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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Regionalismos madeirenses (9)

 



Dá-se, hoje, por finda, no Arpose, esta temática regional seleccionada do livro, em imagem, de Ana Cristina Figueiredo.  Em sequência alfabética, como se segue:

1. Tratuário - faixa existente normalmente na berma da estrada, mais elevada em relação a esta e que é           destinada à circulação de peões; passeio.
2. Xavelha - que é natural ou habitante de Câmara de Lobos.
3. Zangalhar - Estar pouco seguro; não estar firme.
4. Zaralhar - andar de um lado para outro sem fazer nada com utilidade.
5. Zaralho - Pessoa que se apresenta mal, que é desarrumada. Desajeitada, desleixada, desordenada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Regionalismos madeirenses (8)



Em prosseguimento da temática, seguem-se mais cinco regionalismos colhidos na obra Palavras d'aquintrodia, de Ana Cristina Figueiredo. Com os respectivos significados.

1. Roeza - fome, apetite, traça, larica.
2. Sumir - emagrecer progressivamente.
3. Tarraço - que está sob o efeito de bebidas alcoólicas; bêbado.
4. Tentaréu - pessoa que está sempre a arreliar e a importunar os outros.
5. Terçol - o filho ou filha mais novo (a) de um casal.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Regionalismos madeirenses (7)

 


Em sequência temática seguem-se mais cinco regionalismos com palavras iniciadas pelas letras P, Q e R:

1. Poviço - grande aglomerado de pessoas.
2. Quinar* - dar-se mal. Bater com o nariz na parede.
3. Rabiçar - acto de expelir pela boca substâncias contidas no estômago. Vomitar.
4. Relampada - pancada na cara dada com a palma ou com as costas da mão aberta.
5. Reque - objecto inútil e sem valor; coisa sem importância.

*No Minho, pelo menos, usava-se este verbo também com o significado de: morrer.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Regionalismos madeirenses (6)

 

Embora de uso circunscrito em geografia limitada, os regionalismos não deixam de ter um uso apropriado e muitas vezes necessário à zona em que se aplicam. A sua origem ou construção nem sempre é possível descobri-la. Aqui deixo mais cinco regionalismos da Madeira e sua respectiva significação.

1. Infundilhar - colocar alguma coisa num lugar em que não possa ser encontrado com facilidade.
2. Jaleco - jaqueta turca cujas mangas chegavam só aos cotovelos.
3. Jambono - pessoa ou animal de pequena estatura e muito nutrido.
4. Manono - que está cheio de sono.
5. Patachada - palavra ou frase proferida de maneira insensata ou disparatada.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Regionalismos madeirenses (5)

 

Na sequência insular da temática, por aqui deixamos mais cinco regionalismos da Ilha da Madeira, colhidos na obra referida, de Ana Cristina Figueiredo, que temos vindo a consultar. Seguem-se:

1. Estriçar - apertar, cerrar, comprimir, cortar.
2. Favado - que apresenta muitas marcas deixadas por picadas de insectos.
3. Gabana * - construção rústica que serve normalmente de casa aos animais; casota, chiqueiro, curral.
4. Gerno - coisa nenhuma, nada.
5. Grima - entidade que personifica o mal; demónio, Satanás.


* creio que o substantivo não terá nada a ver com a conhecida marca de perfumes italiana Dolce & Gabbana..:-)

domingo, 27 de abril de 2025

Regionalismos madeirenses (4)

 

Da temática em epígrafe, seguem-se mais alguns regionalismos, por ordem alfabética:

1. Chimeco - pessoa ou animal que é muito magro ou enfezado.
2. Destaivado - pessoa que é pouco ajuizada, que não revela sensatez ou bom senso.
3. Embeiçado - que anda sem dinheiro.
4. Empapelar - demorar muito a tomar uma atitude.
5. Esbambalhar - provocar danos; ficar destruído.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Regionalismos madeirenses (3)

 

Com palavras começadas pela letra B aqui se acolhem mais 5 regionalismos seleccionados da obra já referida, anteriormente, desta temática. Seguem-se:

1. Babado - que não toma iniciativas; que tem atitudes típicas de quem é pouco inteligente ou estúpido.
2. Bábeda - pequena elevação na pele, de aspecto avermelhado e consistência dura, acompanhada, às vezes, por prurido.
3. Banano - pessoa ou coisa notoriamente grande.
4. Bicuda - estado de embriaguez, por ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.
5. Buginha - cão pequeno, cachorro.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Regionalismos madeirenses (2)

 

Em sequência alfabética, aqui ficam mais cinco regionalismos da ilha da Madeira recolhidos da obra Palavras d'aquintrodia, de Ana Cristina Figueirdedo, já referida, no Arpose, anteriormente.

1. Alheta - tira pequena e estreita, em tecido, especialmente em algumas em algumas peças de vestuário (calças, saias e casacos) e que serve para passar um cinto, de modo a segurá-lo. (Conheço também a expressão "pôr-se na alheta", com o significado de: desaparecer, fugir.)
2. Apastorado - que se veste e se apresenta com esmero; que está arrumado, limpo, posto em ordem.
3. Aquintrodia - expressão que indica uma ideia de passado recente. Aqui há dias, há algum tempo atrás.
4. Atremar - captar e reconhecer sons através do aparelho auditivo; ouvir, escutar. Compreender, entender.
5. Azougar - deixar de viver, tratando-se de animais, morrer.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Regionalismos madeirenses (1)


Oferta de um bom Amigo, veio colmatar uma ausência na minha temática de regionalismos portugueses. Reporto-me aos originários da ilha da Madeira. O livro, em imagem, de Ana Cristina Figueiredo, veio suprir essa falta. Até agora, madeirense, eu só conhecia "semelha" com o significado de batata.
Vamos assim dar início a uma série de vocábulos que se inserem nesta temática insular madeirense, seguindo alfabeticamente pela letra A, uma antologia de escolha pessoal.

1. Abatatado - que está bastante admirado ou surpreendido e sem capacidade de reacção; abananado, apalermado, embasbacado.
2. Abicar - provocar a queda, utilizando a força; empurrar, fazer cair, impelir.
3. Abla - habilidade para convencer os outros. Falinhas mansas, astúcia, manha.
4. Adufa - pequena abertura rectangular nos pavimentos das ruas e protegida por um gradeamento metálico, que se destina à recolha de águas pluviais ou outras.
5. Afreimado - que experimenta sentimentos de medo. Assustado.

Agradecimentos a H. N.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Mais um edificante episódio da justiça à portuguesa



Os inúmeros agentes já regressaram do Carnaval da Madeira. E os três arguidos e detidos, entre eles o presidente da câmara do Funchal, já foram restituídos à  liberdade. Não lhes foram encontradas culpas...

domingo, 25 de junho de 2017

Por que se apagam os Blogues?


Confessionais ou narcísicos (exibicionistas, mais raramente), políticos, eruditos ou pretendendo sê-lo, muito domésticos e comesinhos ("para entre família", como diria Pessoa), vulgares e repetitivos, alguns, outros mais objectivos ensaiando leves reflexões sem ambição de maior; muitos, de conteúdo apagado de propósitos, outros ainda, vaidosos de si, tentando alardear uma falsa ou oca cultura estrangeirada, procurando deslumbrar as gentes do ciberespaço -  por aí abundam eles...
Cerca de 1/3 dos Blogues que eu sigo encontram-se desactivados. A que quase poderia juntar mais 2, cujas actualizações são meramente residuais ou muitíssimo espaçadas. Porque se apagam os Blogues? Eu creio que por cansaço, como a terra se esvai do fogo, também, de tanto arder. Como dizem que aconteceu na Ilha da Madeira, em tempos imemoriais. Por já não haver nada para dizer. Por cansaço e desilusão, perdidos o elã e as fantasias iniciais. Porque a recepção foi escassa, ingrata, pelo silêncio quase total das visitas. E alguns disso se queixam, no último poste de desenlace fatal...
Há ainda uma, preguiçosa, maneira de fingir continuar, que é enché-los de imagens ou vídeos de música, sem texto, apenas com título, nos postes. O vazio dá lugar, neste caso, à letargia ou hibernação disfarçada. A esses, basta procurá-los por aí...
Mas também pode ficar a pergunta: e para que é que servem, realmente, os Blogues?
(Cada um pode perguntar e tentar responder a si mesmo.)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A caridadezinha, fraterna e regional


Com a sua habitual isenção económica, The Wall Street Journal noticiou que a Goldman Sachs tinha comprado 2,8 mil milhões de dólares de dívida pública, ao Banco Central da Venezuela, por cerca de 865 milhões de euros. A oposição ao Presidente Maduro explodiu de indignação, ao saber do facto. Eu próprio fiquei varado. Mas, ao mesmo tempo, pensei, tentando ver o lado positivo dessa dádiva misericordiosa, que assim talvez esta compra, a preços de saldo, evitasse o regresso de tantos milhares de madeirenses à sua Ilha, como já foi acontecendo, pela insegurança de quase guerra civil que se vive na Venezuela. Mas continuei surpreendido: porquê, mesmo que indirectamente, ajudar os pobres emigrantes madeirenses?
E foi o clic. Só então me lembrei que a Goldman Sachs conta, nos seus altos quadros, com o nosso boy Durão Barroso. E deve ter sido a sua mão patriótica, fraterna e regionalista, a forçar o negócio. Podia ele lá esquecer ou abandonar os seus infelizes e desprotegidos compatriotas?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Uma louvável iniciativa (47)


Das terras e lendas de Amor e Segodim (6/20), em que entra D. Dinis, aos mouros de Abrantes (3/20), passando por Mumadona ou Dona Muma vimaranense, que teria vivido com seus filhos em Penafiel (4/20), tudo sai explicado, sucintamente, destes pacotinhos de açúcar. E deixei para o fim a lenda mais bonita, a de Machico (12/20), na Ilha da Madeira, com os seus dois apaixonados fugitivos, Ana d'Arfet e Robert Machim, ingleses. História que deu a Francisco Manuel de Melo (1608-1666) motivo para a sua terceira narrativa temática, ou Epanáfora Amorosa.
Um efusivo aplauso a estes pacotinhos de açúcar do Café Chave d'Ouro!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Meia dúzia de regionalismos madeirenses (2)


1. Baceira - indivíduo preguiçoso, ralaço.
2. Basconço - palerma, idiota.
3. Dar ao badame - irritar-se.
4. Bichinhas - arrecadas de criança, brincos.
5. Bizalho - pintaínho, orgão sexual das meninas.
6. Bodiona - galinha cinzenta, mesclada de branco.

Nota: este pequeno conjunto de regionalismos, da ilha da Madeira, foi escolhido de uma compilação efectuada por Jaime Vieira dos Santos, inserta na Revista de Portugal (vol. VIII, nº 39).

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Retro (63)


São, provavelmente, dos anos 40 ou 50 do século passado, estas curiosas vinhetas da Ilha da Madeira. Embora não tivessem sido usadas, destinar-se-iam a ser coladas na correspondência, junto aos selos postais, promovendo o Turismo madeirense por esse mundo fora.

agradecimentos a H. N..

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

3 regionalismos madeirenses e alguns considerandos pessoais


De semelha, com o significado de batata, sabia eu; quanto a murganhada (de murganhos = ratos), aprendi, em 1968, que era usado pelos madeirenses para nomear os desenhos animados, talvez por influência do rato Mickey.
Folheando um número antigo e avulso da "Revista de Portugal" (Vol. VIII - nº 39, Dezembro de 1945), num artigo de Jaime Vieira dos Santos, deparei com mais 3 regionalismos da Ilha da Madeira, que aqui deixo, com pequenas considerações pessoais:
1. Bardo - sebe feita de cana-vieira, giesta ou ramagens. (Desconheço a sua eventual ligação, continental, com o significado de poeta, que Morais da Silva refere para denominar, inicialmente, entre os Celtas e Gauleses, os sacerdotes incumbidos de excitar o ânimo das tropas com cânticos guerreiros.)
2. Barreiro - terra vermelha que nada produz. (Terá sido essa a razão próxima para o patronímico outrabandista? O mesmo dicionário, referido acima, regista apenas: "Terra alagada". De algum modo, o oposto...)
3. Botas de 5 bicos - pé descalço. (Quanto a este regionalismo madeirense, só o posso considerar um achado, na sua evidência flagrante e bem-humorada...) 

domingo, 24 de julho de 2011

NÃO vá de férias à Madeira


Aproveitando uma velha fotografia de uma campanha em sentido contrário, sugiro, em nome da ética, e sobretudo da igualdade dos cidadãos consignada na Constituição da República: não vá de férias à Madeira. Certamente, o povo madeirense não merece.
No entanto, perante a manutenção das benesses consignadas no estatuto politico-administrativo da Madeira que, entre outros, garante direitos adquiridos, ocorre a imagem do Zé Povinho. É pena que a criatividade relativamente à Moodys ainda não tenha "chegado à Madeira".

Post de HMJ

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Madeira ( e Winston Churchill)



Apenas um pequeno apontamento pessoal para referir a Ilha da Madeira e, sobretudo, as suas gentes que viveram e vivem horas de sofrimento e tragédia. O que era um paraíso transformou-se num inferno, de um momento para o outro.

Foi o ambiente tranquilo e paradisíaco que levou, em 1950, Winston Churchill (1874-1965), depois de deixar de ser Primeiro-Ministro de Inglaterra, a fazer várias estadias na Ilha. Pintava e gozava a paisagem da Madeira. E pintou (ver fotografia, acima reproduzida) Câmara de Lobos, uma das localidades mais afectadas pela recente calamidade.