As duas mais frequentes posições para leitura são: sentada e deitada, como se imagina. Embora, raramente, eu leia de pé, pequenos textos, prefiro a posição reclinada ou deitada. Mas não na situação, algo incómoda, da fotografia de André Kertész (1894-1985), onde uma anciã, do Hospício de Beaune, lê, concentrada, amparada por grandes almofadas.
Quanto a ler em viagem, já fui mais ambicioso do que hoje. Tentei, durante muito tempo, ler livros de ficção (a poesia, guardo-me para a ler em casa), sem grande sucesso. Ainda cheguei aos policiais, mas a falta da devida concentração continuava a ser a mesma, e acabei por desistir. Restaram os jornais e revistas, que ainda costumo levar, para viagens.
Alberto Manguel (1948) na sua Uma História da Leitura (Presença, 1998) fala-nos duma sua prima e das suas opções de leitura, em viagem. Assim:
"Uma prima minha de Buenos Aires, como tinha consciência clara de que os livros podiam funcionar como emblema, um sinal de aliança, escolhia sempre o livro que levava em viagem com o mesmo cuidado com que escolhia a mala de mão. Não viajava com Romain Rolland, porque achava que lhe daria um ar excessivamente pretensioso, nem com Agatha Christie, porque a faria parecer demasiado vulgar. Camus era próprio para uma viagem curta, Cronin para uma mais longa; uma história policial por Vera Caspary ou Ellery Queen era aceitável para um fim-de-semana no campo; um romance de Graham Greene era adequado para viagens de barco ou de avião."