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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Do que fui lendo por aí... 21


A louçania da mulher minhota não dispensava, por festa, romaria ou procissão, os atavios de ouro - lembro-me bem... Talvez por ali houvesse, também, alguma vaidade de mostrar os seus pertences de família ou a capacidade do seu dote. Dir-se-ia que, nalguns casos, pecava por exagero.
Mas qualquer dona minhota que se prezasse teria certamente, no seu bauzinho de jóias, as arrecadas de filigrana e o seu grosso cordão dourado. E as criadas de servir, muitas vezes trabalhavam uma vida inteira para investir no fio de ouro, que compravam, normalmente a prestações, no ourives da terra.


Por isso, não estranhei que, num artigo da Revista de Guimarães (vol. LXVII, Jan.-Jun. de 1957), intitulado "Das origens e técnica do trabalho do ouro", o coronel Mário Cardoso (1889-1982) referisse, em nota de rodapé, o seguinte: "...sabe-se que as mulheres ibéricas superavam as etruscas, célticas e outras, na sua vistosa indumentária e na riqueza exuberante com que se ornamentavam, cobrindo o toucado com diademas e rosetas de ouro, o pescoço e o peito com múltiplos colares e pendentes, grandes arrecadas, nas orelhas, pulseiras, braceletes (...) de uma grande quantidade de jóias de ouro ao pescoço, cordões, cruzes, medalhões de filigrana, etc., que por vezes cobrem todo o peito da lavradeira." (pgs. 18/9)

um agradecimento especial a H. N. - ele sabe porquê...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Bibliofilia 127


Trago aqui à colação, na rubrica Bibliofilia, este folheto de 1929, com 36 páginas, de autoria do arqueólogo vimaranense coronel Mário Cardozo (1889-1983), pelo facto de ser o último exemplar, que a Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) tinha à venda, deste opúsculo de pequena tiragem. Adquiri-o por 5 euros, na minha última deslocação a Guimarães.
Esta monografia sobre a Pedra Formosa, talvez a peça arqueológica mais emblemática do Museu da Cultura Castreja (Briteiros), muito documentada, está, porém, desactualizada. O monolito hexagonal irregular ( 2,90m. de largo, por 2,28m. de altura, com o peso de cerca de 5 toneladas), de que se conhecem referências desde o século XVIII, constituiu um mistério durante muitos anos, quanto à sua utilização primitiva. As hipóteses avançadas dividiam-se por: estela funerária, ara de sacrifícios ou frontão de habitação primitiva. Estudos recentes datam a Pedra Formosa de há cerca de 3.000 anos e apontam para que fosse integrante do interior de balneários da civilização castreja, e cuja abertura, inicialmente circular, daria acesso ao compartimento dos banhos a vapor.
A peça arqueológica, com desenhos decorativos toscos, mas muito interessantes, foi oferecida por Francisco Martins Sarmento (1833-1899), em 1897, ao Museu homónimo, de Guimarães, tendo transitado, em anos recentes, para a proximidade do local onde fora encontrada originalmente (soterrada), integrando, agora, o acervo do Museu da Cultura Castreja, em Santo Estevão de Briteiros.



Nota pessoal: não queria deixar de referir que a Sociedade Martins Sarmento, com o seu importante Museu Arqueológico, anexo, e um largo currículo, já centenário, em prol da Cultura portuguesa, se debate, a exemplo de algumas congéneres nacionais, presentemente, com grandes dificuldades financeiras, que comprometem o seu futuro.