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sábado, 23 de abril de 2016

Bibliofilia 133


Toda a arte é feita dum ponto de vista. Toda a história é feita dum ponto de vista. Toda a crítica é feita dum ponto de vista. E, em cada momento, há arte, há história, há crítica de pontos de vista contrários. ...

Quando li estas palavras iniciais do livro "Ensaios de Domingo", de Mário Sacramento (1920-1969), disse para comigo: este homem fala no comprimento de onda do meu tempo. Ou seja, com a linguagem da época de formação do meu sentido crítico. E fiquei satisfeito por ter comprado a obra que, hoje em dia, já não é muito frequente aparecer à venda, nos alfarrabistas. Por outro lado, esta forma de abordar escritores e literatura já não se usa. Porque as recensões que aparecem (ou são encomendadas...), são de água chilra ou "em forma de assim..." Para, acriticamente, incitar à compra indiscriminada dos desprevenidos leitores, de obras de duvidosa qualidade.
Médico e ensaísta, Mário Sacramento, nascido em Ílhavo, distinguiu-se sobretudo pela oposição coerente que manteve, sempre, contra a ditadura estadonovista. E pela forma apurada como exerceu o seu magistério crítico, distinguindo, apontando e separando o trigo do joio, nos livros que foi lendo ao longo da sua curta vida exemplarmente cívica.
O livro, que tem aposta uma dedicatória manuscrita, comprei-o recentemente num alfarrabista de Campo de Ourique, e dei por ele 5 euros. Está em muito bom estado e é uma primeira edição (1959), mas creio que veio a ter uma segunda tiragem. Pena é que, nos dias de hoje, o nome de Mário Sacramento seja conhecido por tão pouca gente.

Anote-se que se celebra hoje, dia de aniversário das mortes de Shakespeare e de Cervantes (em 1616), o Dia Internacional do Livro.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Vestir os Livros


Exibicionistas ou paupérrimas, berrantes ou banalíssimas, de uma indigência estética enorme, as capas dos livros portugueses perderam toda a beleza que os revestiu, quase sempre, no século XX. De Alberto de Souza a Sebastião Rodrigues, do clássico Bernardo Marques ao inovador Victor Palla, os nossos livros eram revestidos de capas lindíssimas e atraentes. Por onde andarão os grafistas e capistas portugueses de qualidade, hoje em dia? Creio que se poderão contar pelos dedos de uma mão, com boa vontade, os herdeiros dos magníficos antepassados, porque não lhes merecem o nome de sucessores...
Neste Dia Internacional do Livro e dos Direitos de Autor, foi este o tema que escolhi para o celebrar. Reproduzindo, com desenhos de Bernardo Marques, as capas de 4 dos primeiros volumes da original colecção Miniatura, da Editora Livros do Brasil, que ainda hoje dá gosto manusear. Porque foram lindamente vestidos, com creatividade e beleza.