quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024
Esquecidos (16)
sábado, 8 de julho de 2023
Mais 4 "greguerías" zoológicas de J. G. R.
domingo, 18 de junho de 2023
2 fragmentos de Guimarães Rosa
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Carta de J. Guimarães Rosa para Óscar Lopes
Desconheço se esta carta, do singular romancista brasileiro Guimarães Rosa (1908-1967) para o professor e historiador de literatura Óscar Lopes (1917-2013), está inédita. Quem me poderia elucidar, já não pertence ao número dos vivos - o meu grande amigo António de Almeida Mattos (1944-2020).
Provavelmente, a fotocópia da missiva destinava-se a ser usada no Jornal Letras & Letras, do Porto, em algum dossiê sobre o professor universitário, e que este a teria facultado ao meu amigo António. Que, dentro de um envelope, que já me estava endereçado, o meu Amigo não me chegou a enviar. Foi a Isabel, a quem agradeço, que, encontrando-a, ma fez chegar.
Nota pessoal: resta-me acrescentar o interesse da carta. E, lateralmente, lembrar as amenas relações que existiram entre o António e o Professor Óscar Lopes. O que ajuda a explicar que eu tenha a oportunidade de publicar, no Arpose, este documento.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2020
Manoel de Barros (1916-2014)
Uma das grandes singularidades do poeta brasileiro Manoel de Barros, tal como Guimarães Rosa (1908-1967), seu amigo, é que conseguia insubordinar as palavras da língua portuguesa, de forma a criar, nos seus poemas, virtualidades insuspeitadas, mas extremamente originais e novas. Para o caso, um poema seu:
11
A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não
aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros, in Retrato do Artista quando Coisa (1998).
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Superlativos
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Divagações 154
Que na leitura acompanho, paralelamente.
Nota pessoal: considero A Descrição da Infelicidade como o mais ambicioso e difícil de leitura, dos 7 livros que já li de W. G. Sebald. Aqui fica a nota preventiva...
segunda-feira, 2 de setembro de 2019
O lugar de João Guimarães Rosa
"... Como deu uma moça, no Barreiro-Novo, essa desistiu um dia de comer e só bebendo por dia três gotas de água de pia benta, em redor dela começaram milagres. Mas o delegado-regional chegou, trouxe praças, determinou o desbando do povo, baldearam a moça para o hospício de dôidos, na capital, diz-se que lá ela foi cativa de comer, por armagem de sonda. Tinham o direito? Estava certo? Meio modo, acho que foi bom. Aquilo não era o que em minha crença eu prezava. Porque num estalo de tempo, já tinham surgido vindo milhares desses, para pedir cura, os doentes condenados: lázaros de lepra, aleijados por horríveis formas, feridentos, os cegos mais sem gestos, loucos acorrentados, idiotas, héticos e hidrópicos, de tudo: criaturas que fediam. Senhor enxergasse aquilo, o senhor desanimava. Se tinha um grande nojo. ..."
( Grande Sertão : Veredas, pg. 48)
O livro (460 páginas) é um longo monólogo animado do jagunço Riobaldo que conta as suas perpécias e deambulações a um ouvinte não-interveniente. Três personagens ( Compadre Quelemém de Góis, Diadorim e o chefe do bando, Medeiro Vaz) têm destaque principal na narrativa, em que cada parágrafo funciona quase como um pequeno conto.
Para além de uma efabulação prodigiosa, com momentos próximos da prosa poética, o romance é pródigo em criação e re-recriação de palavras, mas também num léxico abundante de variedades botânicas e zoológicas brasileiras.
Em suma e na minha opinião, uma das obras maiores, em língua portuguesa, de todo o século XX.
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Recomendado : oitenta
sexta-feira, 26 de abril de 2019
Da riqueza e das dificuldades da língua portuguesa
para a Maria Franco, que é fã de Araújo Correia, com estima.
sábado, 30 de março de 2019
Aforismos, apesar de tudo
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Como íamos transcrevendo...
Em frente de mim, os cotovelos na mesa, Tavares, sonolento, bocejava com dignidade bovina. Nenhuma aparência de cão de guarda: um boi. De espaço a espaço mugia uma questão, a que eu respondia por monossílabos, afirmando ou negando com a cabeça. Voltei ao carro de primeira classe, diligenciei entreter-me com as divagações do meu companheiro. Não conseguia, porém, dispensar-lhe atenção: mudo e chocho, isento de curiosidade, andava aos saltos no tempo, brocas agudas verrumando-me o interior. ..."
Graciliano Ramos, in Memórias do Cárcere (pgs. 39/40).
terça-feira, 19 de julho de 2016
Da leitura (14)
Voltando a Guimarães Rosa, de que releio Grande Sertão: Veredas. É manifesto o uso de adágios, existentes, ou criados para o efeito da função de máximas, que asseguram (numa espécie de suspension of disbelief) ou fortificam o decurso da narração que é um prolongado contar de história, quase monólogo, saborosíssimo, aliás. Por aqui deixo 4 pequenos exemplos das primeiras páginas:
- "...quem mói no asp'ro, não fantasêia. ..." (pg. 11)
- "Sua alta opinião compõe minha valia." (pg. 11)
- "...passarinho que se debruça - o voo já está pronto!" (pg. 13)
- "Sou só um sertanejo, nessas altas ideias navego mal!" (pg. 14).























