Apagou-se com a mesma discrição com que surgia no seu Alfarrabista preferido. A sua entrada denunciava, aos mais habituados, a existência de alguma biblioteca rica em obras raras, comprada recentemente, e que só era posta à venda, nas estantes, depois de A. D. lhe dar uma vista de olhos, no corredor vedado aos restantes clientes. A sua fraqueza eram os incunábulos, mas sobretudo os livros quinhentistas, de preferência portugueses.
Discretíssimo, nem mesmo nos leilões de livros a sua voz se alterava ao licitar algum lote, ou as emoções transpareciam do seu rosto fechado. Notava-se apenas uma expressão de bem-estar tranquilo, na face, sempre que o livro apetecido lhe passava para as mãos. A terceira parte da almoeda da sua riquíssima biblioteca decorreu há pouco mais de uma semana. A alegria, talvez menos discreta, da posse, perpassou decerto por outros rostos...
