos, relações muito próximas da amizade. E também perdemos, nestes dez anos, alguns e algumas seguidoras e seguidores, que nos eram bastante chegados.
Dos Blogues que seguíamos, mais de metade ficaram pelo caminho. Ainda mais alguns arrastam uma existência residual ou moribunda, penosa de se ver e mais do que rara nas espaçadas aparições.
Nós, cá vamos andando, cada vez mais claudicantes, mas  já contando, nestes 10 anos, 10.925 postes (com este último) publicados.
Até quando?

P.S.: Ao S. Martinho, de hoje, invocativo, preferimos esta simpática coruja de Edward Lear..:-)

domingo, 10 de novembro de 2019

Ligeiras e breves considerações a propósito de um poema de H. H.


O poema de Herberto Helder (1930-2015), acima reproduzido, integrava o terceiro número de O Tempo e o Modo (Março de 1963). Possivelmente, ter-lhe-á sido pedida colaboração poética para a revista, a que o poeta correspondeu.
Nem sempre as encomendas são supridas por artigos de primeira qualidade. E creio que este poema não veio a integrar nenhuma das Poesia Toda que ciclicamente Herberto Helder editava. Seja como for, e na minha magra opinião, ele tem a marca do Poeta.
Aqui fica para o lembrar.

Bach / Fischer

sábado, 9 de novembro de 2019

Cadê o Alicante Bouschet do sr. Comendador?


O sr. Pedro Garcias não foi reler o que tinha escrito, o jornal Público (Fugas, de hoje) não deve ter dinheiro para pagar a um revisor profissional, e foi assim que o vinho estreme de Alicante Bouschet, do sr. comendador Nabeiro, se transformou num lotado néctar de 4 castas, onde a referida atrás nem sequer entra. Claro que não dá a bota com a perdigota, alentejanas...
Irra, mas que bando de amadores!

Filatelia CXXXIV


Se antigamente grande parte das transações de selos de colecção se processavam através das lojas de filatelia ou em leilões postais ou presenciais, hoje em dia, creio que é pela net que as compras e vendas acontecem mais abundantemente. Até porque muitas das casas filatélicas foram fechando, progressivamente, em Portugal. A Afinsa, por exemplo, chegou a promover alguns leilões importantes, até vir a encerrar as portas, numa agonia lenta e decorrente de um escândalo financeiro ocorrido na Península Ibérica.


Mas também o Ateneu do Porto promoveu leilões filatélicos, com regularidade, e a Federação Portuguesa de Filatelia, pelo menos no passado. Actualmente, julgo que só a empresa de Paulo Dias os promove.
A Inglaterra mantém, ainda que com menos intensidade comercial, uma viva dinâmica leiloeira de venda de selos e, em cujos catálogos, é frequente encontrarem-se boas colecções de Portugal, assim como boas peças soltas do continente e das ex-colónias.


A capa do leilão da Alliance Auctions (2/12/2008), à direita na penúltima imagem, almoeda que incluía 43 lotes portugueses, muito diversificados, reproduzia, nas páginas interiores, o Bloco nº 1, da Legião Portuguesa, com carimbo especial da Expo. do Mundo Colonial Português (lote 1136) com uma base de partida de 200 libras; e um erro (lote 1158) da série Barcos, de 1981, com uma estimativa de 50 libras. (Ambos os lotes constam da imagem acima reproduzida.)

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Conselho amigo


Raramente sou de muitas palavras, até porque acho que todos podemos ser sucintos e essenciais naquilo que queremos dizer... De gorduras, bastam as que vamos adquirindo, inúteis, com a idade. E, depois, alguns raros comentários palavrosos que me chegam ao Arpose, deixam-me, muitas vezes, quase sem resposta.
Mas gostaria de recomendar, vivamente, os 9 minutos iniciais da Circulatura do Quadrado, de ontem (7/11/2019), por toda uma questão de sanidade mental. E pela forma simples e exemplar de expor as questões e de saber pensar - o que, em Portugal, vai sendo cada vez mais raro. Sobretudo, politicamente.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

John Blow (1649-1708)






Mercearias Finas 151


O Mateus é mais velho do que eu. Rosé, quero dizer. Porque a colheita inicial, criada pela família Guedes, da hoje Sogrape, aponta o ano de 1942 para o seu nascimento enológico.
Contaram-me, mas não garanto a absoluta veracidade da história, que a sua promoção e marketing se fez de forma artesanal, embora intensa, inteligente e pertinaz. Entre outras oferendas, mandavam todos os anos uma caixa de garrafas do vinho para a família real inglesa. E, ao que parece, Isabel II habituou-se...
O lançamento das magnum Mateus Rosé, pomposamente, aconteceu no ano de 1978, no Zoo de Londres. Por essa altura, já Jimmy Hendrix, da mesma colheita (1942) estava conquistado e convencido. Mas também já morto.
Os Guedes diriam como Leonard Cohen: "First we take Manhattan!". Porque o resto dos marcanos vieram a seguir, acarneiradamente, como é costume. E os EUA são hoje o maior mercado do Mateus Rosé, neste nosso mundo.
Quanto a mim, o último rosé que bebi era da Quinta de Lagoalva. E também não fiquei freguês...

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Citações CDXX



A poesia não me pede propriamente uma especialização pois a sua arte é a arte do ser. Também não é tempo ou trabalho o que a poesia me pede. Nem me pede uma ciência, nem uma estética, nem uma teoria. Pede-me antes a inteireza do meu ser, uma consciência mais funda do que a minha inteligência, uma fidelidade mais pura do que aquela que eu posso controlar. Pede-me uma intransigência sem lacuna.

Sophia Andresen (1919-2004) in Arte Poética II.

Curiosidades 77


Embora grande apreciador da obra de Camilo (1825-1890), curiosamente, nunca me interessei por primeiras edições ou raridades que tivessem saído da pena do autor de Amor de Perdição. Por maneirinhas, sempre achei graça e gosto às edições da Travessa da Queimada (devo ter aí uns 10 títulos...). Mas as iniciais edições da Parceria A.M.Pereira também concitam o meu agrado, até pela sua capa flexível e maleável.


Não sendo, nessa fase, integral quanto à bibliografia camiliana (compreende 80 volumes), a colecção abrange porém o que, de mais importante, o Escritor escreveu e publicou. Pelo início do século XX, a referida editora propunha também, ao leitor, um armário com estantes destinado a albergar todos os volumes da edição. Como se poderá ver na imagem publicitária do anúncio.


E o que me parece ter sido uma ideia original e pioneira nos propósitos de organização.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pinacoteca Pessoal 157


Edward Collier (1642-1708), como ficou conhecido na Inglaterra e está legendado na Tate, ou Edwaert Calyer, como foi baptizado em Breda, pertence ao período mais importante da pintura flamenga. Emigrou para a Grã-Bretanha em 1693, onde veio a falecer quinze anos mais tarde, em Londres.

Notabilizou-se sobretudo pelos temas de Vanitas e Trompe l'oeil que ocupam uma boa parte da sua obra e que eram muito apreciados pelas classes aristocráticas inglesas.
Anote-se, como curiosidade que, no último quadro, está representada uma edição coeva dos Essays de Michel Eyquem de Montaigene (1533-1592).

domingo, 3 de novembro de 2019

Marie Laforêt (1939-2019)


Por várias razões, sem palavras.

Belcea Quartet - Opus 131 - Beethoven String Quartets



...
Mas, se não é, que dizem lancinantes,
neste discreto passeio pelo tempo,
os quatro instrumentos semelhantes
no seu modo de criarem som?
Tão terrível. Sufocante. Doce
ou agridoce desconcerto harmónico.
Que diz? Que diz? Neste contínuo
de temas e andamentos, de tonalidades,
o que justifica? Que discutem eles?
A sua mesma natureza de instrumentos
e as combinações até ao infinito
de um mecanismo abstracto do imaginar?
Como pode uma coisa que sentimos tão medonha,
tão visionariamente séria e pensativa,
ser irresponsável?
...
Jorge de Sena (1919-1978), in Ouvindo o Quarteto Op. 131, de Beethoven ("Arte de Música").