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quinta-feira, 21 de março de 2024

2 Haiku, no dia da Poesia

 

Este dia tão longo
bem pequeno embora
para o cantar da cotovia.
...
Aos amantes da lua
as nuvens, às vezes,
oferecem uma pausa.


Matsuo Bashô (1644-1694)

quinta-feira, 17 de março de 2022

3 haiku japoneses, em versão portuguesa e livre






Noite breve
- a lagartixa retém
as gotas de orvalho.

Yosa Buson
(1716-1783)
...

Perseguido
o pirilampo abriga-se
no rasto do luar.

Ôshima Ryôta
(1718-1787)
...

Queria tanto partir
- penteado pela lua
sob o céu vagabundo!

Tagami Kikusha-ni
(1753-1826) 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

2 Haiku de Yosa Buson* (1716-1783)


A primavera que se afasta
hesita
por entre as cerejeiras finais.

...

Chuva de primavera -
o tanque e o ribeiro
acabam por se encontrar.



* Yosa Buson foi, simultaneamente, pintor e poeta de renome, ainda hoje reconhecido no Japão.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Fórmula 1


Na Net há coisas extraordinárias... e muitos cibernautas sobredotados.
Ontem, por exemplo, um brasileiro paulistano-turbo, provavelmente amante de poesia japonesa, veio ao Arpose consultar haiku, e encontrou 14. Generosa e fulminantemente, leu-os em 54 segundos. E foi-se à vida...

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

2 Haiku de Chiyo-Ni


O rouxinol volta
e volta a cantar - repete-se.
E não se cansa nunca.

...
Água que se faz cristal,
os pirilampos que se apagam,
pela noite fria nada mais existe.


Chiyo-Ni (1703-1775)


Nota: poetisa precoce, Chiyo-Ni fazia haiku desde a sua meninice, vindo a professar como monja budista, na maioridade.

domingo, 18 de outubro de 2015

Pseudo-japoneses


Sempre tive alguma dificuldade em aceitar chamar haiku a pequenos poemas sujeitos a regras semelhantes, mas que não fossem escritos por poetas japoneses. Soava-me a falso, a imitação deslavada. Muito embora algumas vezes, poucas aliás, na sua essência e conteúdo, eles tivessem um resultado satisfatório.
No século XX, o haikai tornou-se popular e foi cultivado por vários poetas do Ocidente. No meu entender, porém, a esses poemas faltava sempre qualquer coisa de essencial. Talvez a alma, apesar da ossatura... Mesmo assim, aqui deixo em tradução, que fiz, dois pseudo-haiku de poetas ocidentais conhecidos:

Pavimentos perigosos...
Mas este ano enfrento o gelo
com a bengala de meu pai.

Seamus Heaney (1939-2013).
...
Face que se fez morena
de tanto olhar os gansos
partir para o oeste.

Alec Finlay (1966).

quarta-feira, 1 de julho de 2015

2 haiku de Verão


A lua à meia-noite
como se fora
um disco de frescura.

Yasuhara Teishitsu (1609-1673)
...

O grande Buda -
sua frieza de estátua
desumana.

Masaoka Shiki (1867-1902)

sábado, 21 de março de 2015

2 haiku de Primavera


Prenúncio de Primavera -
o milhafre da planície
chega-se às nuvens.

Ilida Dakotsu
(1885-1962)
...

No tanque das lavagens
a lua de Março -
espero-te.

Mayuzumi Madoka
(1965)

Nota: intencionalmente, estas traduções de poesia para saudar a Primavera e celebrar o Dia Mundial da Poesia, marcado pela Unesco.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Haiku de Inverno


Petrificado quase
sobre o meu cavalo -
o meu ombro gelado.

Matsuo Bashô
(1644-1694)
...
Pela noite de Dezembro
um leito gelado -
eis tudo o que eu tenho.

Ozaki Hôsai
(1885-1926)
...
De novo o Inverno
mesmo nas frases gélidas,
vaporosas das visitas.

Sumitaku Kenshin
(1961-1987)

domingo, 14 de setembro de 2014

2 haiku de Verão


Sobrevoando um cravo
uma borboleta branca -
ou alma alucinada.

Masaoka Shiki
(1867-1902)
...

A luz que se apaga,
frescas estrelas vão
entrando pl'a janela.

Natsume Sôseki
(1865-1915)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Livrinhos 22


Desta maneirinha Bibliothèke Miniature, da Payot, já por aqui apresentamos alguns livrinhos (de Platão, Maurice de Guérin e Proudhon) que eram nossos. Este não me pertence, mas aqui ficam as imagens. São 100 epigramas, traduzidos do grego pelos filósofos Paul-Louis Cochoud (1879-1959) e René Maublanc (1891-1959). Por curiosidade, e também em comum, estes dois tradutores e filósofos ensaiaram a escrita dos primeiros Haiku (3 versos), à moda japonesa, mas na língua francesa. E, do que conheço, pelo menos Maublanc terá sido bem sucedido (O céu negro/ Narizes vermelhos/ E a neve.)
Este livrinho de epigramas gregos tem as dimensões de 7/10 cm., e terá sido editado pela Payot, por volta de 1940. A encadernação em tecido florido é bem bonita -  na minha opinião.

com grato reconhecimento a H. N..

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mais 3 haiku de Inverno


A chuva recomeça a cair -
o bater volúvel
do coração da noite.

Sumitaku Kenshin (1961-1987)
...
Tolhidos pássaros não sabem
já o Norte seguro -
que o vento os desencaminha.

Ishi Kyôko (1944-1999)
...
Será preciso atravessar
tantas nebulosas para achar
apenas um jardim de pedras?

Kimura Toshio (1956)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Três haiku de Inverno


Lua fria -
o vento do ribeiro
aguça os rochedos.

Miura Chora (1729-1780)
...

O frio, o frio -
até o azul se arrepia
no céu e nas águas.

Natsumu Sôseki (1865-1915)
...

Do dia um, a manhã -
na lareira algumas
brasas do ano findo.

Hino Sôjô (1901-1956)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

2 haiku : Inverno e Verão


Noite após noite
a minha sopa de legumes
acompanha a neve.

Kobayashi Issa (1763-1827).
....

Frescura do vento -
o marulhar dos abetos
enche o céu vazio.

Yasuhara Teishitsu (1609-1673).

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Dois haiku japoneses traduzidos, e uma nota breve


Na ponta duma erva
ante o céu infinito
uma só formiga.

Ozaki Hôsai (1885-1926).

Noite de Verão -
o som das minhas socas
sobressalta o silêncio.

Matsuo Bashô (1644-1694).

Nota: Foram já vários os haiku japoneses traduzidos, aqui, para o Blogue. Mas é importante relembrar a sua gramática muito particular. Na sua brevidade (5-7-5 sílabas) de três versos, de origem (que uma tradução raramente consegue manter), confrontam, com frequência, o fugaz com o eterno, no espaço de uma só respiração. Equilibram-se entre o mutável e o imutável, entre a natureza e o espírito.
Os 2 haiku traduzidos, foram-no em terceira mão: do francês, mais concretamente.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

3 haiku de Inverno


Eu tusso
logo existo
- neve da meia noite.

Hino Sôjô (1901-1956)

Sobre o muro dos dias
curtos se abrem os poemas
da charneca desolada.

Terayamo Shûji (1935-1983)

Primeiro sonho do ano
no fundo da floresta
a cerejeira antiga.

Ozawa Minoru (1956)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

2 haiku de Bashô


1.
Ao começo do Outono
- arrozal, oceano,
um único verde.

2.
Outono - até as aves
e nuvens
envelhecem.

segunda-feira, 14 de março de 2011

3 Haiku devolvidos à origem


1.
Difícil morrer,
viver é difícil -
a luz do fim de Verão.

Mitsuhashi Takajo (1899-1972)

2.
Se o desespero falasse
seria um grito
dos patos selvagens.

Hokamoto Hitomi (1928)

3.
A chuva começa a cair -
são as batidas
do coração da noite.

Sunitaku Kenshin (1961-1987)

domingo, 15 de agosto de 2010

4 Haiku do século XX (II)



O "hai-kai" é, como se sabe, um pequeno poema japonês de três versos, com 5-7-5 sílabas métricas. Do livro "Haiku du XXe. siècle" (Galimard, 2007), antologia cujas versões, em francês, se devem a Corinne Atlan e Zéno Bianu, traduzi 4 poemas, em 3ª mão.
Cinquenta anos
juntos - diz-me que
gostaste deles!

Hashimoto Mudô (1903-1974)

Ninguém me ama
- nado para longe
no mar largo.

Fujita Shôshi (1926-2005)

Sobre a peónia branca
pousa um insecto -
como traço final.

Ishi Kanta (1943)

Cabeça da lagartixa
sob as patas do cavalo,
fecha os olhos.

Imai Sei (1950).