Podemos até não apreciar excessivamente a obra de Paula Rego mas, daí a esquecer que ela é uma referência portuguesa na pintura europeia, será uma tola e crassa ignorância. Quando os animais retratados nos seus quadros forem ainda apreciados e estudados, na Tate Gallery e em muitas colecções particulares, os nossos coelhos de hoje, os cavacos e os gaspares estarão esquecidos e sepultados sob o pó do tempo, como lixo inútil e tóxico de uma época nociva, em Portugal.
É por isso que a extinção da Fundação Paula Rego, em Cascais, bem como o encerramento provável da Casa das Histórias, com quase duas centenas de obras suas, não me deixa indiferente. As obras ser-lhe-ão devolvidas e, provavelmente, hão-de obter guarida de consideração condigna na Inglaterra. Mas tudo isto não deve perturbar, minimamente, o sono do nosso pequenino comissário de cultura e dos seus próceres mesquinhos, alarvemente ignorantes...
