Comecei pelo mais curto na garrafa: o Casal da Azenha, branco da colheita de 1957, de António Bernardino da Silva Chitas (Azenhas do Mar).
A rolha quase não se esfarelou, talvez porque o vinho estava protegido, como grande parte dos vinhos bons, antigamente, por cápsula de chumbo. Decantei-o e deixei-o a respirar, em sossego. Tinha muito pouco pé (depósito) e o aroma lembrava um vinho generoso leve e ténue. A cor era linda: entre âmbar e mel (lamento que a fotografia não seja rigorosamente fiel, na tonalidade), ou de aguardente velha pouco densa. Talvez melhor, de chá pouco forte, transparente.
O Ramisco, casta dura de chão de areia, que até conseguiu resistir à filoxera, envelhecera com dignidade. Foi acompanhado por Queijo Serra amanteigado e umas castanhas novas, assadas. Portou-se este branco velho com nobreza, apesar dos seus 58 anos de idade. Um leve sabor a resina suave, de memórias, espalhou-se pelo palato...


