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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Apontamento 130: Instrução




Pese embora o aumento da escolaridade obrigatória, constata-se uma degradação acentuada no que se refere a uma instrução básica, ferramenta essencial para uma realização pessoal digna desse nome.

A minha constatação, não sendo recente, encaminhou-me, desde sempre, para obras com o tema genérico da “ensinança”, desde os “espelhos dos príncipes”, “tratados sobre a educação dos nobres” até aos “vademecuns” como o acima reproduzido.

Confesso que sempre aprendi imenso. Do livrinho de Francisco José Freire, e recordando um verso de Luís de Camões, sobre o seu “discreto secretário”, ficamos, pois, a saber que uma das principais perfeições do secretário é, como não podia deixar de o ser, a “observância do segredo”.

Passando das qualidades às imperfeições, não deixei de reparar nos defeitos da prolixidade, sobretudo olhando ao panorama que nos rodeia no quotidiano.

Assim, explica o autor o defeito da prolixidade: “Chamo prolixidade a huma certa vastidão, e grandeza de Cartas, que dizendo pouco em muitas palavras, causa fastio a quem lê. Livra-se por tanto o Secretario de amplificações, digressões, e de outras semelhantes, e fastidiosas locuções. Fuja de multiplicidade de textos, e authoridades: e busque sempre ser breve, com tanto que naõ tire a energia ao conceito, de que usa na sua Carta.”

Sublinhei, portanto, os conselhos de superior sabedoria do autor, muito recomendáveis a escrevinhadores actuais, aduzindo que ele associa a prolixidade à “escuridade no dizer” e, claro está, à ignorância“, quão grande defeito seja em hum Secretário.”

Post de HMJ

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Divagações 150


Tenho para mim, embora conceda que de forma excessivamente simplista, que o progresso, numa família portuguesa, se pode medir pelos níveis de educação atingidos ao longo das gerações. Um esquema simples poderá ajudar a perceber melhor esta minha ideia, exemplificada por 3 gerações. Assim:

1. Avô - trabalhador rural, assalariado: analfabeto ou com instrução primária.
2. Pai - empregado por conta de outrém, pequeno empresário : curso dos liceus ou comercial e industrial.
3. Filho - profissão liberal, professor, industrial...: curso médio ou superior universitário.

Este elevador social - como hoje se costuma dizer - permitiria uma progressão social e cultural dos cidadãos. Bem como do seu bem estar económico e da sua própria liberdade.
Dito isto, resta-me acrescentar que não sou inteiramente inclusivo e que concordo com o número clausus, a nível universitário. Por isso também não estou de acordo com o título generalizante do artigo de Rui Tavares, que aparece, hoje, na última página do jornal Público.
A meritocracia é para mim um ponto essencial para aceder aos últimos graus de instrução. Mas acrescento que, a exemplo do mundo anglo-saxónico, respeito por igual o profissionalismo e competência de um bom electricista, como a qualidade de um catedrático competente.