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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Madrugaram...

 

Fiquemos tranquilos, o Governo está sempre vigilante!

Ora atentemos, em algumas das visitas institucionais ao Arpose, hoje:

8h57, visitou-nos honrosamente  a Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

Às 9h55, a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna concedeu-nos uma vistoria, para se informar sobre o árcade Josino Leiriense (José Daniel Rodrigues da Costa).

Pelas 10h47, foi a vez do Ministério da Defesa Nacional cá vir.


Perguntei-me se as visitas não seriam familiares. Mas estou certo que se enriqueceram com algumas pérolas de cultura.


E o Arpose encheu-se de glória e prestígio institucional - haja deus!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Bibliofilia 142


Ornado o frontespício com uma singela e ingénua gravura alusiva ao tema do texto (Hospital do Mundo), este opúsculo é apenas um dos 12 folhetos, correspondente a Dezembro, que José Daniel Rodrigues da Costa (1756-1832) fez editar através da Oficina de Simão Thadeo Ferreira, todos os meses, durante o ano de 1805.


Abstemo-nos de falar do autor leiriense pelas várias vezes que, já aqui, abordámos a sua vida e obra, que foi extensa*, embora não de primeira água. Os seus trabalhos destinavam-se a leitores pouco exigentes, mas eram  um eficaz instrumento divertido de leitura. 
O folheto custou-me, desencadernado de uma miscelânea, e quase na viragem do século: Esc. 3.000$00.

* Para se ter uma ideia da prolixidade de JDRC, posso informar que João Palma Ferreira no seu trabalho "Apontamentos sobre José Daniel Rodrigues da Costa e a Fortuna da Sátira", na bibliofilia (incompleta) activa do autor, contempla 87 entradas, de 1877 a 1830. A minha biblioteca conta com 21 títulos do escritor, dois dos quais não constam dessa lista. O que perfaz 89 obras...

sábado, 30 de março de 2019

Profissão assistida


Já Nicolau Tolentino se queixava de ter que aturar meninos, na sua profissão de mestre-escola, para sobreviver economicamente e poder ter algum tempo, ainda livre, para dedicar ao seu prazer maior que era escrever poesia. Esquecia ou, melhor, omitia que o vício do jogo lhe consumia uma boa parte dos rendimentos auferidos... Melhor sorte teve José Daniel Rodrigues da Costa, seu contemporâneo, que conseguiu viver do que escrevia e publicava, mas teve que trabalhar muito e deixar obra larga.
Que isto da poesia não é boa enxada, nem lucrativa, pelo menos, em Portugal.
De prosas viveu Camilo, mas teve que se esgadanhar a escrevê-las. E se não fossem os bens e rendimentos da Dª. Ana Plácido, provavelmente, ainda teria vivido pior. Eça também se queixava muito, apesar de escritor de sucesso e diplomata em exercício, que não seria mau ofício quanto a salário, decerto. No século XX, só me lembro de Ferreira de Castro e Agustina terem vivido da pena. Cesariny, só quando se desdobrou em pintor, é que teve um crescente desafogo na bolsa. E foi pela pintura que enriqueceu.
Li em Le Monde, recente, que são raríssimos, em França, os escritores que não têm uma segunda profissão, para poderem sobreviver. Lá como cá, seguramente.
E dos novos lusos publicistas? De tão fraca laia e escrita de água chilra? Viverão de biscates e croquetes de vernissages? É que muitos deles nem sequer chegam à mediocridade rentável de Houellebecq, que lá vai vivendo, em França, do que escreve. Tem, por ele, a sorte dos seus leitores não serem muito exigentes. E o sentido crítico, em grande parte deste mundo, andar pelas ruas da amargura.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Flash


Estava frio na rua Anchieta, e a Feira de Alfarrabistas estava pobrinha de qualidade e, ao mesmo tempo, cara nas obras mais interessantes, para mim. Desencadernados, folheei 3 folhetos de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), sacados de alguma miscelânea oitocentista, para renderem mais, individualmente...
Pediam por cada um 25 euros, e eu achei caro. Vim embora de mãos a abanar.  

sábado, 21 de julho de 2018

Bibliofilia 163


Recentemente adquirido, por 18 euros, este folheto O Novo Janeiro de 1831, de 24 páginas, publicado na Impressão Regia, em 1830, por José Daniel Rodrigues da Costa, é um dos últimos editados em vida do autor que terá falecido em 1832. O seu prefácio põe, no entanto, em dúvida, a indicação de Inocêncio, repetida a partir daí por vários publicistas, que dá Rodrigues Costa como tendo nascido, nas imediações de Leiria, a 31 de Outubro de 1757. No antelóquio, escrito em 1830, José Daniel refere: Desde a idade de dezeseis annos me avezei, não com vaidade, mas com amor ás Bellas Letras, a compor, e a imprimir; acho-me hoje com os meus setenta e quatro... Fazendo fé nesta sua afirmação, ele teria nascido no ano de 1756. E não em 1757, como Inocêncio escreveu.

Como já por aqui referi, no Blogue, a propósito de outras publicações de José Daniel Rodrigues da Costa, que são muitas, a sua obra não é erudita, nem de grande cultura, mas é divertida e irreverente, sendo muito popular, na época. Por outro lado, dá-nos uma visão viva dos costumes lisboetas de então, usando com frequência expressões populares e um vocabulário rico, algum do qual, hoje, raramente é usado, ou caiu mesmo em desuso.
Durante a leitura do folheto, fui tomando nota das palavras que não conhecia e, depois fui procurar-lhes o significado, nos dicionários que tinha à mão. Das 6 que anotei, apenas 1 não consegui esclarecê-la. Aqui as compartilho, com quem visitar o Arpose:

pg. 11 - côvo = cesto comprido de vime usado na pesca.
pg. 12 - martinetes = espécie de martelão movido a água ou vapor empregado nas indústrias mecânicas; martelo de piano.
pg. 13 - atafaes = o que cobre a retranca das cavalgaduras.
pg. 15 - giribanda = termo popular para designar descompustura, reprimenda.
pg. 20 - bovinete = (foram infrutíferas as minhas tentativas para saber o significado desta palavra).
pg. 23 - alicantina = astúcia, manha, trapaça, velhacaria.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ora, foi no Teatro do Salitre...


A vitrine estava repleta de entremezes e folhetos de cordel, aí uns vinte, pelo menos, e todos diferentes. E B. T. foi-me dizendo que, há muito, não comprava mercadoria deste quilate. Eu vi-os a pente fino: alguns já os tinha, como O Gallego Lorpa e os Tolineiros, de que já aqui falei, em tempos (24/6/2010). Estes folhetos, sem grandes pretensões culturais, representados, destinavam-se a divertir a populaça.



Grande parte destas peças dialogadas, de média ou fraca qualidade, tinham sido exibidas no Teatro do Salitre que, inaugurado em 1782, e mudando de nome para Teatro de Variedades, em 1852, veio a encerrar no ano de 1879. Aqui se estreou (onde mereceo accceitação), no ano de 1822 (?), esta pequena obra (16 páginas) de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), intitulada A Casa de Pasto.



O enredo da pequena peça é débil e de humor muito linear, à superfície. Mas tem aspectos sociológicos interessantes. E dá para saber que, naquela altura, se apreciavam os miolos com ovos, cebolas recheadas, frango ensopado, língua de vaca, favas com presunto e pombos de empanadas...
Desencadernado e em sofrível condição (pequenos rasgões, não afectando o texto), o folheto ficou-me por 18 euros.



sábado, 30 de setembro de 2017

Adivinhas e folhetos de J. D. R. da Costa


Soube viver, ao que parece, este Josino Leiriense, poeta arcádico, de seu nome completo: José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832). Sobretudo por se ter acolhido a altos patrocínios, como o do Intendente Pina Manique. Mas escrevia e publicava muito, coisas menores é certo, mas divertidas. Que se vendiam bem pelo Rossio e pelas Portas de Sto. Antão, em forma de folhetos de cordel. Além disso, teve acesas polémicas com Bocage, que talvez não lhe perdoasse a índole conservadora.
Bem gostaria eu de saber quem lhe compraria as publicações: talvez escriturários e comerciantes, alguns poetas menores, mestre-escolas, média burguesia letrada, provavelmente, a pequena fidalguia ociosa...



Deste Barco da Carreira dos Tolos, em 12 fascículos mensais, adquiri 9, ficando a faltar-me o I, VI e VII (respectivamente, dos meses de Janeiro, Junho e Julho), que não os havia no alfarrabista. São da segunda (?) edição, de 1820, pois a original foi publicada em 1803. O magano do José Daniel usava de alguns pequenos truques para manter acesa a curiosidade e fidelidade dos leitores. No final de cada folheto, por exemplo, punha uma adivinha, cuja solução só era fornecida no folheto do mês seguinte...


Em relação a esta última adivinha, posso informar que a resposta era: Sepultura.
Também fiquei a saber, pelos folhetos, que machacaz era, na altura, um indivíduo corpulento, mas desajeitado; por vezes, finório, espertalhão. Quanto à expressão andar à donata, não lhe consegui descobrir o significado. Estes idiotismos, populares decerto, nem sempre tiveram seguimento de vida, no tempo.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Bibliofilia 86


Da prolífica obra de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832), este "Almocreve de Petas" é, provavelmente, o seu título mais conhecido. Composto de inúmeros capítulos (Partes, lhes chamava o autor) que correspondiam a outros tantos folhetos, que iam saindo regularmente, aparecem hoje (quando raramente aparecem) encadernados em 3 volumes, sempre disputadíssimos quando vão a leilão.
Neles se espelha a prodigiosa imaginação de Rodrigues da Costa, com ressaibos de um quase surrealismo antecipado, em episódios burlescos e pícaros, que têm sempre por motivo casos populares ou figuras típicas das classes mais baixas. Seriam, talvez, esses e a pequena burguesia citadina os mais fiéis leitores de José Daniel. E com esse produto de venda ia o Autor compondo a sua vida, que nunca foi desafogada.
Incompleta, esta segunda edição (1819) de que adquiri, muito recentemente, o 1º e 2º volumes, custou-me 45,00 euros e, para o costume, pode dizer-se que foi bom preço. É obra ligeira, divertida, onde se encontram jogos mirabolantes de palavras e histórias muito pitorescas apropriadas a tempos de férias. Como particularidade: cada capítulo tem por título bairros ou locais lisboetas e dos arredores - Bairro Alto, Bica do çapato, Mouraria, Seixal, Rua Augusta, Chamusca, Carnide, entre muitos outros.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Do "Almocreve de Petas", de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832)


Boqueirão da Moita 10 de Dezembro

Consta por avisos repetidos de pessoas de todo o crédito, que por todo este mez não tem vindo do Aléntejo para Lisboa senão sugeitos muito limpos, e asseados; porque os porcos são lá precisos.

José Daniel Rodrigues da Costa, in Almocreve de Petas (pg. 3).

domingo, 21 de julho de 2013

Um prólogo


A imagem reproduz o proémio ou início da mais conhecida obra do, hoje, pouco conhecido José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) que, entre os pastores do Tejo, adoptou o nome arcádico de Josino Leiriense. A obra, em fascículos, intitulava-se "Almocreve de Petas". É da segunda edição (1819) que se reproduz o prólogo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Recreativo e cultural



Até meados do século passado, havia destas publicações, com vendedores de porta em porta, ambulantes, que também apareciam, no Porto e em Lisboa, pelos comboios, antes de partirem. Os folhetos serviam para entreter os passageiros, em viagens mais longas. Eram antepassados modestos das revistas de temas gerais que hoje pululam nas bancas. Pelas ruas das cidades de província, estas publicações despretenciosas e folhetinescas, normalmente com tosco grafismo, contavam histórias de faca e alguidar, ou formatavam os espíritos, como era o caso duma revista de Santa Zita, para as criadas, cujo preço era muito barato.
Para trás d'"A Vigilia" houve uma série de folhetos setecentistas e oitocentistas, de grande aceitação popular. Destacaria sobretudo as publicações de José Daniel Rodrigues da Costa, que ia ganhando a vida com elas. O autor, único, do folheto em imagem, alicerçava-se pomposamente no pseudónimo Camillo Queiroz - não devia ser modesto na pretensão. Era um pouco machista, agressivo q. b., mas dentro do aceitável, tinha humor e estava bem informado, culturalmente. Com alguma perspicácia e boa disposição, H. N., que me ofereceu este estimado folheto, dizia-me que "A Vigilia" bem poderia ser feito da matéria de alguns Blogues de hoje em dia.
E tinha razão...Pode ser que eu volte a falar dele, oportunamente, analisando-lhe melhor o "miolo"...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bibliofilia 43 : literatura "light" no séc. XVIII



Já, por aqui, falei de José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) que teve o nome arcádico de Josino Leiriense por ter nascido nas proximidades de Leiria. Tem obra vasta que publicou em folhetos e fascículos, alguns editados semanalmente, outros, de mês a mês. Tinha muitos leitores que apreciavam o seu tom chocarreiro, divertido, "light" - como hoje pulula, feito por senhoras e senhores que aproveitam a publicidade que as revistas róseas lhes fazem. Outros que usufruem do facto de aparecerem, frequentemente, nas televisões. Não importa muito a qualidade do que escrevem, mas sim aparecerem muito...
Rodrigues da Costa era pouco culto, a sua poesia é medíocre, mas a sua imaginação era muita e produzia em quantidade, até porque lho exigiam os seus sôfregos leitores. Mas devia ser um homem honesto, que se indignava muitas vezes com os desmandos da sociedade portuguesa. Em poesia, trabalhava por circunstância (como hoje, também, ainda se faz) e fazia algumas cedências ao Poder instituido. É o caso deste folheto de regozijo pelo restabelecimento do príncipe D. José.
O folheto foi editado em 1789 e custou-me, por volta de 1980, Esc. 1.500$00 (cerca de 7,50 euros). Não sei se é raro, mas não será frequente. A fragilidade dos folhetos e a fraca qualidade do papel usado, nas impressões, não auguravam grande longevidade a estas pequenas obras. Actualmente, pequenas peças deste tipo são vendidas por cerca de 25,00 euros, dependendo do estado em que se encontram, da raridade, e do autor.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Bibliofilia 20 : Folhetos de Cordel e Entremezes



Não sou grande conhecedor de entremezes nem de folhetos de cordel. Tenho, sim, vários folhetos de poesia do séc. XVIII, e outros de José Daniel Rodrigues da Costa, já do séc. XIX. Os primeiros entremezes parece terem tido origem nos sécs. XIV/XV. Rui de Pina fala deles na sua crónica sobre D. João II. Segundo Luiz Francisco Rebello, a palavra portuguesa entremez provém do francês "entremetz".
Quando me ofereceram, ontem, por um preço módico, estes dois folhetos que se reproduzem, não resisti a comprá-los. Após leitura ligeira, fazem-me lembrar pequenos "libretos" de revista à portuguesa, "avant la lettre". Não têm grande qualidade literária, nem indicam os nomes dos seus autores, mas são divertidos. Têm 16 páginas, cada um. E a tipografia, onde foram impressos, é a mesma (Typ. de Mathias José Marques da Silva, na Rua do Ouro, em Lisboa). Creio que, pelo menos um ("Novo Entremez/ intitulado/ O Gallego Lorpa e os Tolineiros."), terá algum interesse sociológico sobre o período em que foi editado.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bibliofilia 17 : José Daniel Rodrigues da Costa





Nem sempre bibliofilia coincide com qualidade literária. A bibliofilia persegue a raridade, quase sempre; o estudioso da literatura procura, sobretudo, a excelência dos textos.
José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) terá nascido perto de Leiria e usou, arcadicamente, o nome literário de Josino Leiriense. Tem obra vasta e terá vivido, principalmente, da escrita, como Camilo mais tarde. Mas as suas obras, vendidas em fascículos semanais, quinzenais e mensais, deram origem a alguns "best-sellers", sendo o mais conhecido intitulado "Almocreve das Petas...". Pouquíssimos o estudaram e para além das referências de Inocêncio, há - tanto quanto eu saiba - pouco mais que um trabalho interessante e meritório de João Palma Ferreira, incluído em "Obscuros e Marginados", IN-CM (1980), com o título "Apontamentos sobre José Daniel Rodrigues da Costa e a Fortuna da Sátira" (pgs. 103/138). Contém uma preciosa bibliografia, embora com algumas lacunas. O facto de grande parte das obras de Rodrigues da Costa, tais como "Os Engeitados da Fortuna...", "Comboy de Mentiras..." ou "Portugal Enfermo..." terem sido publicadas em fascículos continuados contribuiu para a raridade de as encontrarmos completas. São, portanto, muito pouco frequentes, muito apetecidas e, normalmente, muito caras. Sendo, como João Palma Ferreira diz, J. D. Rodrigues da Costa pouco culto, os seus livros e poemas não são obra erudita, nem de grande excelência e qualidade literárias. São, porém, fáceis de ler, divertidas e dão uma interessante visão sociológica da época, com os seus maneirismos, tiques, modas e costumes.

P. S. : para MR - o prometido é devido.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O Piolho Viajante



Os séculos XVIII e XIX foram pródigos num tipo de literatura marginal, e secundária, publicada em folhetos semanais ou mensais que faziam as delícias de quem sabia ler. Faziam rir, propunham adivinhas, criticavam os costumes, orientavam gostos e preferências. Sendo obras ligeiras, escritas sem grande preocupação de estilo, preenchiam os ócios e eram muito populares.

E vendiam-se bem. Algumas foram verdadeiros "best-sellers" na época. Dois dos autores consagrados, destes folhetos, foram: José Daniel Rodrigues da Costa e António Manuel Policarpo da Silva. A obra mais conhecida deste último dá pelo extenso nome de "O Piolho Viajante, divididas as viagens em mil e uma carapuças" e começa assim:

"Eu nasci lá para a Ásia, de um ajuntamento de uma Piolha e um Elefante, ainda que houve quem disse que uma Tarântula macha foi quem me deu o dia. Mas fosse ou não fosse, isso é coisa insignificante; porque como os Piolhos não têm morgados que herdar, as Piolhas têm pouco escrúpulo de que seja este ou aquele Pai de seus filhos ainda que não deixe de haver muitas Piolhas escrupulosas e com muito bons sentimentos. Seja ou não seja, meu Pai desconfiou muito de eu não ser seu filho, o que deu não poucos cuidados à minha mãe, e talvez fosse a origem da sua morte. Mas é certo que ele não teve razão nenhuma, pois minha mãe me certificou, depois dele morrer, que ela não tivera dares nem tomares com outro algum indivíduo..."