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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Filatelia CXXV


É sabido, pelo menos de alguns, que na Inglaterra se podem encontrar, em grande quantidade, muitos selos do período clássico e cartas circuladas de Portugal. A explicação é simples: o comércio entre os dois países sempre foi intenso, sobretudo no domínio do Vinho do Porto. E muitos desses arquivos de casas comerciais sendo vendidos, incluem uma parte significativa de peças filatélicas do nosso país. Na Grã-Bretanha comprei e/ou de lá me vieram alguns dos selos mais interessantes da minha colecção de Portugal e ex-Colónias.

Nos anos 70, 80 e 90 do século passado, eu costumava receber alguns catálogos de leilões de casas filatélicas inglesas que, normalmente, tinham alguns lotes portugueses. Por aí licitava, uma vez ou outra, e com frequência era bafejado na arrematação, com sucesso. A partir do século XXI, grande parte dos catálogos, com a difusão da Internet, passaram a estar apenas online, e eu desinteressei-me.
Inesperadamente, há dias, recebi um luxuoso catálogo da Mayfair, de um leilão que se vai realizar a 14 de Outubro de 2018, com um acervo rico e de grande qualidade.
Embora não tenha nenhum lote exclusivo de selos portugueses, o catálogo anuncia a venda de um selo muito raro inglês. É o famoso 2 e 1/2 p., do Silver Jubilee (1935) de Jorge V, na variedade de cor prussian blue. Com valor de catálogo (Stanley Gibbons, nº 456a) de 13.750 libras esterlinas, o lote 811 tem uma estimativa (inicial) de venda entre 6.000 e 7.000. Um acontecimento, para quem coleccione selos ingleses...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bibliofilia 150

Um bom catálogo de leilões, feito com profissionalismo e sabedoria, pode sempre ensinar-nos muita coisa sobre livros. Daí, alguns deles terem muita procura. Dos quatro que irei referir, o primeiro e o terceiro saem um pouco caros, normalmente; o segundo e o quarto constavam do último boletim bibliográfico de José Vicente (livreiro-alfarrabista, recente e infelizmente, desaparecido), ao preço de 30 euros, cada um.


É minha convicção profunda, não destituída de lógica, que os livros muito raros acabarão, com o tempo, por vir a integrar os acervos das bibliotecas nacionais ou públicas, deixando de pertencer a bibliófilos ou a bibliotecas particulares. Ficarão assim ao dispor de qualquer leitor, para que os possa consultar e ler, o que não deixa de ser extremamente positivo. 
Acontece, no entanto e algumas vezes, que esses livros raros não ficam no país de origem. Foi o que se verificou com a riquíssima biblioteca de Fernando Palha, que foi comprada, na íntegra, pela Universidade de Harvard. Restou-nos o catálogo (1896), cuja capa encima este poste. Por ele podemos consultar algumas descrições pormenorizadas e competentes, de alguns exemplares portugueses e únicos.



Em 18 de Julho de 1897, foi também dispersa, em leilão, a magnífica biblioteca do arquitecto José Maria Nepomuceno, sendo que alguns livros raros teriam sido adquiridos, na altura, pela BN de Lisboa. Outros, objecto de litígio, terão sido apreendidos, embora o catálogo, em meu poder, não refira o seu destino final, nem as razões dos diferendos.



Dos Condes de Azevedo e Samodães, os inúmeros e preciosos livros foram também objecto de uma almoeda (1921-22) que concitou grandes expectativas e emoções, porque incluia livros raríssimos, alguns dos quais eram considerados como únicos, incluindo alguns incunábulos de grande valor.
Para quem tenha franqueado, mesmo que ao de leve, os portões venerandos da bibliofilia, creio que não será, totalmente, estranho o nome de Victor M. d'Avila Perez e o conhecimento da sua paixão por livros antigos.



Julgo que terá sido o último grande leilão de livros do século XX (1939-1940), em Portugal, organizado por Arnaldo Henriques de Oliveira, livreiro-alfarrabista que ainda conheci. Como eu vim mais tarde, e embora tenha assistido a algumas almoedas bem ricas e preciosas de livros nacionais, creio que a melhor matéria prima impressa tem vindo a diminuir, no que a leilões diz respeito. Desde que os possamos consultar, tranquilamente, nas bibliotecas públicas portuguesas, tudo bem. É porque ficaram em casa e estão à nossa mão... 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Filatelia CXIV


O primeiro catálogo de selos portugueses, que tive, era do ano de 1953, precisamente do centenário da criação dos primeiros selos portugueses - reinado de D. Maria II (1853). Era uma edição modesta, mas digna, a preto e branco, patrocinada pela casa filatélica Simões Ferreira (Porto), mas elaborada por coleccionadores de selos com reconhecido mérito e isenção. Os preços sempre me pareceram justos. Outros catálogos fui comprando, ao longo dos anos. Nacionais e estrangeiros (Yvert, S. Gibbons, Michel).
Fui-me apercebendo das diferenças. Nos catálogos portugueses, os selos portugueses nunca baixavam de valor, acompanhando, no mínimo, a inflação. Enquanto nos estrangeiros, os preços oscilavam consoante a procura do mercado. O exemplo mais flagrante era o dos catálogos da Stanley Gibbons. Talvez por isso, as grandes colecções de selos (clássicos) portugueses foram quase todas leiloadas na praça de Londres. Como foi o caso da notável colecção do brigadeiro Cunha Lamas. Dispersando-se assim um acervo nacional importante...
Saído já há algum tempo, comprei ontem o mais recente catálogo, da Mundifil (para 2016), herdeiro nobre na sucessão do Simões Ferreira e, depois, dos catálogos Ateneu do Porto/Afinsa, orientado, aquele, por J. Miranda da Mota, conhecido e importante filatelista português. A edição é luxuosa, a cores e papel couchet, e suficientemente especializada para um coleccionador que se preze.
Em breve comparação, pouco rigorosa, pude aperceber-me que entre 2002 e 2016, os selos portugueses tiveram um aumento de valor, nos preços, entre 25% e 30%.



quarta-feira, 19 de março de 2014

Filatelia LXXXIX : velhos catálogos (2)


Os tempos conturbados e os períodos de crise deixam marcas em todos os sectores. Até na Filatelia.
Em Portugal, anos e anos, por Setembro, sistemática e pontualmente, saíam para venda os catálogos Simões Ferreira (Porto) e Eládio de Santos (Lisboa), já com a data do ano seguinte, que permitiam orientar os filatelistas e os preços de selos portugueses nas lojas filatélicas.
Com o 25 de Abril, houve um alargamento de opções, com catálogos novos (2 ou 3 mais), em edição a cores, de várias proveniências, mas que duraram pouco. E nem chegaram a ter credibilidade, em relação aos dois mais antigos e clássicos na elaboração ajuizada. Depois, o catálogo Eládio de Santos, com o fecho da casa filatélica homónima, deixou de publicar-se. O nortenho Mercado Filatélico (catálogo Simões Ferreira) passou a ser patrocinado, em parceria, pela Afinsa e pelo núcleo filatélico do Ateneu Comercial do Porto. E o único catálogo português de selos ia saindo cada vez mais tarde...
Mas o deste ano (2014) ainda nem sequer saiu... o que deve querer dizer que os selos portugueses correm o risco de já nem ter um catálogo nacional. E os preços de mercado passarão a ser controlados, comercialmente, pelo catálogo alemão Michel, pelo francês Yvert, pelo inglês Stanley Gibbons.
Em contrapartida (imagem), podemos ver que o Michel, apesar da guerra, logo no ano a seguir, e em Setembro de 1946, não deixou de publicar, em Leipzig, conscenciosamente, o seu catálogo filatélico, para a Europa...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Filatelia LVII : Catálogos estrangeiros


Os catálogos de selos, na imagem, não são recentes. O mais moderno tem já 7 anos e abarca, resumidamente, os selos de Inglaterra, emitidos entre 1840 e 2005: é uma publicação da Stanley Gibbons, a mais importante casa filatélica do mundo. O mais antigo dos catálogos (Norges Frimerker), de 1955, referente a selos da Noruega, veio-me parar às mãos por herança improvável, no início do séc. XXI. Finalmente, os dois catálogos chineses que se ocupam das emissões filatélicas de Macau, antes da entrega à China: o de 1997 é uma edição da Son Kei P. Company, provavelmente com o patrocínio dos CTT macaenses; o de 1998-99 foi editado, em Hong-Kong, pela Yang's Stamp & Coin Co., e os valores são em moeda chinesa.

Com lembranças amigas a JAD.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Filatelia XXX : velhos catálogos


Em meados do século XX, em Portugal, os catálogos de selos mais considerados eram: a Norte, o "Simões Ferreira", e a Sul, o "Eládio de Santos". Ambos editados por casas filatélicas conhecidas, muito embora o "Simões Ferreira" tivesse um conselho especializado de reputados filatelistas que atribuiam  os preços aos selos, e que asseguravam alguma isenção aos valores marcados. Normalmente, os preços atribuídos no Catálogo Eládio de Santos, eram mais altos. E o catálogo do Norte tinha também mais detalhes e informações fundamentadas. Os catálogos saíam em Setembro, com data do ano que havia de vir. Houve, pelo meio, a aparição de outros catálogos, com vida breve, porque não ganharam o favor dos coleccionadores de selos nacionais e das ex-colónias.
Entretanto e creio que no dealbar do séc. XXI, os catálogos deixaram de ser editados, mas o "Simões Ferreira" foi substituído por um a cores, feito pelo Núcleo Fiatélico do Ateneu do Porto, em parceria com a Afinsa. Caso curioso, que já vamos em Novembro e o catálogo filatélico para 2012 ainda não apareceu à venda. Sinal da crise?