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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Retenções preventivas


Não sendo sinónimo de lápis azul ou de censura ditatorial, a retenção sanitária de comentários, em muitos blogues, deixa-me curioso. Se entendo essa precaução em blogues de temática ou natureza política, para evitar insultos e manifestações reaccionárias, ou alarvidades, em blogues neutros, não a percebo lá muito bem. Já vi essa quarentena explicada para evitar publicidade abusiva e frequente. Até parece que, nesse particular, o Arpose é um oásis, porque ela, felizmente, não aparece por aqui.
É certo que já tive que apagar alguns comentários (únicos, até hoje, em que exerci censura) de uma senhora louca, que me tomava por outra pessoa; também tive que suportar um impertinente e despropositado visitante, bem como uma dama arrogante que costumava comentar com tiradas poéticas de jornal de província, e que tinha o condão de me irritar solenemente. Mas, com alguma paciência e perseverança, usando de diplomacia selvagem, consegui afastar esses 3 comentadores, definitivamente, do Arpose.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Lembrete 16


De Cardoso Pires e incluído na pequena, mas prestigiada colecção 3 Abelhas, com capa de Victor Palla, este livro foi, liminarmente, condenado e proibido pela Censura, em 1952.
Em edição fac-similada, da original, podia comprar-se, ontem, com o jornal Público. E, muito embora, estes contos viessem a integrar, com alterações, a obra Jogos de Azar, mais tarde, valerá bem a pena adquirir esta primeira versão, que foi condenada no tempo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lembrete 15


Saiu hoje, com o jornal Público, o primeiro livro (edição fac-similada) de muitos que foram proibidos pela Censura e retirados de venda, no tempo do Estado Novo.
Para lá de ser uma das obras pioneiras do Neo-realismo, "Gaibéus" (1939), de Alves Redol (1911-1969), traça um retrato realista do campo, em tudo contrastante com a visão idílica rural dos romances de Júlio Dinis (1839-1871), escritos cerca de cem anos antes.
Não menos importante, o livro vem acompanhado do texto do relatório do Censor, que conduziu à apreensão e proibição da obra. Tudo isto ao preço imbatível de 1,95 euros, na compra do jornal diário.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Livros defesos



Para as gerações de hoje poderá parecer pouco crível que, no passado e em Portugal, se proibissem e apreendessem livros e, até, se instaurassem processos (políticos) a muitos escritores nacionais. Mas isso era comum, no período do Estado Novo, e até Abril de 1974. Para não falar  de livros estrangeiros que, só clandestinamente, cá entravam e eram vendidos, à socapa e por baixo da mesa, a pessoas de confiança. Era o caso, por exemplo, das edições Maspero, francesas. Ou das traduções de alguns autores estrangeiros, como Sartre, Roger Vailland e do seu proibidíssimo "Um homem do povo na revolução".
Aquilino Ribeiro, por causa do seu "Quando os lobos uivam", foi a Tribunal, sendo a 1ª edição da obra completamente apreendida. A segunda edição, só veio a sair no Brasil. O mesmo aconteceu a Torga: os "Contos da Montanha" foram proibidos, e a segunda edição só viu a luz no País-irmão, através da editora Pongetti. Também os "Cadernos", da Dom Quixote, de teor político, foram objecto de razias persecutórias. E José Vilhena, escritor humorístico, muito em voga nos anos 60 portugueses, também foi posto no Index, mais pelas brejeirices do seu humor, do que por razões políticas.
Mão amiga fez-me chegar, há dias, um artigo do jornal Expresso de 21/4/12, sobre este assunto, e muito bem documentado, na referência que faz a um estudo de José Brandão, sobre a censura literária do Antigo Regime. Lá aparece o top-10 dos sacrificados: autores e editoras. Vilhena vem à frente. Em terceiro lugar aparece Tomás da Fonseca, autor de quem nunca li nenhum livro. Outra surpresa, para mim, foi Orlando Costa (pai de António e Ricardo Costa), autor de "Podem chamar-me Eurídice", que também foi vítima desta sanha censória.
Registe-se que o regime intensificou, gradualmente, a repressão sempre crescente. Dos 12 títulos apreendidos, em 1933, nos anos 70 o número de livros proíbidos ultrapassou a centena.

com agradecimentos a H. N..