Não deixa de ser curioso, ou irónico, que quase um ano depois de coabitação, os namorados tenham tido o seu primeiro grande arrufo, precisamente, no próprio dia deles.
Os padrinhos devem estar desolados...
O dia dos namorados, ou de S. Valentim, é, indubitavelmente, uma celebração espúria na mitologia lusitana dos afectos. A que a globalização e o comércio deram consistência mercantil, fortificada, nos anos 60, pela canção "When I'm sixty-four", de The Beatles. Com algum humor negro, poderíamos acrescentar-lhe o Massacre de Chicago, ou de S. Valentim, introduzindo o terceiro pilar justificativo, para lembrar este dia.
Anote-se, para que conste, uma subida de tom, no Chiado, por parte dos feirantes. Hoje, na "serenata" ao ministro Álvaro, os feirantes trouxeram vuvuzelas - creio que foi a primeira vez. E as músicas são muito mais "reboladas"...Talvez por ser dia de S. Valentim. Como dizem os franceses: "ce n'est pas amour, c'est rage!"
É conhecida como o Massacre de S. Valentim, a 14 de Fevereiro de 1929, a acção desencadeada, nesta data, de que resultou a "tomada de posse" de Al Capone como boss do mundo do crime de Chicago. Mais uma tradição norte-americana...
...que se enquistou na nossa cultura por via anglo-saxónica ou americana, comercial e consumista. Em vez de flores, da "bottle of wine" dos Beatles (When I'm sixty-four), esta jovem oferece apenas uma "baraboleta", como dizia o O'Neill...