Mostrar mensagens com a etiqueta Carolina Michaelis de Vasconcelos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carolina Michaelis de Vasconcelos. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Leilão de Outono


Sob a direcção de Pedro de Azevedo, inicia-se a nova temporada de leilões de livros. Como habitualmente, esta almoeda terá lugar no Amazónia Lisboa Hotel, no próximo dia 6 de Outubro de 2014, pelas 19h30.
A sua importância decorre de virem a ser leiloadas obras que pertenceram à biblioteca de Carolina Michaelis e seu marido, Joaquim de Vasconcelos. Do acervo, e pessoalmente, eu destacaria os seguintes lotes:
146 - Frei Luiz de Sousa, de Almeida Garrett, na sua edição primeira de 1844, com uma estimativa de venda de 200/ 300 euros.
217 - Poesias, de Sá de Miranda, edição de Halle, 1885. Exemplar de trabalho, com anotações manuscritas de Carolina Michaelis. Com preço previsto de venda entre 800,00 e 1.200,00 euros.
230 - Só, de António Nobre, na sua edição original de 1892, impressa em Paris. O livro tem dedicatória manuscrita do Poeta, para António Cândido. Tendo uma estimativa de venda de 1.200/ 1.800 euros.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Estrangeiros


A crise económico-financeira tem contribuído grandemente para que o pior dos europeus venha ao de cima e que alguns esqueletos vão saindo do armário. A falta de solidariedade das próprias estruturas governamentais ajuda, ao dar o exemplo. Mas é notório o crescimento do egoísmo do cidadão, da xenofobia e do racismo, de que são gritantes evidências os insultos e tentativas de agressão, recentes, de que foram alvo duas ministras negras: em França, Christine Taubira (Cayenne, 1952), ministra da Justiça, e, na Itália, Cecile Kienge, de origem congolesa, que tutela a pasta da Integração.
Por isso me parece interessante e de saudar esta obra de Pascal Ory e  Marie-Claude Blanc-Chaléard (Dictionaire des étrangers qui ont fait la France), saída recentemente. Creio que não existe nada de semelhante em Portugal, e é pena, para nos lembrar o que alguns estrangeiros fizeram pelo nosso país. Para só referir o século XX, eu distinguiria, à partida, duas figuras ímpares: Carolina Michaelis de Vasconcelos e Michel Giacometti. Mas haverá muitos outros nomes a destacar, seguramente.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Idiotismos 19


Ontem, ao re-comentar um comentário, aqui no Blogue, utilizei uma palavra que faz parte de uma expressão popular e que, não lhe sabendo a origem, acho, pelo menos foneticamente, muito sugestiva. Trata-se da expressão dar-lhe um tranglomango, e fui procurá-la nos alfarrábios que por cá tenho.
Embora não cabalmente, valeu-me, uma vez mais, Alexandre de Carvalho Costa que, nas páginas 215/6 do seu primeiro volume ("Gente de Portugal - Sua linguagem - Seus costumes"), dá algumas achegas. O autor refere que o povo a usa para caracterizar uma morte repentina de que se não sabe a causa, ou um ataque de origem desconhecida.
Teófilo Braga e Carolina Michaelis também se teriam interrogado sobre o dito popular, mas sem concluir certezas quanto à origem. O primeiro inclina-se para que o vocábulo tanglomango designasse uma antiquíssima divindade de espírito maléfico; enquanto Carolina Michaelis a considera equivalente a tangro-mango ou tengo-mengo,  e aponta o texto português em que, pela primeira vez, aparece. Precisamente no Cancioneiro Geral (1516), de Garcia Resende, numa cantiga de termos obscuros, feita por Álvaro de Brito Pestana, dirigida a Pero Borges, que diz assim:

"...Arisco gozo corrido,
Saro rravalco, mostrengo,
Não há mais num bexodido
Quase, quase tengo mengo. ..."

As informações não ajudarão muito, mas foi tudo o que consegui saber...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Bibliofilia 80 : Sá de Miranda


Transcreve-se, por exemplar, a descrição da obra, feita por José V. Pina Martins (Sá de Miranda e a Cultura do Renascimento, Lx., 1972):
"Vol. in 24º de XVI ff. mais 346 pp. para o texto. Os ff. preliminares contêm o rosto, uma dedicatória do impressor a D. João da Silva, Marquês de Gouveia, as licenças, a biografia, o epitáfio latino e uma tábua com as poesias de S. de M. Já Carolina Michaëlis notou que falta o soneto de D. Manuel de Portugal. Esta edição reproduz o texto de B (edição de 1614), com alguns lapsos a mais, mas não é tão desvaliosa como afirmou Carolina Michaëlis, que dela pouco se serviu."
Podemos acrescentar que, na sequência cronológica das Obras de Sá de Miranda, este livrinho ocupa a posição 5. O nosso exemplar ostenta 3 ex-libris, tendo sido comprado, em Novembro de 1989, num leilão da Soares & Mendonça (lote 3192), por Esc. 13.404$00 (o equivalente, hoje, a cerca de 67,00 euros). Damos, de seguida, uma pequena relação de preços atingidos por esta edição (1677) das obras de Sá de Miranda, ao longo do séc. XX:
- 1932 - Livraria Coelho: Esc. 300$00.
- 1977 - Livraria Camões: Esc. 1.800$00.
- 1998 - Livraria Artes e Letras (na Feira de Antiguidades): Esc. 75.000$00.
O nosso exemplar está encadernado em pele e encontra-se em bom estado de conservação.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Idiotismos 10 : ainda sobre argueiros e araújos


Falei aqui, algumas vezes, de argueiros e araújos, a propósito de uma visita importuna e indesejável, que vem ao Arpose. Referi, por exemplo, que araújo é um argueiro no olho - incómodo, portanto. Mas, há dias, vim a descobrir mais algumas coisa sobre este vocábulo.
O seu uso é antigo, porque já na "Aulegrafia" (1619), Jorge Ferreira de Vasconcelos refere: "...não sofrer argueiro nas orelhas...", no equivalente a pulga, decerto. Carolina Michaelis comparou-o, por sua vez, ao ácaro (daí a imagem). João Ribeiro (Frases Feitas, 1908) explica que argueiro é "qualquer partícula ínfima e levíssima das que andam no ar".
Por sua vez, no Rifoneiro português, embora com significado um pouco distinto, existe o provérbio: "Fazer de um argueiro um cavaleiro". E, mais uma vez, para me justificar e comprovar a sua antiguidade, cite-se do "Cancioneiro Geral" (1516) de Garcia de Resende:
Pode ser maior marteiro
Se no ombro cai argueiro
Que não se há-de espenicar?
E, já que estamos em verso, para terminar, registe-se da "Hora do Recreio", de J. Baptista de Castro:
Quem case não case às cegas,
Mas seja sagaz e astuto,
Argos em vez de argueiros
E nos lances lince agudo.
Por hoje, de araújos e argueiros, é tudo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Memória 17 : Carolina Michaelis de Vasconcelos



A 15.3.1851 nasceu, em Berlim, Carolina Michaelis de Vasconcelos, vindo a falecer, a 16 de Novembro de 1925, no Porto.
Nesta data, pretende-se, tão só, evocar a memória de uma investigadora que escolheu Portugal como país de realização pessoal e profissional.
Não é este o lugar, nem o propósito, para falar, de forma aprofundada, sobre a vida e a obra de Carolina Michaelis de Vasconcelos.
No entanto, numa altura em que as investigações na área das Humanidades carecem de reconhecimento público, sobrepondo-se o material ao valor matricial do pensamento, convém recordar a figura de CMV e o seu labor paciente, documentado e, frequentemente, desinteressado. O mesmo não se poderá dizer de todos aqueles que, nos dias que correm, se alimentam do seu trabalho em "cópias de vão de escada" disfarçadas.

Post de HMJ