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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A querer ser máxima

 
De manhã, saiu-me esta:

Cada revolução acaba por engendrar, quase sempre, novas aristocracias.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Osmose 99


O mal é, normalmente, absolvido pelo tempo, mas o bem nem sempre é compreendido. E não será preciso, em abono desta afirmação, referir Fidel ou citar Hannah Arendt: a História confirma-o, quase sempre.
Uma revolução tem, na minha opinião, qualquer coisa de ingénuo e qualquer coisa de cruel. Aspectos que, na sua evolução, criam à maioria das pessoas algum incómodo interior. E que, consoante a sua capacidade de manobra ou de poder, tentam modificar a seu gosto ou mesmo neutralizar. Para conservar a sua rotina tranquila de viver, ainda que banal. As necessidades são sempre básicas, os ideais, difíceis de descrever ou concretizar e o cepticismo nem sempre se compadece com o sonho.
A alegria adulta, porém, passa quase sempre pelo sobressalto, pela medida das coisas impossíveis ou improváveis. No fundo, por viver de outra maneira.

para AVP, com um piscar de olhos...

sábado, 27 de julho de 2013

Provocatoriamente


O fermento demora a levedar, e há que dar-lhe o tempo necessário para que o pão seja perfeito.
Olhando o passado, sem grandes preocupações de rigor, pode concluir-se que haverá, em cada país, no máximo uma ou duas revoluções por século. E depois de uma revolução, as gerações seguintes vão amolecendo como a gelatina dos relógios de Dali. O conformismo instala-se: atiram-se, de vez em quando, umas pedras, à polícia, por desfastio; acampa-se, indignadamente, nas praças mediáticas, ou, cacafonicamente e de forma acarneirada, mostra-se uma revolta cristã e inconclusiva, pelos feicebuques e linquidins que a NSA, com paranóia mormónica persistente, vai registando. Tudo fogo de vista.
O que sobra de revoltados autênticos não chega para fazer uma revolução, mas apenas para pequenos atentados suicidas que, no fundo, pouco adiantam. Porque grande parte da adolescência se vai preparando, muitas vezes a conselho indirecto dos pais, para o desemprego, a resignação, a impotência ou o individualismo desenfreado. Mas também se pode entreter (depende da cultura) com as revistas róseas, os bebés reais, os papas franciscanos, os futebóis, as novas tecnologias e os aviários políticos. É só escolher a disciplina...
É por isso que os governantes e pacifistas europeus podem dormir descansados. Não haverá, tão cedo, Brigada Rossa, nem Baader Meinhof (RAF) ou FP-25. Nem sequer, em forma mais soft, um novo MFA.
Quando muito poderá haver Primaveras Árabes ( que é feito da Síria, não me dirão?!) que depois dão para o muito torto ou, como diria o povo, na sua sabedoria milenar: é pior a emenda que o soneto...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

As primaveras que morreram de frio


É da História: as revoluções, com o passar do tempo, vão-se atrofiando, perdendo velocidade até tudo ficar, quase, como antes - não é preciso citar Lampedusa.
Mas se quisermos, neste Verão de 2012, saber o que ficou das primaveras árabes, pelos media, dificilmente o conseguiremos saber, porque o espectáculo deixou de ter interesse. E, talvez, já não venda. Acesa, apenas a Síria, porque lá ainda se morre, numerosamente. E a morte vende sempre.
Do Egipto, a Irmandade Muçulmana ganhou as eleições, mas os generais aperrearam a legislação e continuam a dominar. Da Líbia, vem um pesado silêncio. E da primeira das primaveras árabes, da Tunísia, vale a pena traduzir algumas palavras de um artigo do último "L'Obs": "...Mas os políticos confiscaram os seus sonhos: nada mudou, senão o custo de vida que duplicou. «Para fazer uma salada de tomates, tenho que pedir um empréstimo», diz ele. E depois: «Detesto esta revolução.» E ainda: «No fim de contas, vivia-se melhor no tempo de Ben Ali.»"